Uma forma de ver a vida.
"A democracia brasileira agradece, eu agradeço a vocês, homens e mulheres que fazem da luta pela verdade o seu ideal de vida". Quem falou isso em 27 de julho de 2018?
Se você não é nordestino, pule este post. Se você não gosta de palavra pornográfica, faz favor, que aqui tem algumas que escapuliram... Minha mulher conseguiu uma proeza sem querer. Se vocês digitarem uma certa palavra nordestina no Google, vocês vão direto para o seu blog, exclusivamente. Se vocês escolherem imagens, vão ver só imagens do seu blog. Ou seja, a tal palavra não existe, só no blog dela.
Xilogravura, arte tradicional nordestina
Mas como isso é possível? Pelo menos eu e minha mulher conhecemos a palavra. Aprendemos com os nossos pais, o que já soma 6 pessoas. Como é que esta palavra ainda não deu o dom da graça na poderosa internet global e planetária, a não ser por vias de seu humilde bloguinho? Pois bem, ela conseguiu este record. Provavelmente esta palavra é mais uma nordestina, do sertão, só conhecida pelos caipiras, como "tosco", "vôte", etc. Eu ia fazer uma lista aqui, mas muitas pessoas já fizeram isso, então peguem o arrego aqui, se quiserem saber mais: http://culturanordestina.blogspot.com.au/2007/11/dicionario-nordestino.html Este paraibano aí compilou mais de 1400 palavas exclusivamente sertanejas, embora, convenhamos, tem muita palavra forçada. Mesmo assim, praticamente é uma nova língua sub-portuguêsa. Se cada região do Brasil tem similar número de palavras regionais, é o samba do crioulo doido. Tirem fora as milhares de línguas indígenas que ninguém nunca ouviu falar antes dos jogadores alemães divulgarem fotos no meio dos Pataxós. Minto, hoje em dia até que se tem divulgado muito sobre nossos índios, principalmente depois que eles foram manipulados para aparecerem na mídia estrangeira e marcharem pelos gramados de Brasília a fim de tentarem desestabilizar o governo.
Nordestinês
Mas vejam só o que fui capaz de fazer. Segue-se uma estorinha pra vocês se divertirem, porém, só se vocês forem nordestinos, caso contrário não vão entender patavina e vão ficar a ver navios. Usei a maior parte das palavras regionais que conheço, mas sei que muitas outras ficaram de fora, principalmente as forçadas e as mais pornográficas, por uma questão de princípios, perdão. Mesmo assim, tem palavrãozinho, portanto, crianças, retirem-se. Depois que fiz a estória, percebi que a grande maioria das palavras nordestinas são depreciativas, zombeteiras e de baixo escalão. Podem ser engraçadinhas, mas acho que a maioria não é recomendável, vôte!
Uma Estória Nordestina Oxente, cambada, não gosto de zuruós xeleléus zambetas enxeridos e dementes, que gostam de fazer zoada não, visse? Muito menos quando eles gostam de xumbregar e só pensam em xibius o tempo todo.
Xeleléu, puxa-saco, bajulador
Vixe Maria, vôte, eles podem ser varapaus de ventas grandes, ou tamboretes-de-putas que não me impressionam. Prefiro um trancelim ou uma tuia de traques de massa do que triscar nesses caras tronchos, roçando neles de ficar com a roupa esgarçada, acostumados a soltar rajadas de traques dentro de casa. Eu, esta peitica sibite baleada de oveiro baixo, sei muito bem como pegar eles de supetão, que ninguém vai se servir de mim não nem me levar pras bimbocas nas carreiras. Mas rapaz, repare só, como eles gostam de ficar rentes. Não respeitam nem muié de resguardo, nem a réstia de um rabo-de-saia, nem muié dando lance nem quando ela está incomodada, de boi. Estão sempre com tudo em riba. Ai deles, não adianta fazerem munganga nem pelejarem pra eu aceitar pistolão na marra de arrumar emprego quando estou na pindaíba, na lona, porque vou peitar eles e dou-lhes um pipôco tão grande que eles vão ficar latejando e tudo lanhado. Viver comigo é peia, não gosto de pregar prego sem estopa nem de me misturar com a mundiça morta-fome.
Pride!
Mai tá, eu ficava matutando e calava a matraca quando via um homem massa adepto da maromba. Mas quando ele aparecia com uma marmota enrabichada nele, eu manjava que a manjuba dele era manobrada por ela. Depois eu ficava mangando dele, eu, Sebastiana, desarnada mais minha prima maluvida e lerda, Tonha, maldando o casal malamanhado. O cara não era dono da macaxeira, eita lasqueira! A gente era um grude danado, até ficar de mal, quando minha prima ficou entufada, falando nome feio e o escambau. Ela com seus cambitos finos e suas calçolas brancas. Tava ca peste, com a bexiga lixa e a gota serena, quando um destes tabaréus tava de fogo depois de várias talagadas, eu me armava com uma tabica sem taliscas pra lhes arrancar o samboque e tirar o tampo, deixando-lhes cheios de ronchas, que não brincassem comigo não que sou parada dura e adoro topar tudo. Não interessa se eles eram jegues de torar o aço, eu não ia me acabar nem me amarrar num seboso, eles que fossem se lascar. Se batesse em mim uma loucura, eu me aviava e me fazia de morta, mas se brincassem, iam ficar alatanhados e se lenhar. Não ia me bater pra me livrar e nem sarrar sacolejando e sacudindo com nenhum saliente roto e esfarrapado enquanto o açude estava sangrando.
Para muitos, isso é uma praga
Nestante eu não conseguia ligar meu telefone peba, o pitoco tava de rosca. Tuve que pedir penico, fui pêga de surpresa e agora não posso me inteirar das coisa, estou enfadada. Antigamente, pra chegar no terreiro do meu tio, que era do tempo do ronca lá nas brenhas, onde o vento faz a curva, nos cafundós do Judas, uma lonjura a léguas de distância, a gente tinha que atravessar uma tramela e cruzar uma pinguela onde tinha um pé de planta e um pé de pau pra pegar um tiquinho de caminho e rumar para a casa. Era um rugi, rugi, um parangolé e um rapapé danado naquela casa, mãe do céu. Lá eles adoravam um racha e, no meio do sertão, era uma quentura danada, enquanto as quengas se juntavam que pareciam as tripas gaiteiras, balançando os quartos e dando sopapos no quengo dos zé.
Minha meninice foi naquela casa, quando eu tomava lambedor e fazia estripulia, e o bom era beber água da quartinha, friínha, enquanto botava a roupa pra quarar. Naquela época mulé cozinhava, engomava e lavava roupa e eu era a caçula. Meu tio puxava da perna mas era cabra macho e adorava uma presepada. Suas camisas eram cheias de goma, ele vivia todo engomado e adorava ficar entertelado e fazendo hora fumando que nem uma caipora. Eu dizia, bença tio, e ele me colocava no caçuá e me levava na casa da velha cachimbeira pra caçoar da minha tia. Ele cabuetava tudo que minha tia fazia, o cabra safado, enquanto eu fazia bunda canastra com o filho dela buliçoso e a filha bujão. Um dos filhos do meu tio é meu primo carnal, uma pomba lesa e presepeiro pra danar, que vivia gazeando aula. Outro dia deixou uma muié prenha no oitão e foi fazer a precisão na latrina, obrando do lado de fora, daí meu tio foi ligeiro, olhou no caroço do olho dele e lhe deu uma pisa de chibatadas, enfiando-lhe papel de enrolar prego goela abaixo. Disse que ia cortar a pitoca pixototinha dele pra ele não botar mais pomba na xereca e também ia pocar suas bolas. Ele era um frangote leso e invocado, frôxo e de calça folote, cheio de grude e pano branco, com inhaca de bode, o desgraçado. Meu tio tinha uma pança enorme que parecia a moléstia dos cachorros. Meu tio deixou ele liso, sem um tostão no bolso e mais alesado ainda, era uma leseira danada, mas às vezes parecia que tinha pimenta no butico.
Mantenha distância no nordeste
Entre uma bufa e outra, meu tio saia de bucho cheio porque a véia cachimbeira brocoió era bronqueira mas passava a mão nele. Vai ver que os bruguelos dela que hoje são cabras brôcos nasceram porque meu tio deixava ela buchuda, antes de ficar brocha como hoje. Ele adorava brechar uma brega e se a muié não botasse cabresto, ele botava banca e arrastava a asa. O bebê do meu primo nasceu cheio de goga, de moleira mole, e foi enrolado nuns molambos pra proteger das muriçocas e mutucas. A gente tinha que usar cortinado pra nos livrar das picaduras dos maruim. Como minha tia era muié-macho chegada a fazer sabão, ficava enchendo miolo de pote com a quenga dele mode ficar mais tempo com ela, massageando o mocotó dela, mesmo já envergada e com a espinhela caída que não tinha mais jeito de endireitar. Acabou que meu primo batoré ficou largado, lascou-se todo e sua vida gorou. Sorte dele que lavou a burra e ia tomar lapada no fiteiro, todo descabriado com a lapa de manjiroba que tinha, dando no gogó da finada e fumando góia, acabando sempre cheio dos pau e todo chumbado.
Proposta de bandeira nordestina encontrada no "fêice"
E não é que a galinha catraia era gasguita? Aquela feiúra enguiou tanto que acabou se esgoelando e arrumou um galalau galego fio da peste cheio de grana, esfarrapado e escroto, deu uma gaitada e escapuliu escangalhada para engolir mais gala até ficar com gastura. O gaiato construiu uma casa fulera e botou um gato nela, criando gabiru. Ele gostava de futucar na fundura do furico no fiofó e acabou frescando com a gasguita de cabelo frisado, criando um forrobodó, aquele filho do cabrunço que acabou estuporado por uma derradeira estrovenga no espinhaço e também na caixa dos peitos, e foi assim que ele bateu a caçuleta. Adoro comer paçoca, papa e uma penca de tarecos pra tapear o gôto e comer titela de galinha até o sabugo, com manteiga de garrafa, jerimum e feijão-de-corda com fato, gostoso como o quê, pra ganhar sustança, diretamente da panela quando está pelando, ficando toda melada. Depois fico dando pinotes pra comida descer e acabo com os pés pinicando. Também adoro comer uma palma de bananas quando não estão passadas, carradas de mangas, e laminha de côco. Para o ano vou dar uma guaribada e voltar a usar uma pastinha pai d'égua, num sabe, essa menina? Antes de me findar engicada ou enricar de vez. Agora que estou adulta e enjeitada, adoro fazer mercadinho e ficar espiando os estrupícios estrilados que passam na praça, mas não sirvo mais de engôdo, não sou mais engabelada nem caio mais em esparrela de esmolér esmolambado e desgramado. Vou toda empiriquitada e não estou a fim de encafifar nem encasquetar com ninguém, emburacando sem pedir licença, pra não ficar encruada, encangando grilo dentro de casa, senão acabo encostada.
Os estados na lonjura do nordeste do Brasil
Abro a luz, coloco meu batom encarnado descorado, tiro a blusa encardida, encarco um sapato, um capote que comprei à prestação mas só paguei a chave, e pego minha amiga com quem ando encangada a fim de encandear o mundo balançando as cadeiras por aí. E quem quiser empombar comigo, vai ficar empesteado pelo meu fedor, enquanto o trânsito vai ficar empatado. Vou emparelhar com as beldades que isso é pinto. Só tem o perigo de acabar embuchada, mas pelo menos posso ficar empanzinada de guloseimas, né não? Diacho. Agora fiquei distrenada e cheia de nove horas. Se eu correr desembestada, fico com dor-de-veado e destrambelhada, daí dá a bobônica, vai desmantelar tudo e virar mó desgraceira. Sem falar que uma cambada de calungas vem atrás e eu vou parar na caixa-pregos. Eu queria entrar numa loja, mas me barraram na porta. Daí eu falei, sai, arreda, e entrei a pulso, e como eles queriam avacalhar comigo, acabei marretando um saco de confeito, bem feito pra aqueles tabacudos daquela zona. Se eu tivesse um porrete, ia causar um bafafá tão grande, que ia poder marretar muito brebote e bregueço pra dar um trato na minha casa. Foram bulir comigo, daí eu fiquei zuretada, e ainda puxei o pixaim do xoxinho zarolho. Virei pra essa minha amiga e caí de pau, ora deixa de pantim sua debochada, senão vai dar chabu. De hoje a oito tu pega no tranco e a gente vai ter um agrado, senão lhe dou um carão, uma prensa. Tá beleza, de lascar o cano que não tá dando vencimento. A gente vai dar parte daquele maldito xumbregador e depois ficar pregada. Depois a gente vai dar no couro até ele ser condenado, dando um grau na nossa vitória, isso se a gente não der na fraqueza nem der o gostinho pra os cabras da peste. Vou dar com a mão pra o ônibus parar e não espero dar fé de nada faltando até chegarmos lá e dar fim nos caras. Vai ser uma danação da bexiga lixa, um cú-de-boi.
Já tuve Copa, ôme
Mas esse buzu está custando e eu tenho um cotôco, não paro em pé como couro de pica, não sou de ficar de flozô. Vou dar um cocorote, um cascudo e uma chapuletada nesse motorista cafuçu chinfrim. Se ele conseguir escapar de mim, vai ser um cagado. Ele que não se atreva a passar por cima de catabís. Não quero ser cricri, mas com esse seu chapéu no cucuruto, você não carece de mais nada no cangote. Não seja bocó e não bote banca que eu faço boca de siri, senão cabueto que você pegou na bimba do pirralho da professora depois daquela bicada, pobrezinho do bichinho, sua bexiguenta. Eu vi quando você perguntou, ôxe minino, tá bestando por aí? Vem pegar no batente, vem, vem pra banda de cá e não bota banca. Mostra que você é o bamba e não um baitola, vem tirar o queijo. Me passa a cuia, seu bacurim. Pára de ser babão azuado, que eu tou avexada, avalie? Vem me arrudiar que eu tou afim de ser arrochada, seu arretado. Pára de arengar que tu me deixa apurrinhada. Não tá vendo como estou aprumada, tá afim de me apoquentar? Apois, tu tá me deixando aperriada, seu amostrado.
E eu vi quando tu amolegou o rapazote e nem pagou, sua amarrada. Nem bem deixou de ser amancebada, já estava alteando a voz no meio da rua.
Casár norrestin
Eu também vi as alpercatas do muleque do lado de fora da sua porta e fiquei agoniada. Tive que adular o teu pai que estava abuletado na carroça, pra ele não ver. O guri é pequeno mas é afeiçoado e deve ter lhe deixado afolozada. Também vi quando ele saiu todo abilolado, abufelado. Saiu à pulso, aquele abiscoitado. Tu é uma xexeira. Agora minha estória já ficou pensa. Sou muito avuada e não gosto de ficar boiando, nem de ser corta-jaca, então, antes que você se meta a cavalo-do-cão, venha encarcar comigo, me dê uma doideira e eu lhe dê uma cipuada, pra você não ficar empaxado de tanta conversa, vamos entrar numa conchambrança que eu vou chegando. Daí Eu Fui no Ceará Estava um bafafá escalafobético, tomei tanta branquinha que fiquei amarela, judiada e toda abestada. Não consegui sequer dar um pitaco e fiquei segurando vela. Tirar pestana nem pensar, solta na bagaceira. Quando dei fé, levei uma mãozada no peduvido. Minha moleira ficou ardendo, os beiço inchado e a zurêia zunindo. Mas dei um chute na viria e uma chibatada na queixada de volta, meti o dedo no zói e quase arranquei os bofes do camarada.
Praia de Jericoacoara, Ceará, Brasil
Daí voltei pra tomar umas. Ôce pensa que sou coió? Não bula no que tá queto que fico estribada. Vá frescar pra ver, num se meta a besta. Tem que pelejar comigo, gosto de comer gororoba desembestada. Asdispois Eu Fui pras Alagoas Cheguei lá, tava todo mundo acoloiado. Eu tentando alumiar o caminho, e eles me preparando uma arapuca. Arregacei as mangas, arroxei o nó, funguei o nariz, e acabei toda arrombada e amolegada. Não podia nem altear a voz, aí foi que fiquei afolosada.
Piscinas naturais em Maceió, nas Alagoas, Brasil
A porra da birosca me deixou baqueada do balacubaco, mas como estava cheia de cachaça, me arrancaram o cabaço com uma caninana na carniça. Acabei carrasquenta, coxa e capenga numa cangalha, mais calibrada ainda. Aquilo me deu uma caganeira que voltei pra casa chutada feito um corisco. Levei um croque do meu pai, e fui tomar meu banho de cuia ficando toda engilhada. Meu pai então me fez uma desfeita tão grande que fiquei desinxavida. Morrendo de vergonha, fiquei embiocada o resto do dia e acabei entrevada. Dormi enviezada e acordei escangotada, cascavinhando a casa a fim de mais mé.
Maceió, nas Alagoas, Brasil
Como não encontrei, comecei a esculhambar tudo, perdi as estribeiras e acabei estatelada no chão. Estrebuchei e acabei toda estrupiada de novo. Minha mãe, faceira mas que já deu o tiro na macaca, se meteu no furdunço e danou-se a futricar no fuzuê. Peguei a fubica do velho gagá, fiz uma gambiarra pra ela pegar no tranco, botei o cachorro na garupa e, com a minha lábia, acabei pegando na lapa de peito da vaca do vizinho sem querer, antes dela me dar uma maçada. Depois fiquei môca com o trompasso que levei no muquifo da vizinha. O macho dela queria me comer com a piroca cheia de pereba, mas o jeito foi morrer na punheta. Tuve que me abrir que minha desgraça era pouca. Dali em diante não conseguia mais dormir, parecia um tetéu. Minha mãe me botou da porta pra fora e tive que me esconder numa touceira de mato, pois não tinha mais tutano. Daí toda vez que cai um toró eu aproveito pra xiringar sem ninguém ver. E o Australiano? Sim, tem australiano no sertão que também tem vocabulário especial e só dele. Mas não é tão rico quanto o nosso...
Achei uns artigos interessantes na net sobre o Brasil após a Copa, então, na linha de divulgar o que se fala do nosso país aqui fora dele, vamos desenhar um extrato do que consegui achar hoje. Tchau Brasil, Obrigado pelas Memórias, Jamais Esqueceremos - Barney Ronay, The Guardian http://www.theguardian.com/football/blog/2014/jul/14/brazil-world-cup-memories-legacy-2014
Este artigo do The Guardian não parece ter sido escrito por um brasileiro, então pode ser que mereça um pouquinho de crédito. Vamos a ele.
Viemos esperando protestos e caos. O que obtivemos foi a reciclagem do futebol mundial como o máximo do esporte e um novo time maravilha para a Alemanha. A Copa de Futebol no Brasil foi uma das melhores na memória viva das pessoas. Depois de 32 dias, 64 jogos, 171 gols, 182 cartões amarelos, 48.706 passes, $4 bilhões de lucro para a FIFA, uma tsuname de opiniões públicas e uma montanha de pastéis de queijo, a Copa acabou. Primeira vez que uma nação européia vence os latinos na casa deles. A Alemanha chegou mais perto da Itália a desafiarem a hegemonia brasileira. Os estrangeiros consideram que estiveram no Brasil no verão. Nunca houveram tantas lágrimas de atletas nos vídeos de alta definição, nem tantos sabores pungentes à disposição dos turistas que amaram vagar pelo país imenso, classificando esta Copa também como a mais sensual. Pela primeira vez a América Latina viajou em peso para visitar o Brasil em seu próprio continente. Até os sisudos inglêses dançaram pelas ruas de Manaus durante o calor da noite brasileira. A contenda foi tão quente que os primeiros 14 jogos produziram 44 gols. Os próximos 14 jogos produziram menos, 31 gols. Palavras portuguêsas agora estão na boca dos estrangeiros, como "jogo coletivo" que existiu e "frango" que não existiu nesta Copa. O padrão do futebol foi alto.
Frango que não teve
Há quem desculpe a lavagem da Inglaterra por ter jogado o primeiro jogo numa caçarola quente, Manaus. O artigo também critica os brasileiros por não serem jogadores domésticos, mas importados dos países que os compraram, muito diferente dos alemães. 17 dos 22 brasileiros foram importados, enquanto 7 dos alemães jogam no Bayern de Munique, e todo o restante joga dentro da própria Alemanha, enquanto Costa Rica, Holanda, Bélgica e Argentina eram todos domésticos também. O artigo também menciona que em todas as copas, os ingressos são vendidos para as coleções de pessoas ricas. Apenas 400.000 ingressos dos 3.3 milhões foram vendidos a pessoas pobres no Brasil, mas mesmo assim, foram. O resto foi a distilar o veneno da crítica. Pelo menos desta vez não foi escrito por um brasileiro como estava se tornando de praxe. E Então, Quem Quer Ir para o Brasil? Jane E Fraser, Sunday Morning Herald http://www.smh.com.au/travel/so-who-wants-to-go-to-brazil-20140714-3bw1m.html
Os belos corpos em Copacabana e Ipanema não causaram nenhum dano à imagem calorosa do Brasil. No mês passado, o Brasil foi uma dádiva para as câmeras de televisão do mundo, com imagens eletrizantes tais como o sol nascendo em frente ao Cristo Redentor e percorrendo a floresta Amazônica.
O sol nascendo no Cristo Redentor, Rio
E agora, você está a fim de ir no Brasil por sua conta? Agências de viagem e reserva online dizem que tem havido uma onda de interesse em viagens para o Brasil, pelo menos mais 32% com relação ao ano passado. A Expedia monta em 87% o aumento das pesquisas sobre o Brasil enquanto o Flight Centre agora inclui o Brasil nas promoções de volta-ao-mundo. O diretor de um centro de viagens em Melbourne diz que as propagandas da Copa foram fantásticas para venderem novas destinações menos conhecidas dentro do Brasil, saindo para além do eixo Rio e Amazonas.
Preços caindo
Perguntam-se até quando esta onda vai continuar. Agora os preços de hotéis estão caindo na faixa de 50%, o mesmo que acontece em toda parte do mundo, mas ainda estão caros porque muitos turistas ficaram para explorar mais o país depois da Copa. Para os novos turistas, é bom estar sabendo que muitas pousadas já estão reservadas até 10 meses adiante. O Sucesso do Brasil como Anfitrião da Copa do Mundo Pegou Bem para as Olimpíadas - David Biller, Bloomberg http://www.bloomberg.com/news/2014-07-14/brazil-success-hosting-world-cup-bodes-well-for-olympics.html A um mês atrás, dizia-se que o Brasil ganharia a Copa do mundo em meio a escândalos de estádios incompletos, violência e tráfego caótico. As coisas mudaram. Fãs de futebol arrasados saíram às ruas pedindo para a presidenta Dilma reconstruir o time de futebol brasileiro. Mas a derrota fragorosa do time brasileiro contrasta com o sucesso da organizacão do maior evento esportivo do mundo o qual transcorreu sem maiores dramas depois de meses de crítica pública sobre estádios paralisados, greves de trabalhadores e protestos em massa. Os resultados pegam bem para o crédito de que as Olimpíadas de 2016 também acompanhem este sucesso.
Olimpíadas Brasil 2016
Foi uma completa mudança de expectativas porque as pessoas estavam prevendo a tragédia, mas a tragédia aconteceu dentro de campo e não fora dele, disse Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central e membro do Flamengo Futebol Clube. Ele também lembrou que atrasos nas decisões são endêmicos no país, citando que as escolas de samba do Rio, que parecem desorganizadas até o momento em que entram na passarela. O secretário geral da FIFA, Jerome Walcke, criou um incidente diplomático em 2012 ao dizer que o Brasil precisava de um chute na bunda a fim de andar com seus preparativos para a Copa, enquanto o jogador legendário Ronaldo abriu a boca pra falar que estava decepcionado com seu país e sua falta de planejamento depois de ter gasto $11 bilhões para sediar o torneio. Uma semana depois da abertura dos jogos, o presidente da FIFA, Sepp Blatter, disse que a primeira rodada foi a melhor do mundo. Ele deu nota 9.25 de 10 dizendo que "perfeição não existe". Este tipo de reviravolta vai pegar muito bem para os preparativos das Olimpíadas de 2016, disse Thomas Trebat, diretor do Centro Global da Universidade de Columbia no Rio. Sucesso Tremendo Trebat disse que a FIFA deve desculpas ao Brasil por ter feito críticas pesadas e comentários amargos durante meses e agora estão dizendo que foi o maior sucesso. A desculpa da FIFA hoje é a de que eles precisavam exercer certa pressão para tudo sair a contento e que isso é normal. Agora as críticas ao Rio como anfitrião das Olimpíadas rarearam. Nem tudo foi perfeito. Um viaduto caiu em Belo Horizonte, vôos domésticos no Rio foram atrasados, chuvas torrenciais em Recife alagaram tudo, e o tráfego pesado do Rio atrasou Pelé tentando chegar no estádio Corínthians para ver Brazil contra México. A extensão dos preparativos incluiu feriados nas cidades onde haveria jogos, alteração nos horários escolares, e pesada segurança para neutralizar protestos de rua. Aqui também lá vem as críticas à economia e também famosos comentários sobre grandes estádios em cidades sem times, salientando que os turistas não trouxeram o bastante para cobrir os gastos, mas já vi reportagem dizendo que tais retornos já superaram os gastos.
Na Austrália não tem isso...
O torneio injetou $30 bilhões de reais na economia e criou 710.000 trabalhos permanentes, escreveu Dilma no Facebook, dados extraídos do Ministério do Turismo e Fipe. De 48%, subiu para 68% aqueles que deram apoio à Copa de abril para julho mas antes da derrota do Brasil. O Globo publicou Vergonha, Desgraça, Humilhação em letras garrafais na primeira página, a fim de insuflar a ira da população contra o governo, como se ele fosse o culpado. Seria isso o que você diria a seu filho? Ela devia ter publicado Terminamos Entre os 4 Maiores do Mundo, A Copa Foi um Sucesso, em letras garrafais. Isso é o que eu diria ao meu filho. O artigo finaliza dizendo que Dilma declarou que teria sido muito ruim se o Brasil tivesse perdido a Copa por falta de organização, claramente se referindo ao fato de que, se o time perdeu, isso não tem nada a ver com o governo, é claro, mas a organização, sim.
Daniel Taylor. Por onde começar? A visão de Copacabana pela manhã, as cervejas no Bar do Gomez em Santa Teresa, ver a vida passar na Avenida Atlântica, os bons momentos na Marina da Glória, foram os pontos altos. E mais a histeria e o barulho nos jogos do Brasil e o jeito como os brasileiros cantaram o hino nacional. Barney Ronay ficou intrigado porque os voluntários estavam revistando todas as bolsas saindo do estádio do Corinthians porque uma garrafa de whisky havia desaparecido, amarrando-o numa fila interminável às 10 da noite. Uma garrafa de whisky? Paolo Bandini passou maus bocados ao descobrir que o assento mencionado em seu ingresso para o jogo na arena de Dunas, em Natal, não existia. O jeitinho brasileiro entrou em cena e resolveram o problema dele e de outros repórteres na mesma situação. Outro sufoco ele passou quando o motorista de táxi em Natal tirou as mãos do volante para comemorar um gol assistido numa TV pregada no painel do carro, desembestado numa área residencial há mais de 90km/h, dizendo que o mais importante foi que ele sobreviveu àquela insanidade. Os estrangeiros não estão acostumados à expontaneidade.
Nostalgia
Dominic Fifield adorou ser rodeado de estudantes de Inglês na favela de Pavão-Pavãozinho no Rio de Janeiro a fim de treinarem o Inglês deles sem lhe dar chances de treinar o seu Português macarrônico. Perdeu o celular duas vezes dentro de táxis que lhe deixaram nos hotéis, tendo recuperado as duas vezes, porém seu óculos de sol ficaram mesmo lá no fundo do oceano em Copacabana. Isso foi incrível. Amy Lawrence, que passou por uma feroz situação estomacal por ser vegetariana no Brasil, ficou empolgada com o vigor emocional da celebração dos argentinos em Copacabana, coisa que não existe na Europa. Ficou marcada para sempre pela cena deles cantando e correndo como lunáticos dentro do mar sob uma lua cheia nascendo no horizonte. Mais expontaneidade.
Loucos de Copacabana
Stuart James esperava por um pesadelo fora dos estádios, o qual não se materializou, levou um sermão porque estava fumando em lugar proibido e teve que mudar de lugar por causa dos segurancas. Pensava que estava na casa de Noca? O que gostou mais do Brasil foi ter a companhia de quatro fãs dos Los Cafeteros à noite no bar Fogo de Chão em Brasília que não admitiram ver o inglês solitário numa mesa reservada só para um, achando-os companhias brilhantes. Inacreditável! Hadley Freeman ficou 13 horas no aeroporto de São Paulo por causa de problemas com o visto e uma noite sem-teto porque seu hotel deu seu quarto para fãs de futebol inglêses. Amou as tigelas de açaí, a coisa mais gostosa que já comeu na vida. Owen Gibson, tirando a cantiga da lua má argentina de sua cabeça, achou que este foi o torneio que ele mais gostou de irradiar. Mesmo preso num tráfego por vezes interminável, havia sempre uma TV à disposição no aeroporto, no ônibus ou no táxi a fim de não perder nenhum lance. Exceto que, quando tal TV estava sendo assistida por um motorista de táxi a 90km/h no meio do tráfego de São Paulo, deu calafrios. O que mais o impressionou foi a atmosfera temerosa da invasão latino americana no Brasil sendo, no entanto, recebida em boas graças pelos brasileiros e sua famosa hospitalidade. Como seus times, os bandos de chilenos, costa riquenhos, colombianos e americanos foram um bafo de ar fresco. E ainda ter a chance de jogar com Cafu no estádio do Fluminense o qual hospedou o primeiro jogo internacional, não foi mal. Mais expontaneidade.
Que time é teu?
Barry Glendenning impressionou-se com a magnitude da visão de 50.000 colombianos todos de amarelo cantando o hino nacional deles no Estádio Mineirão antes do jogo contra a Grécia. Também chocou-se quando lhe mandaram tirar a pulseira de ouro do braço quando foi numa farmácia à noite em Cuiabá, dizendo que ela estava arriscada de ser roubada na volta ao hotel. Fora esta, todas as estórias escabrosas ouvidas antes da Copa não aconteceram. Barry também impressionou-se com a paixão dos brasileiros pelo seu time e seu hino nacional. Todo mundo, desde homens de negócio até senhoras e crianças, pareciam estar usando amarelo e verde, mas o entusiasmo deles não estava presente só nos jogos do Brasil. O país parecia parar para celebrar cada jogo. David Hytner apaixonou-se pelo Estádio Mineirão dizendo que foi o melhor que viu no Brasil, um assalto aos sentidos justamente por ter sido palco do jogo mais tenso, traumático e selvagem que ele já cobriu na vida, ao ganhar para o Chile no pênalty. Saiu de lá com os ouvidos zunindo. Exasperou-se por quase perder uma conexão de vôo para Fortaleza porque não conseguia achar o portão 14D em São Paulo, só os 15-27, depois de passar duas horas para desembaraçar seu visto. Salvou-se por causa de um atendente que falava Inglês dizendo, o portão 14D é logo depois do portão 17. Fez sentido. Entusiasmou-se porque podia assistir a jogos pela TV dentro dos aviões, entendendo porque o torneio alcançava todo mundo no país inteiro, com o avião quase vindo abaixo quando saia um gol argentino contra o Irã.
Hino Nacional na abertura da Copa 2014. O hino tem duas partes,
mas a música parou na primeira. Os jogadores e o povo continuou
cantando até o fim... os australianos não sabem o hino da Austrália
Sid Lowe gostou das musiquinhas adaptadas pelos argentinos, dos fãs chilenos no Rio, e deles cantando o hino nacional também. Confirmou que Salvador era examente o que ele achava que Brasil era ao ponto de exclamar para si mesmo, uau, estou cobrindo a Copa no Brasil! Problemas com conexões e cancelamentos de vôos, mas achou normal. Apavorou-se com a manada desembestada de chilenos atacando o centro de mídia no Rio, mas disse que os piores pesadelos passados em aeroportos não foi no Brasil, mas na Europa. Nenhuma das estórias cabeludas contadas sobre os brasileiros se concretizou. Me dêem um aeroporto brasileiro todo dia que estou satisfeito. Atochar-se num elevador no meio de 8 jogadores australianos lhe deixou cabreiro porque os caras eram todos bem altos. Adorou assistir a jogos dentro dos aviões das Linhas Aéreas Azul.
Elevador lotado
Paul Wilson desapontou-se com o agente de imigracão que achava que, por ser Inglês, tinha que conhecer a escritora Robekah Brooks. Chegou a achar que ele estava mentindo, não que não conhecesse a escritora, mas que fosse realmente um jornalista Inglês. Teve o azar de ser pego dentro de um ônibus quando as pesadas chuvas caíram em Recife, demorando 3 horas para cobrir 30km até o estádio, quando Alemanha mandou Estados Unidos embora da Copa. Imaginou que ia enfrentar o mesmo problema na volta, e realmente ficou preso no mesmo cruzamento durante uma hora.
Ônibus na água
Deliciou-se com os jovens voluntários que queriam descer para irem à pé, mas o motorista não deixava dizendo que eram as regras da FIFA, então eles começaram a cantar músicas dos Beatles para alegrar os passageiros. Depois de outra hora parado, o motorista abriu as portas para os adolescentes sairem, o que deixou o resto dos passageiros embatucados sobre o que decidir. Descer com eles e molhar-se, perdendo-se na vizinhança estranha, tarde da noite, ou permanecer no ônibus e esperar. A maioria ficou no ônibus, incluindo um cara que reclamava muito que ia chegar atrasado no aeroporto e pegar um avião que partiria depois da meia-noite. O jogo havia começado a 1 da tarde, e àquelas alturas já era 10 da noite, e todo mundo ainda no ônibus. Finalmente o ônibus fez meia volta ilegalmente e partiu na direção oposta, quando o motorista anunciou que não tinha GPS e nem conhecia a redondeza porque havia acabado de chegar do Rio de Janeiro. De alguma forma ele acabou dando de cara com a avenida beira-mar e conseguiu chegar ao terminal. Foram quase 5 horas para cobrir 30km e todo mundo devia estar furioso, mas sempre tem alguém mais raivoso do que você. Nós estávamos no ônibus das 5:30 da tarde. Quando descemos, o ônibus das 3:30 da tarde chegou atrás. Tem gente que fala muito do Brasil, e este repórter continuou dizendo que amou os restaurantes do tipo mukeka baiana com seus excelentes peixes e tempêro africano. Ele já não aguentava mais os churrascos sangrando.
Fraldinha (mente poluída!)
Comer fora era sempre um desafio no Brasil, mas os garçons também eram sempre amigáveis. Todo mundo foi sempre educado e cortês, até os motoristas no meio dos tráfegos pesados frequentes. O Brasil apresentou-se muito mais amigável e seguro do que ele imaginava, embora as diferenças cruéis de classes sejam evidentes. Os estrangeiros estavam sempre com um nó na garganta imaginando que o slogan "as festas nos estádios não valiam as lágrimas das favelas", achando que era verdade. Aaron Timms não conseguiu fazer o chuveiro do hotel funcionar em Curitiba pouco antes de ter que sair para cobrir o jogo Austrália-Espanha. Achou tocante quando pessoas na farmácia lhe ofereceram algodão de graça porque ele não conseguia achar dinheiro para comprar e tirar o esmalte cor-de-rosa colocado em suas unhas numa noite de bebedeira do dia anterior causado por um programa de TV da SBS. Pequenos gestos como estes lhe fizeram concluir que o Brasil é o país mais grandioso dos mercados emergentes, e que está pensando em transformar sua viagem de cobertura da Copa num livro que provavelmente não será lido por ninguém. Todos chocados com a surpreendente vitória estonteante da Alemanha sobre o Brasil. Os gols foram tão em cima um do outro que deixou todo mundo todo e se perguntando, "what the hell is happening?" (que diabos está acontecendo?). Fora estes todos, havia outros que não falaram nada pessoal sobre o Brasil, limitando-se a dar suas impressões sobre jogos e jogadores. The Wall Street Journal: O Brasil Recebe 1 Milhão de Turistas na Copa do Mundo http://blogs.wsj.com/dailyfix/2014/07/15/brazil-welcomes-one-million-world-cup-tourists/ Este número excedeu os 600.000 esperados pelo Departamento de Turismo do Brasil, sendo que 60% deles estavam visitando o Brasil pela primeira vez. Em comparação, só 310.000 turistas foram à África do Sul na Copa de 2010, enquanto a Alemanha recebeu 2 milhões na Copa de 2006. 95% destes turistas declararam que pretendem retornar ao Brasil.
Turistas deslumbrados
Em 2014, o Brasil deve receber cerca de 6,4 milhões de turistas ao todo, o que deve subir para 14,2 milhões em 2024. O Brasil recebe hoje uma média de 5 milhões de turistas, mesmo com suas praias paradisíacas, vibrante cena musical e cultural e cidades desafiantes como a vasta selva amazônica. Em comparação, os Estados Unidos recebem 67 milhões de turistas anualmente. É claro que o Wall Street é conhecido por sua arrogância bem norte-americana e adora menosprezar países como o Brasil, mesmo diante de tanto sucesso esmagador, como ele mesmo menciona que tem sido as críticas ao redor do planeta após esta Copa do Mundo de 2014. Ele diz que cantar vitória em termos de turismo é "prematuro". Está com medo dos Estados Unidos perderem uma fatia de tal bolo de turistas para o grande concorrente do sul. Sua crítica fala que os estádios só ficaram prontos na última hora, e que a indústria está cortando gastos, acrescentando que nem todos os trens e metrôs ficaram todos prontos para a Copa, salientando, é claro, a queda do viaduto em Belo Horizonte. Como o Brasil Silenciou seus Críticos http://www.bbc.com/news/world-latin-america-28322375 Wyre Davies Tiro o chapéu em respeito ao Brasil, assim como muita gente devia tirar também por tê-lo subestimado, duvidando que fosse capaz de levar a cabo a maior Copa do Mundo de todos os tempos. Todos aqueles estádios perigosos, custosos e dados a acidentes acabaram se saindo tudo bem, pelo menos em termos de controle de multidões, ingressos e experiências de jogos. Lembrem-se que, certos estádios estavam tão atrasados que não houve tempo para fazer um teste geral antes que a Copa começasse. Apesar do Galeão, no Rio, se constituir numa vergonha de aeroporto, a maioria dos outros aeroportos manipulou muito bem a carga de vôos e número de passageiros.
Aeroporto de Recife, eleito o melhor do Brasil na Copa
E então havia aqueles protestos que todo mundo temia. Aparte o fato de alguns episódios violentos em São Paulo no dia da abertura dos jogos, ficou claro que a maioria dos brasileiros não apoiava que movimentos anti-governo e anti-Copa perturbassem o torneio. O governo brasileiro deixou claro que protestadores não seriam permitidos chegarem nem perto das zonas de exclusão próximas aos estádios. Diante da força policial, os protestadores só conseguiram uns gatos pingados a 12km do estádio de São Paulo. Eu vi de perto o poderio das forças policiais excessivas, mas funcionou. Até o dia final da Copa, nenhum protesto civil teve a coragem de aparecer. Este artigo menciona o fato do "pré-crime" acontecendo no Brasil. Achei formidável porque "Minority Report" é um dos meus filmes prediletos, que trata de uma polícia do futuro que prende criminosos antes deles cometerem os crimes porque estes são preditos por seres videntes. Pois o Brasil se colocou na fronteira do futuro ao realizar tal façanha, prendendo pessoas apenas pela ameaça que elas representavam à comunidade. Mas claro que a oposição anda ridicularizando esta atitude inimaginável.
Minority Report, relatório das minorias, o FBI brasileiro do futuro, desbaratando quadrilhas internacionais de cambistas de ingressos que atuavam há mais de 16 anos por 4 copas e prendendo vilões antes que eles pepetrem os crimes, se seus cúmplices deixassem...
Os poucos protestos que se atreveram a se organizar foram rapidamente desbaratados pelo esquema policial. Para quem não se lembra da ditadura militar, e que tanto almeja por seu retorno, bastou olhar em volta durante a Copa pra conhecer o que é intimidação e força militar. Só que desta vez o objetivo era outro completamente diferente, o de proteger os brasileiros deles próprios, e não proteger as elites dos intelectuais revolucionários que defendia o povo. Este artigo fala que a polícia batia sem diferenciar o que era jornalista do que era protestador. Ora, quem não sabe que certos jornalistas se aproveitam muito bem disso? Do meio deste artigo em diante, já estou com a sensação de que quem está escrevendo isso é um brasileiro, apesar de ser para a BBC de Londres. Está me parecendo que o correspondente brasileiro dela, que trabalha no Brasil, já está contaminado também pelas direitas oposicionistas e pelos "coxinhas" das classes médias ricas. Mas vamos adiante. Este jornalista então dá o dom da graça ao afirmar que todos os movimentos de rua foram muito menores do que os pessimistas divulgavam mundialmente, senão inexistentes.
Torcida barras bravas argentina, olha do que o Brasil escapou graças ao FBI/Interpol brasileiros
A violência mais turbulenta não aconteceu no Brasil, mas na Argentina, quando gangs "barras bravas" se atracaram em batalhas em Buenos Aires depois que levaram uma surra da Alemanha. Claro que os manifestantes brasileiros saíram às ruas de novo imediatamente após a derrota do Brasil pela Alemanha, em marcha pelas ruas do Rio de Janeiro. Pessoas predisseram que os distúrbios sociais aconteceriam caso o Brasil saísse da Copa prematuramente uma vez que o povo perderia seu interesse. O jornalista desce o sarrafo na seleção pífia que se arrastou até as semi-finais de um jeito ou de outro. Na minha opinião de total ignorante em termos de futebol, simplesmente faltou à seleção brasileira um plano "B", caso faltassem alguns de seus jogadores mais fortes, mas tem muita coisas envolvida, principalmente o fato de só juntarem os estrangeiros contratados por outros países para jogarem juntos por um período curto, ao contrário dos alemães, por exemplo, que jogam todos no mesmo país. É o preço da celebridade, perder a Copa porque se perdeu o sentido de comunidade nacional em troca de sucesso, dinheiro e status de celebridade. Eu seria totalmente contra isso se alguns destes jogadores milionários não investissem no Brasil formando novos profissionais e contribuindo para a educação e até tomando conta de algumas localidades direitinho.
Ronaldo Gaúcho com o pé no mundo
Sinceramente, este repórter parece um brasileiro de baixo nível escrevendo para a BBC. O autor prossegue dizendo que o que viu nacionalmente foi um futebol de classe média, ao contrário do futebol milionário da Europa, cujos times tem ações na bolsa de valores e os jogadores recebem salários milionários, distantes do trabalhador de classe média. Não havia sanduíches de camarão e caviar para vender nos bares licenciados pela FIFA nem nos estádios, mas o humor era bem comportado. A transmissão internacional foi impecável e de altíssima qualidade para atender a todos os gostos do planeta. Ele notou que, apesar da maioria da população de Salvador ser negra, a maioria dos torcedores dentro do estádio era branca e rica, e achou que a mídia se esbaldando ao mostrar os rostos enormes e em alta definição dos brasileiros chorosos e humilhados na TV foi desrespeitoso para com o povo, mas nós sabemos qual é o motivo, não é? Insultar a população de modo a que ela torne-se ainda mais descontente e saia nas ruas para protestar e jogar sua ira nos outros, aproveitando para vandalizar as propriedades alheias, que esse é o objetivo da mídia milionária atual brasileira, desestabilizar este governo que foi capaz de fazer muito mais do que seus ídolos conservadores dos governos anteriores. Este brasileiro disfarçado com nome Inglês menciona de propósito o pensamento de um certo treinador de Belo Horizonte que a estas alturas já acho que ele está mentindo de propósito, que disse que, para os seus rapazes, a Copa tanto fazia ser no Brasil como em qualquer outro lugar, querendo dizer que assistiram pela TV, como se fosse a mesma coisa ser em qualquer país, quando todo mundo sabe que ninguém jamais pensa tal coisa ao assistir uma Copa no Brasil, estando no Brasil ou não, existe muitíssima diferença entre ser no Brasil ou não. Quer enganar a quem? O artigo já está degringolando para o deboche bem ao gosto brasileiro, e muito pouco à altura de uma BBC. A BBC pensa que está acertando, mas está sendo boicotada, coitada. Não haveria a menor condição de colocar toda a população brasileira dentro de estádios, Brasil não é Noruega, com poucos milhares de habitantes. O povo tinha mesmo que assistir pela TV, o que aliás é preferível, pois não se pode ver os lances em detalhes como na TV. Mas é lógico que, antes de dizer esta asneira, este repórter mencionou que quem curtiu realmente a Copa foi quem estava dentro dos estádios. Possível mas não fundamental nesta nossa era tecnológica. A estas alturas, seus comentários já se assemelham a gozações de inveja e despeito, ao dizer que os oficiais da FIFA estão de volta à Suiça deliciados por terem presidido à maior Copa da atualidade. Isto é sátira e sátira é a expressão da inveja. Em seguida ele fala que o legado do Brasil é questionável. Já não era de se esperar que falasse isso? Passou a repetir o que o Wall Street Journal escreveu, sobre os estádios que se tornarão elefantes brancos e blá-blá-blá. Antes mesmo da Arena de Pernambuco ficar pronta, já recebeu shows com renda. Ao invés de agourar o Brasil dizendo que não tem produzido time sensacional nos últimos anos, deveria chamar a atenção para o fato de que os outros países estão aprendendo, estão se desenvolvendo, estão adquirindo novas técnicas, novas adaptações de cultura, sem falar de que aqueles que compram os tais jogadores excelentes brasileiros na realidade estão chupando ao máximo o sangue deles a fim de que os coloquem no topo do mundo. Simplesmente a competição tornou-se mais acirrada, e a técnica está mostrando seu lugar contra os artistas da bola que nascem com o dom de jogar sem ser preciso estudar ou entender muito de trabalho em equipe. Como é bem típico dos brasileiros, este repórter começou o artigo de um jeito surpreendente que prometia uma redenção de verdade da comunidade que andou falando mal do Brasil antes da Copa, mas ele acaba seu artigo arrasando com tudo o que se propôs a propagar, que era uma desculpa ao Brasil por tê-lo julgado mal. Pede desculpas e depois quebra o pau? No final do artigo, ele se lembra porque foi mesmo que começou a escrever e diz, pois é, apesar de tudo isso o Brasil entregou uma grande Copa. Depois de tanta granada atirada nos pés dos leitores? E agora a cereja final no topo da sobremesa: ele diz que este artigo serve para silenciar os críticos como ele próprio que já estão começando a se munir das sabotagens preparadas para agourar as Olimpíadas de 2016. Gostaram desta reportagem da BBC que agora tem escritório no Brasil? Desse jeito? São News para América Latina e Caribe, ou seja, quem é que vai ler mesmo? A BBC produz documentários e séries de TV de altíssima qualidade. Não quer dizer que acerte todas. Brazil Hospedará a Copa Mundial dos Robôs http://zeenews.india.com/sports/others/brazil-to-host-world-cup-for-robots_791706.html Esta vem da Índia. Tal façanha acontecerá logo depois da Copa, e trará ao Brasil milhares de estudantes universitários de uma dúzia de países do mundo para João Pessoa, de 19 a 25 de julho. O nome da Copa é RoboCup 2014. Serão 3.000 universitários de 45 países em 400 times, atraindo 60.000 pessoas como espectadoras. Esta competição foi criada em 1997 no Japão com a intenção de desenvolver humanóides capazes de ganhar uma Copa do Mundo da FIFA no futuro. Rio, Eu Te Amo, Se Apaixone pelo Rio 10 Vezes http://blogs.indiewire.com/theplaylist/watch-visit-brazil-with-2-international-trailers-for-onmnibus-rio-i-love-you-with-vincent-cassel-harvey-keitel-more-20140715
Artigo sobre uma experiência cinematográfica reunindo muitos diretores e artistas famosos em busca de representar histórias de amor encenadas no Brasil a serem lançadas depois da Copa, em setembro de 2014. Vamos ver no que vai dar esta mistura de Fernando Meirelles, Carlos Saldanha, José Padilha, John Turturro, Im Sang-soo, Stephan Elliott, Paolo Sorrentino, Guillermo Arriaga, Andrucha Waddington and Nadine Labaki com atores como Vincent Cassel, Rodrigo Santoro, Jason Isaacs, Ryan Kwanten, Emily Mortimer e Harvey Keitel. O que Impressionou os Estrangeiros http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-hoje/t/edicoes/v/turistas-elogiam-simpatia-e-receptividade-dos-brasileiros/3498850/
Beber em público, churrasco na rua, fartura do rodízio, afeto em público, abraços, abertos, simpáticos, receptivos, na Argentina só apertam as mãos dos desconhecidos, no Brasil são dois beijinhos, receber troco do motorista (não em Taiwan), paciência com turistas, olhar o mar ao invés do sol (já olhamos o mar demais), água de côco... Mídia Cachorra http://tudo-em-cima.blogspot.com.au/2013_06_01_archive.html “Na imprensa do Brasil, ninguém vai saber o que aconteceu no Brasil com o meu governo. O futuro leitor tem que ler as revistas inglesas, francesas, os jornais alemães, e, acima de tudo, vocês, a internet”. - Presidente Lula, aos Blogueiros "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma" - Joseph Pulitzer Quer Se Emocionar? http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/t/edicoes/v/medico-traz-menino-africano-com-tumor-para-se-tratar-em-sao-paulo/3495070/