Uma forma de ver a vida.
"A democracia brasileira agradece, eu agradeço a vocês, homens e mulheres que fazem da luta pela verdade o seu ideal de vida". Quem falou isso em 27 de julho de 2018?
Aos poucos vou encontrando minha turma no Brasil. Graças a Deus nem todos os espíritas estão perdidos, e aqui vai um artigo entusiasmante principalmente para os ativistas políticos pela justiça, democracia, liberdade e soberania do Brasil, aqueles que não se deixam dominar facilmente pelas manipulações midiáticas, redes sociais e fake news. Somos espíritas e de esquerda, graças a Deus!
Franklin Félix, 21 de outubro de 2019, com colaboração de Sergio MauricioGrupo de espíritas progressistas prepara encontro e abre oportunidade para discussões sobre as relações entre espiritismo e política.
“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” Apocalipse 3:15,16 Na última semana, uma matéria publicada pela revista Veja (que inclusive nos procurou gentilmente para darmos uma entrevista e declinamos do convite) intitulada “Médium de direita, Divaldo Franco ganha o segundo filme”, trouxe à tona, novamente, uma discussão que se acirrou a partir do golpe político-jurídico-midiático que destituiu a presidenta da República Dilma Rousseff: pode o espírita debater sobre questões político-partidárias?
Não só pode, como deve, por que não estamos alheios às questões sociais do País. Mas não podemos confundir, em hipótese alguma, “a reação do oprimido com a violência do opressor”, como afirmou o defensor dos direitos dos afro-americanos, Malcolm X.
O problema, para nós, é quando espíritas de alta plumagem, travestidos de uma pseudoimparcialidade que sabemos não existir, utilizam-se de seu prestígio vaidoso para apoiar ideias que não têm absolutamente nada a ver com os princípios defendidos por Kardec e muito menos com os ensinamentos do Cristo.
Como repetia Allan Kardec em “Obras póstumas”: “Liberdade, igualdade, fraternidade. Estas três palavras constituem o programa de toda uma ordem social que realizaria o mais absoluto progresso da humanidade, se os princípios que elas exprimem pudessem receber integral aplicação”.
O céu e os quintos dos infernos no abismo brasileiro
Em tempos de polarização, é preciso tomar partido, descer do muro, sair do armário e se posicionar contra todo tipo de intolerância e violência. Seja contra quem for.
Para nós, a saída é coletiva, com Cristo, Kardec e pela esquerda!
Em meados de 2016, o ano que ficou marcado pelo golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, os grupos espíritas fervilhavam, como o restante do País, com as posições políticas opostas de seus participantes. A convivência fraterna, tão característica desses grupos físicos e virtuais, foi, pouco a pouco, sendo corroída pelos diferentes olhares políticos. E tudo isso se iniciou naquele já histórico junho de 2013, passando pela polarização extremada da campanha das eleições de 2014, pelo difícil ano político e econômico de 2015 e, finalmente, desaguando na mobilização golpista de 2016.
Não foi fácil para as relações familiares e sociais resistirem a tantas intempéries de caráter político, e os grupos espíritas também sucumbiram a esse vendaval.
Foi assim, nesse contexto de encontros e desencontros, que em março de 2016 um grupo de amigos espíritas de posições políticas progressistas, incomodados com a falta de liberdade e democracia presente nas suas casas espíritas, resolveu criar um espaço virtual para diálogos e debates sobre política e suas relações com as propostas espíritas. À época, foram criados um grupo de debates no aplicativo WhatsApp e uma página no Facebook, ambos chamados “Espíritas à esquerda”, para expor à comunidade espírita suas reflexões sobre política e espiritismo.
O grupo foi crescendo e agregando novos membros. Espíritas de todo o País vinham à página expressar seu contentamento com esse tipo de posição progressista e passaram também a divulgar cada vez mais as análises espíritas e os posicionamentos políticos da página. Ao mesmo tempo que muitos declaravam sua decepção com a posição dos dirigentes espíritas espalhados pelo território nacional, dirigentes que defendiam abertamente posições políticas e sociais que afrontavam as propostas espíritas de amor e fraternidade. Grupos e páginas progressistas como essa se espalharam pelo País e pelo mundo.
A campanha eleitoral de 2018 foi um ponto de inflexão definitivo. Ela dividiu o País e, em particular, os espíritas, tornando a relação entre os desiguais quase inviável. De um lado ficaram os espíritas tradicionais, ladeados inclusive por nomes famosos nacionalmente, defendendo a LGBTfobia, o racismo, a pena de morte, a misoginia, a tortura e a necropolítica. Do outro lado ficaram os espíritas progressistas, que propagavam, baseados nos textos kardecistas e nos ensinos de Jesus, a mensagem da justiça social, da aceitação das diferenças e da igualdade de oportunidades.
Durante esses mais de três anos, os espíritas progressistas que foram unindo-se aos grupos virtuais (Espiritismo e Direitos Humanos, ABPE, Abrepaz, entre outros) demandaram continuamente um momento de reflexão conjunta e de encontro físico para estreitar as relações que se formavam. Foi assim que, durante esse ano de 2019, o grupo decidiu construir um momento de encontro fraterno entre esses espíritas progressistas, aproveitando a oportunidade para a necessária discussão acerca das relações entre espiritismo e política.
Planejamos e executamos nosso projeto que passou a se chamar “I Encontro Nacional Espíritas à Esquerda”. A primeira e difícil decisão foi escolher a cidade que acolheria tal evento, e decidimos que uma capital nordestina, pela óbvia empatia política com o pensamento progressista, seria o local mais adequado. A primeira capital do Brasil foi então escolhida como a primeira a nos receber, e nela contamos com o importante apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente no Estado da Bahia (Sindae-BA), que nos cedeu o seu auditório para esse momento. A partir daí, apresentamos nossa proposta a diversos nomes que hoje bem representam o espiritismo progressista no Brasil. E, com a boa receptividade encontrada nessas pessoas, elaboramos uma programação de ótima qualidade para discutir a situação política atual do País à luz do espiritismo.
Mesas Girantes
O evento, que ocorrerá no próximo dia 26 de outubro, iniciará com uma análise da conjuntura política nacional, feita pela reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia, a geóloga Joana Angélica da Luz, e pelo ex-presidente da Petrobras nos governos Lula e Dilma, o economista José Sérgio Gabrielli. Após esse primeiro momento, acontecerão três mesas de debates, chamadas de mesas girantes (em alusão os primeiros estudos de Kardec), que terão como tema capítulos da terceira parte de “O livro dos espíritos” de Allan Kardec, a saber: trabalho, sociedade e igualdade.
A mesa sobre trabalho contará com a presença do ex-ministro da saúde do governo Dilma, o médico Arthur Chioro dos Reis, do ex-ministro da Previdência dos governos Lula e Dilma, o contador Carlos Gabas, e do ex-ministro do Trabalho do governo Dilma, o sociólogo Miguel Rossetto. A segunda mesa, que trata sobre a sociedade, trará as falas da socióloga Ana Cláudia Laurindo, do jornalista e professor Luiz Signates e do engenheiro e filósofo Sergio Mauricio. A última mesa, sobre igualdade, terá o psicólogo Franklin Félix, militante dos direitos humanos, e com a médica veterinária e terapeuta Isabel Guimarães, militante feminista.
O efeito “Bolsonaro” na direita mundial. Bolsonaro é tão tosco, tão absurdamente caricato, que está derrubando a direita mundial. Infelizmente o Brasil paga o preço deste aprendizado que serve ao mundo. A exposição da estupidez do boçal aos olhos do planeta faz com que o eleitorado de direita de vários países recue e mesmo os líderes da mais extrema direita tentem descolar-se da imagem negativa de Bolsonaro.
As coisas tornaram-se ainda mais graves com a exposição de Eduardo Bolsonaro em sua tentativa patética de tornar-se Embaixador. Até mesmo Trump recua do apoio inicialmente oferecido. Mas, talvez, o golpe de misericórdia tenha sido mesmo a exposição de Olavo de Carvalho com suas declarações sobre os Beatles. Na Europa a maioria das pessoas, em princípio, pensou tratar-se de algum quadro cômico, alguma pegadinha da internet... mas quando foram informados de que aquele sujeito era o “ideólogo” de Bolsonaro e que o charlatão havia indicado Ministros de Estado (incluindo o da Educação), a sátira passou ao desprezo, à incredulidade e, finalmente à revolta, em poucos dias. Foi providencial a exposição de Olavo de Carvalho ao mundo. Até então esta personagem nefasta vivia sob as brumas da internet. Ministrava “cursos” e até emitia “diplomas” na área da Filosofia, sem ter habilitação para tal. Ele poderia dizer-se “filósofo”, mas jamais “Professor de Filosofia”... isso é charlatanismo em qualquer pais civilizado. O Ministro da Educação e o das Relações Exteriores do Brasil são distintos portadores de diplomas de Olavismo.... Pode parecer estranho, mas foi justamente isso que fez com que a direita mundial passasse a fugir de Bolsonaro como o “Diabo da Cruz”... para usar um termo correlato... Líderes da direita mundial apressaram-se a negar qualquer forma de apoio, mesmo que verbal a Bolsonaro. Sebastian Piñera, do Chile, repudiou com veemência as declarações infames de Bolsonaro sobre o assassinato do pai da ex-presidente Michelle Bachellet na ditadura de Pinochet.
Até Trump mostra-se agora reticente em recebê-lo. O ridículo foi de tal magnitude que um candidato às legislativas de Portugal que imitava Bolsonaro em seu discurso chocante, caiu tanto nas pesquisas de opinião que já nem figura no grupo que têm 1% em sua região (e ele há poucos meses detinha parcela significativa daquele eleitorado). Restou Netaniahu em Israel, que levou uma sova nesta eleição e agora luta apenas para obter alguma votação que permita-lhe escapar da prisão, pois se ele ficar sem mandato será preso imediatamente por corrupção. Então, infelizmente para o Brasil, temos o Presidente mais detestado do planeta. Até mesmo nos EUA, de quem ele tanto puxa o saco, o The New York Times largou em manchete há poucos dias: “Bolsonaro é o menor e mais mesquinho dos dirigentes políticos do mundo”. E não estão sozinhos... o jornal L’Espresso da Itália, um país tido como de “direita” estampou em sua manchete: “Bolsonaro e seu Governo são um flagelo para o Brasil”. O sisudo Die Press da Áustria, país altamente conservador, estampou de forma mais explícita: “ O Brasil elegeu um IDIOTA”. A imprensa espanhola elegeu Bolsonaro “O Imbecil do Ano”... e lá existe Rei... é um país altamente conservador...
Arte do artista urbano cearense Yuri Sousa, mais conhecido como Bad Boy Preto, em Jereissati I, Maracanaú, Ceará, apagada em menos de 48 horas
E até o The Economist, da Inglaterra (uma Monarquia Parlamentarista) qualificou Bolsonaro como ‘ A última ameaça da América Latina”. O que se pode ver por tudo isso é que o “Governo Bolsonaro” já caiu para o mundo todo, só existe ainda para uma parcela do eleitorado brasileiro que vive sob as trevas dos pastores evangélicos e nas bolhas da internet controlada por robôs e empresas especilizadas. O povão, que foi enganado pelo biltre e seus asseclas, já entra em desespero com a perda de seus direitos mais básicos. Infelizmente os campos políticos que poderiam unificar-se para salvar o Brasil prosseguem digladiando-se amadoristicamente (como sempre), incapazes de suplantar suas diferenças para o bem do país. E agora as portas se abrem para novos direitistas bem menos amadores, escolados na incapacidade histórica que o Brasil tem de resolver-se como Nação. Assim Witzel, Mourão ou Dória e outros do mesmo jaez despontam para ocupar o espaço que o putrefato bolsonarismo deixará e que os outros partidos mostram-se incapazes de ocupar. Até mesmo Luciano Huck poderá facilmente surfar sobre estes escombros se o Brasil não tomar juízo. Tristes tempos virão para os brasileiros. Quem viver verá!!
Recebi o Vídeo II deste post via WhatsApp e gostei tanto que assisti ao Vídeo I e decidi transcrever os dois eu mesmo, para fixar melhor e oferecer os textos para reflexão, revisão e debate no nosso grupo de debates. É linda e inteligente a associação das ideias com as letras das músicas revolucionárias de Chico Buarque. Check that! Segundo a Wikipedia, "Normose é um conceito de filosofia e medicina holística para se referir a normas, crenças e valores sociais que causam angústia e podem ser fatais, em outras palavras 'comportamentos normais de uma sociedade que causam sofrimento e morte'". Segundo o autor destes vídeos, normose é normalizar o que não é normal.
Aqui estão Vídeo I e Vídeo II, sendo que o segundo vem primeiro porque foi o que recebi, e se recebi nesta ordem, é porque o astral conjurou... E então, graças ao anônimo criador deste canal no Youtube chamado NORMOSE, fiquei sabendo finalmente qual é a doença que graça o Brasil e que tanto tem me preocupado. Vídeo II, 13:34 Min - APESAR de VOCÊ: Existe CURA BRASIL? (Como se Organizar?)
Transcrição do Vídeo II Música: Amanhã vai ser outro dia... "Hoje é você quem manda, falou tá falado, não tem discussão, não."
Foi cantando estes versos que, no início dos anos 70, Chico Buarque de Holanda voltou para o Brasil do auto-exílio durante o AI-5 da ditadura militar. Assim que voltou ao país, Chico lançou a canção "Apesar de Você" que, disfarçada de relacionamento amoroso, é a única música que Chico assume ter sido escrita diretamente para criticar a situação do país, tanto que quando enviou para o governo aprovar, Chico temia que a música fosse censurada, o que surpreendentemente não aconteceu. Sucesso instantâneo, a canção rapidamente atingiu a marca das 100 mil cópias vendidas. Era "Apesar de Você" pra tudo que é lado, em todas as rádios, a canção virou mania nacional e acabou sendo gravada até por Clara Nunes em 7 de janeiro de 71.
Foi quando, em fevereiro, o jornalista Sebastião Nery, da Tribuna da Imprensa, publicou uma nota no jornal, em sua coluna, dizendo que seu filho e os colegas cantavam "Apesar de Você" como se tivessem cantando o hino nacional. Pronto, caiu a ficha da censura. (Chico Buarque) "A música começou a tocar no rádio, começou a fazer um certo sucesso e aí, pá!" Demorou mas entenderam a mensagem. Nery foi chamado para depor na polícia. Depois a execução pública da canção foi vetada pelo governo federal. Os oficiais da ditadura invadiram a sede da gravadora, e destruíram as cópias restantes do disco. O censor que aprovou a canção foi punido. Chico, levado a interrogatório pra explicar, um ano depois, quem era o você da letra da canção. Os censores queriam saber se se tratava do General Médici. (Chico Buarque) "... que eu dissesse que "Apesar de Você" era o Médici, não era (inaudível), não era o general, era generalidade, era uma situação, "Apesar de Você" era, era, era tudo, queiram (inaudível) vontade que as pessoas tenham, a vontade que as pessoas têm de que as coisas sejam mais diretas, mais...". Mas não teve jeito, a canção foi proibida, e o que disse a censura? No despacho, o Coronel Paulo César Amêndola, Secretário da Ordem Pública do Rio de Janeiro, afirmou que história ou cenas de transexualismo são inadequadas em obras de super-heróis, especialmente se atrativas ao público infanto-juvenil, e por isso os pais devem ser devidamente alertados. "Que é isso, rapaz? Que está falando? Nada a ver." Mentira, né? Esse despacho é o atual de 2019, no caso de censura do Crivella. Na década de 60, a censura dizia que a referida canção enfocava de maneira maliciosa, vulgar e deseducativa o tema "Homossexualismo", não se coadunando com o veículo de comunicação a qual se destina. (Erasmos Dias, Ex-secretário da Seguranca) "... a que o povo está proibido, não admitimos passeata nem comício, tá todo mundo preso!" Mais mentira de novo. Essa aqui é a decisão do tribunal de censura sobre a música "De Leve" de Gilberto Gil e Rita Lee (versão de "Get Back", Beatles) durante a ditadura militar. Das músicas de Chico, as censuras chegam até a serem engraçadas mas valem vídeo para uma outra vez.
A pergunta que eu quero que fique na sua cabeça é, sua ficha já caiu de como estamos cada vez mais próximos do passado, do como está difícil de distinguir 2019 de 1968 e o que que estas histórias de autoritarismo têm de comum? É que nenhum dos casos é recebido sem luta e resistência, sem insistência e persistência. (Chico) "A verdade é a seguinte, a ditadura encheu bastante o meu saco, mas eu também enchi o saco deles, não foi pouca coisa não. Por isso, apesar de vocês amanhã há de ser outro dia. Em 2019, a homofobia já se tornou crime equiparável a racismo, e preconceitos desse tipo revelam censura, e censura nunca mais. E aí, suave? Tranquilo? Continuando a busca pela cura Brasil, este vídeo é a parte 2 de Doentes Brasil que você pode assistir logo depois que acabar esse episódio aqui. Mas hoje é um vídeo de ação, o que tem sido feito "apesar de você". É verdade que o ato de Felipe Neto foi louvável e histórico, não são muitos que têm o poder de compra que ele tem, que agem em prol de uma causa. Mas tem muito mais acontecendo. Os anônimos, os desconhecidos, os coletivos, cada um de nós também está se organizando, lutando e pensando, quando é que será que "o sanatório geral vai passar? Onde ele vai se esconder da enorme euforia? Como vai proibir quando o galo insistir em cantar?" Se depender da força e das ações dos coletivos de arte espalhados pelo Brasil, isso não vai demorar. Essa semana, apesar de toda a censura ao cinema brasileiro, de todos os cortes que vêm sofrendo a Ancine e os coletivos de arte, a gaúcha Bárbara Paz ganhou o prêmio de cinema em Veneza e marcou posição internacional. (Bárbara Paz) "Esse prêmio é muito importante para o meu país. Nós dizemos não à censura." Bacurau, o filme do pernambucano Kléber Mendonça Filho, quebrou récord de bilheiteria e lotou cinemas, 130 mil espectadores pra ver um filme crítico e de veia popular. Em Brasília, a Mostra de Cinema Negro Adélia Sampaio está com vagas abertas para inscrição de curtas e documentários dirigidos por negros. Para aumentar a visibilidade destas pessoas no cinema nacional. No distrito de Entre-Rios, situado a 150 km do perímetro urbano de Nova Ubiratã, no inteiror de Mato Grosso, uma cidade que, com certeza, você não ouviu falar, tá rolando o tal Projeto Cinema na Rua, com cinema gratuito pra quem não tem oportunidade de assistir a este tipo de filme em casa. Podem proibir a arte, cortar verbas, fazer o que for, mas enquanto houver núcleos de culturas, seremos máquinas de resistência. O ódio só faz mais barulho, mas o bem continua agindo mesmo durante aa Barbárie. Como é o caso desta escola de danças no Complexo da Maré. O centro de danças da Maré, que é gratuito e de organização popular, tem salvado vidas na comunidade. Olha só o caso do Luyd de Souza Carvalho e do Marllon Araújo que estudaram que estudaram na escola e acabaram de ser aprovados para o Curso Internacional de Dança Contemporânea, na Escola de Dança da Bélgica. Cena: Participação da Audição Final para Estudar na P.A.R.T.S Com certeza, na sua cidade ou nas redondezas, deve ter um núcleo parecido. E se não tem, você está espernado o quê para organizar um? Tem pra tudo o que é gosto. Cena: A Primeira Comic Con da Favela: PERIFACON Não pode ir na COMICON, que tal a PERIFACON? Uma COMICON do subúrbio, que também pode se ajeitar. Basta procurar e a gente vê, que a "a nossa gente, que hoje anda falando de lado e olhando pro chão, ainda resiste, insiste; você que inventou esse estado e inventou de inventar toda a escuridão... você que inventou o pecado, esqueceu-se de inventar o perdão", mas seus policiais não. Mesmo dentro da corporação, há grupos como os Policiais Anti-Facistas ou o Policial Militante, que batalha arduamente para a construção de uma Polícia humanizda, o treinamento civil e inteligente, como exemplo de qualquer grande país no mundo. Ainga na área de segurança, o LEAP, os Agentes da Lei Contra a Probibição, que se organizam mundialmente para encampar debates a mais de 10 anos de luta anti-proibicionista, porque sabem que a guerra às drogas destrói as esperanças da comunidade, que fica presa entre Estado e facção e, na boa, esse tipo de luta por liberdade não tem ninguém que possa fazer parar, governos autoritários só aumentam a organização do povo organizado que não pode ter medo de lutar por moradia polular, direito a terra, você também não deseja isso pra todos? Então, precisamos mostrar "que aqui passaram sambas imortais, que aqui sangraram pelos nossos pés, que aqui sambaram nossos ancestrais, num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória das nossas novas gerações". Por isso é preciso relembrar, a história é esquecida, então se organizar é lutar pela educação e informação é um caminho para a nossa cura e recuperação. Cursinhos populares, EJA, a Educação de Jovens e Adultos, Alfabetização Libertadores, escolas em acampamentos populares, algumas dessas ações com certeza têm bem perto de você. Os cursinhos populares, por exemplo, são a única forma alternativa de estudo gratuito para quem quer entrar na universidade e não pode pagar um cursinho particular. O Estado não oferece nada para o aluno que não tem dinheiro depois do ensino médio. Vale o destaque aqui pra Rede Emancipa (Movimento SOcial de Educação Popular), um cursinho popular que está no Brasil inteiro. Mas não são somente eles, todo lugar tem um coletivo de ação popular. Eu mesmo dou aula num cursinho popular, sou apaixonado, mas garanto, é uma luta diária, a gente precisa de ajuda. Você não precisa ser professor pra ajudar a Educação. Cena: "A Rede Emancipa está presente nas periferias e favelas! Estamos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará e Distrito Federa! Atualmente temos 50 cursinhos em atividade!" Há muitas outras formas de colaborar com essa transformação, é só chegar, procurar, vamos conversar. "A nossa pátria mãe anda tão distraída, sem perceber que está sendo subtraída em tenebrosas transações". É base militar dos Estados Unidos sendo negociada, enquanto a gente briga em rede social. A gente devia largar de bobeira e perceber que nunca foi tão necessário Economia Solidária, Agricultura Familiar no país, comprar da comunidade próxima, pesquisa sobre esses conceitos, um dia vai ter vídeo aqui no canal, mas saiba que já hoje muita gente já adotou, ao invés de empresa, cooperativas, ao invés de hierarquia, coletivos, há muitas formas de agir quando "seus filhos estão cegos pelo continente, erguendo estranhas catedrais" contra ONGS e culpando o extintor pela causa do incêndio. Pra além da propaganda agressiva do governo, o fato é que teve família que perdeu casa no incêndio, perdeu plantação, perdeu tudo, e quem é que está se organizando para ajudá-las? As ONGS! São elas que no final das contas estão agindo para ajudar a estas famílias e tem até frente agro e de indústria da carne assinando campanha que exige a proteção de área de conservação no país, e além das mais famosas, tem tantos outros projetos de ajuda a comunidades indígenas ou engajamento local de preservação do meio ambiente. O fato é que "quando chegar o momento, esse meu sofrimento", esse nosso sofrimento, eu "vou cobrar com juros, eu juro, todo esse amor reprimido, esse grito contido, esse samba no escuro" vai ser cobrado. E por isso, prepara a saúde mental, estar centrado nesse momento vai dar o tom da vitória. Não tenha vergonha de buscar terapia, se necessário. Assim como tudo, há muitos coletivos de terapia popular, gratuita ou de baixo custo, sendo feita com muita qualidade. Eu linkei alguns na descrição, mas que tal se nós transformarmos os comentários desse vídeo num mural de coletivos e organizações de ajuda? "Você que intenvou a tristeza, ora, tenha a fineza de desinventar", como diz Wilhelm Reich, o autor citado no vídeo passado, é "só o restabelecimento da vida amorosa natural das crianças, adolescentes e adultos" e do contato entre nós que "pode livrar o mundo" dessas pestes emocionais que estamos vivendo "das neuroses de caráter e da peste emocional em suas diversas formas". Mesmo aqui no Youtube, há tantos de nós na vizinhança, tem muito dessa gente dedicando a vida e os corações pra produzir material de informação, canais grandes, médios e também bem pequenos que tem valorizado fonte e conhecimento científico, e que dependem, por exemplo, de financiamento coletivo pra existir. Precisamos fazer "o jardim florescer qual ele não queria; ele vai se amargar, vai ver o dia raiar, e sem pedir licença, eu vou morrer de rir, que esse dia vai vir, antes do que" ele "pensa". E você? Como vai se organizar, ou como se organiza, me conta aí nos comentários. Você não vai ficar parado depois disso, vai? E se você for considerar, eu não falei nem 1% do que está acontecendo. E olha o tantão de coisa que a gente já descobriu! 'Bora largar a melancolia e agir. Depois de toda essa pesquisa, todo o medo que eu tinha da doença Brasil, eu posso dizer sem medo, "vai passar". "Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade, um país a cantar a evolução da liberdade até o dia clarear... o estandarte do sanatório geral vai passar". Eu vou terminar esse vídeo exatamente como terminei o vídeo logo após as eleições, e também o vídeo passado, com Bertold Brecht, mas antes deixa o "Like", o "sininho", a "inscrição", as coisas que a plataforma exige para que eu exista aqui dentro. Agora, nas próximas semanas, eu vou tirar umas férias dos meus vídeos, mas o canal não vai parar. É momento de novas parcerias com canais que talvez vocês não conheçam, mas não deixem de acompanhar, ok? Eu vou continuar por aqui, mas principalmente vou passar a ficar no Instagram (@__NORMOSE), produzindo algumas coisas por lá, então não deixem de acompanhar nesse período. E agora, Bertold Brecht: "Lembre-se, há aqueles que lutam um dia e por isso são bons, há aqueles que lutam por muitos dias por isso são muito bons, há aqueles que lutam por anos e são melhores ainda, porém, há aqueles que lutam a vida toda, e esses são os imprescindíveis". Seja imprescindível!
Vídeo I,16:26 Min - DOENTE de BRASIL: um desabafo urgente!
Preâmbulo Tá sentindo a melancolia e a ansiedade chegando? Notou que o mundo tá explodindo? Você não está sozinho estamos "Doentes de Brasil" Será que você sofre desse mal? A normose, a doença da normalidade, a banalização do absurdo e a inconstância do real a sociedade do espetáculo nos coloca num estado único: inspirado, na jornalista Eliane Brum no vídeo de hoje: como resistir ao caos? Transcrição do Vídeo I Este é um vídeo de fragmentos. Ao contrário dos outros vídeos, esse aqui não tem início, meio ou fim. Assim como tem acontecido, as coisas aqui não precisam ter pé nem cabeça e de repente podem sumir... 1882. Foi esse o ano em que Machado de Assis lançou o conto O Alienista. Nele, o médico Simão Bacamarte queria purificar o espaço público e terminar com os loucos da pequena vila de Itaguaí. Dizia ele, a razão define os limites da loucura, aqueles que fogem dos limites são insanos e merecem isolamento. Classificando as doenças alheias como o amor às pedras, aqueles que têm amor excessivo por suas casas, ou aqueles obcecados pela moda ou opinião alheia, Simão Bacamarte começa a trancar a população na Casa Verde, o manicômio da cidade pra estudar a mente. Em pouco tempo, o alienista passou a enxergar loucura em todos, e trancando toda a população da cidade um a um, é ele quem se vê sozinho do lado de fora. E aí, fica a questão: quem são os loucos afinal? É quem vê todo mundo como inimigo banal? Ou quem insiste em não aceitar que a barbárie não é normal? Tá todo mundo sentindo algo estranho, tá todo mundo doente, você sente. E não é de hoje. Usando alguns textos antigos, caí em Junho de 2013. E eu nunca vou me esquecer da primeira vez que na avenida da cidade, lugar em que a gente já estava acostumado a protestar, eu vi pessoas gritando sem partido, sem bandeira, sem amor, só ódio. Me lembro do dia em que percebi com meus amigos, o nacionalismo é irmão do autoritarismo, isso aqui está virando um monstro. Tava acordando o gigante, a gente só não lembrava que ele era autoritário e intolerante... Traler NORMOSE - Abril 2018 Você anda com aquela sensação de que a panela de pressão do mundo está quase explodindo de tanto ódio? Ou de que a gente está normalizando as coisas mais sinistras que antes não rolavam? Ou de que alguma coisa gigantesca está pra acontecer com a sociedade que ninguém tá entendendo é nada? Então, eu também! Aí decidi fazer o NORMOSE... Se esse canal surgiu com essa motivação, e a angústia de ser liderado por alguém tão despreparado, tudo isso provoca o pior dos adoencimentos. Estamos doentes de Brasil. Sim, eu também estou doente de Brasil. Esse título não é repetido do METEORO, mas uma inspiraçõa nele e do livro Sintomas Mórbidos da amiga Sabrina Fernandes. É uma constatação coletiva. Estamos doentes de Brasil e de adoecimento severo da nossa humanidade. E que doença é essa? NORMOSE. Normalizar o que não é normal. Cena: "Mito! Mito! Mito!"... Ano passado, Marielle com 5 tiros, a seis meses um jovem negro num super-mercado, a quatro meses uma família saindo de casa é toda fuzilada, semana passada, 6 jovens mortos em 4 dias pela Polícia carioca, de norte a sul, jovens chicoteados nus, e a gente, a gente vai levando, normalizando. Tudo queimando e tantos nem vão chegar até aqui porque o problema é que o virus já está agindo. Pestista! Comunista! Eles dirão. Desculpa. Quem consegue estar saudável nesta normalidade é quem deve estar com algum problema. É dessa angústia de não dialogar onde nada do que fazemos parece surtir efeito, é que nasce a doença. Mas você não está sozinho, isso está virando caso clínico. Tá todo mundo percebendo que cada remédio que escolhemos, tá cada vez mais amargo, e com cada vez mais efeitos colaterais (cena: "yahoo"), me faz pensar: será que o diagnóstico da doença tá certo? Tá todo mundo gritando, disputando e tentando razão pra entender como chegamos até aqui, porque Jair e a família estão virando reis no país da república democrática. A doença Brasil tem estágios: estamos vivendo no momento pós-traumático, e se depois do luto há cinco estágios, negação, raiva, barganha, depressão, aceitação, cada um reage à sua maneira e tem o seu tempo pra perceber o óbvio. Uns choram, outros negam até a morte que temos um problema no poder, outros ficam com raiva, o fato é que estamos sendo jogados a agir como reacionários, daqueles que só reagem. No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso. Só dá tempo de reagir e ser do contra. Mas também, diante de tanta coisa ruim em volta pra desmentir, não dá tempo de propor. Precisamos ser contra falas autoritárias, contra projetos de extermínio de florestas, contra aprovação de agrotóxicos, contra vergonhas internacionais, contra, contra, contra, e jogando o jogo do absurdo e do contra, o poder empautado que será discutido, isso tira do nosso horizonte aquilo que somos a favor. E é esse o adoecimento que vivemos... Melancolia Melancolia é um estado nascido do luto. O poder tem agido sobre nós produzindo essas melancolias. Essa sensação de que nada adianta é calculada. Vivemos num tempo onde autoritarismo não é esclarecido, é sutil, corrói pela angústia da impotência, pela sensação de fixação ao absurdo. É daí que nasce a paralisia, o maior dos sintomas dessa doença Brasil, é a sensação de que tudo sempre foi assim, nos apequenamos diante da melancolia do impossível. É paralisia por todos os lados. Na política, a sensação de estar preso a salvadores e líderes que guiam os nossos passos. Na vida, a importância de assumir isso tudo nos dá a sensação de culpa, a sensação de que falhamos. Esse sentimento de que você está mal, é também um sintoma de uma sociedade que não consegue enxergar. Mas, calma lá: e se a doença for social? NORMOSE Doença da normalidade. Estamos doentes em coletividade. A vontade de estar certo sobre tudo e se adoecer pelas mentiras alheias é uma experiência compartilhada. Não há cura do indivíduo pra aquilo que é doença social, mas é difícil perceber isso olhando só pra si. O que ninguém te conta é que a melancolia é negativa mas também é uma posição crítica. Só entra em melancolia quem ainda não aceitou o absurdo. Quem não quer cair em normose, quem do luto decidiu produzir luta. É preciso do luto elaborar novas formas de vitória, compreender fracassos e erros, se permitir a auto-crítica coletiva e que passe a propor positividades. Novos desafios de mundo se impões diante de nós. Uma Amazônia queimada, uma desigualdade desenfreada e um futuro de previdência social e problema econômicos reais, nós precisamos deixar claro que somos contra, mas também focar e demonstrar, do que somos a favor, qual o nosso projeto de sociedade. Se queremos gritar fora Jair ou a barbárie, o que fará com que as pessoas estejam do nosso lado? Melancolia não tem a ver com passividade ou aceitação. Melancolia precisa ser a gasolina pra poder olhar de fora com olhar crítico quais ações do presente podem mudar o nosso presente. O mundo todo já foi visto e revisitado, todas as críticas já foram feitas, é hora de agir. É hora de deixar de lado a esperança. Esperança é o lado paralisante da melancolia... Chega de esperar ou aguardar por um tempo que já foi. Foquemos no hoje e na construção do amanhã. O melancólico esperançoso fica preso no conflito do passado e não consegue gerar nenhuma transformação da sociedade. (16:26 Min) Somos e vivemos estimulando esta melancolia alheia, o desamparo do outro vira meme, vira deboche, afinal de contas, ninguém é de ferro e o deboche também é uma defesa pra aguentar viver na realidade. Mas não saímos do lugar dentro de cascos. Temos de ser do contra, ao mesmo tempo que projetamos o futuro. Não normalizar a barbárie, não deixar de questionar, mas propor. É preciso mostrar... Basta discordar do rei. Como já estava anunciado, cada antigo apoiador está sendo forçado a acordar. Está só começando, mas tem muita gente dormindo. Quando é que você vai perceber, poderia ser você o próximo comunista desta lista. Vamos tirar as pessoas das caixas e acordá-las do transe profundo?... Olhando pra base psíquica e pro nosso histórico de mundo, é fácil perceber que em muitos momentos a população caiu no discurso que todo mundo queria ouvir e que vai mudar isso aí. Isso atinge diferentes classes, pertencimentos e pessoas, não podemos mais colocar esse fenômeno complexo em simples caixinhas. Por mais gostoso que seja chamar todo mundo de mínion ou comunista, o mundo é mais complexo. Ainda estamos na era dos extremos, e deixa eu te contar um sintoma mórbido do nosso presente. O autoritarismo fanático e a negação da política são muito maiores do que o bolsonarismo. Primeiro porque ele não é brasileiro. O fenômeno autoritário desvairado é mundial e tá cheio de gente ao redor do globo percebendo o problema que criamos pra nós. Depois, a candidatura de Jair aliado ao pensamento olavista cultural fundou um modo de pensar o mundo: paranóia, conspiracionismo, autoritarismo, não devemos pensar em Jair e como lidar com a sua candidatura maluca, mas como todas as forças de ódio, de violência tiraram as suas garras ao longo dos anos, e insistiram dia após dia normalizar a violência como algo banal. E conseguiram. E, ó, eu vou fazer uma previsão sem medo que espero errar mas podem me cobrar: o próximo passo do país é uma massa muito grande entrar em profunda depressão com Jair, sua popularidade vai diminuir ao longo dos meses, seu discurso vai ficar cada vez mais agressivo, e ele vai falar cada vez mais para o seu exército particular. Isso vai dar aquela sensação de que ninguém presta. Já que Jair decepcionou, muitos vão pensar que é farinha do mesmo saco, que política já era, que nada presta, mas cuidado. A história recente conta aonde a negação da política vai dar. Se você já sabe disso, avisa às outras pessoas, não deixe que elas caiam nesse estado. Cada um tem seu tempo de luto, mas se depois isso não se transformar em luta, não existe vácuo na política. Logo outros líderes com o mesmo projeto de Jair mas vestidos mais bonitinhos vão tentar ocupar esse espaço. É bem verdade que tem alí 12 a 20% de fanáticos que não vão mudar por nada, mas há os dialogáveis, muita gente que vai se movendo pelo senso comum e que já percebeu a cilada que entrou no ano passado. Mas esses, flutuam e são contaminados pela doença Brasil, se nós não decidirmos nos mover, o vírus autoritário ainda está ativo. Então é preciso ir além, desativar afetos de violência. Transformações sociais e políticas não ocorrem de um dia pro outro mas sim numa sucessão e acúmulo de fatos e movimentos. É preciso entender que a derrota veio de muitos anos e de uma série de fracassos, e que portanto, a vitória também vai se construir por uma série de vitórias pequenas e estratégias renovadas. A única maneira de propor uma real oposição é mudando de estratégia. Jair captou o medo, a decepção e a melancolia negativa pra vencer. Política é feita também de emoção, tempos de crise econômica e social, é histórico que líderes autoritários bonachões subam ao poder. Quando vamos pensar em novas soluções? Quando vamos quebrar esse círculo? Precisamos aprender a escolher nossas batalhas, dialogar com os dialogáveis. No pós-primeira guerra, Wilhelm Reich em Psicologia de Massas do Fascismo pensava "como é possível que um fator ideológico produza resultados materiais? Como é possível contaminar" as pessoas "com tanto ódio?" Hä um Brasil paralelo querendo se impor e pra alguns é positivo um Brasil em frangalhos e com medo do amanhã. Toda intolerância e ódio nascem do medo, do desconhecido, da ignorância sobre mim mesmo. Racismo, homofobia, sexismo surgem do desconhecido, do medo de um inimigo vermelho que, de novo, poderia ser você. Deixar incerto o amanhã é a grande estratégia dia após dia que está deixando todo mundo doente. O problema do Brasil não é polarização política, mas como a polarização se apresenta, com ódio e não com ideias. Discussões polarizadas geram desconforto. Mas é do desconforto que se produz mudança. A saída está no contraste, no contra-ponto, em polarizar de maneira saudável e não doentia. Nos tentam convenver que polarização é ruim produzindo péssimas polarizações, mas o que é ruim é a mentira, e não a polarização. A pluralidade produz mais força do que a unidade. Pra unir é preciso ideias contra autoritários. Então, como agir num mundo de individualismo de maneira coletiva? É essa pergunta que deveria nos guiar acima de tudo. Enquanto a capacidade de produzir emoções em comum não for dominada por quem quer transformar a realidade, continuaremos perdendo. Sem se mover, nada virá, a pior morte é em vida. É deixar ficar paralisado na esperança do amanhã. Se a doença é social, a cura também é por meio da sociedade. Precisamos dos outros, precisamos estar junto de pessoas. Todos importam. Ao perceber que está sendo dominado pela doença Brasil, dá um tempo das redes, vá fazer algo que gosta, não deixe sua alma se perder por isso. Mais do que nunca é preciso compreender o que está acontecendo. É hora de estudar, buscar em autores clássicos, que viveram períodos parecidos, algum alento, alguma solução. Elevar o nível do debate. Buscar fontes científicas, dar visibilidade à voz da ciência. Mas também, se possível, produzir, escolher suas batalhas e seguir pelo menos um tema, parar e verdadeiramente pensar, o que que eu posso fazer hoje pra produção de qualidade aumentar? Ir pra rua, criar um canal, conversar em casa sem parar, articular movimentos coletivos, grupos de apoio, cada um sabe o momento do luto em que se encontra. Mas sabe também que é só pela arte, pelo consumo de cultura que a gente vai sair de tudo isso. O obscurantismo odeia culturas que façam refletir, e é por isso que rotulam todo mundo de vermelho, portanto outra boa resposta pra curar a doença Brasil é a indiferença. Seguir vivendo, sem deixar que a indignação nos paralise, mas que ela produza catarse (limpeza ou purificação pessoal), mais do que nunca, esteja com pessoas, e do olho-no-olho que nascem novas ideias, é preciso dizer "não vai ficar mais fácil; não falta pouco tempo" (E. Brum), a luta ainda vai endurecer muito. Por isso prepare-se, se precisar, recue alguns passos, não tenha medo de olhar de fora pra buscar se centrar pelo tempo que vem, no poder, o alienista, que decidiu chamar de loucos todos aqueles que decidiram criticá-lo. Quem são os loucos afinal? Não estamos mais lutando pela democracia. Estamos lutando pela civilização. (E. Brum) Antes de terminar o vídeo citando Bertold Brecht (+ Augusto dos Anjos - Elogio da dialética negra), eu elogio a dialética, misturado com um poema negro de Augusto dos Anjos, fortaleça este canalzinho para que o Youtube me divulgue cada vez mais, Like, inscrição, comentário, e agora, Brecht com Augusto dos Anjos. Em Louvor à Dialética - Bertold Brecht (Minha tradução) Hoje a injustiça segue a passos certos, Os opressores se preparam para dez mil anos. O poder parece definido: tudo permanecerá do jeito que está. Nenhuma voz soará, exceto a voz dos governantes. E nos mercados, a exploração proclama em voz alta: Estou apenas começando. E entre os oprimidos, muitos agora dizem: O que queremos nunca acontecerá. Mas quem está vivo nunca deve dizer 'nunca'! A certeza nunca é definitiva. Nada vai ficar do jeito que está. Quando os governantes acabam de falar É a vez dos governados falarem. Quem ousa dizer 'nunca'? Quem é o culpado da repressão continuar? Somos nós. Quem pode derrubar a escravidão? Nós podemos. Quem foi derrotado deve se levantar! Quem está perdido deve revidar! Quem descobriu do que sofre - como alguém poderá detê-lo? Porque o vencido de hoje será o vencedor de amanhã E o 'nunca' se tornará: 'agora, já'!
Poema Negro - Augusto dos Anjos Ao terminar este sentido poema Onde vazei a minha dor suprema Tenho os olhos em lágrimas imersos... Rola-me na cabeça o cérebro oco. Por ventura, meu Deus, estarei louco?! Daqui por diante não farei mais versos. Só fragmentos.
Letras Apesar de Você - Chico Buarque de Holanda Amanhã vai ser outro día Amanhã vai ser outro día Amanhã vai ser outro día Hoje você é quem manda Falou, tá falado Não tem discussão, não A minha gente hoje anda Falando de lado e olhando pro chão Viu? Você que inventou esse Estado Inventou de inventar Toda escuridão Você que inventou o pecado Esqueceu-se de inventar o perdão Apesar de você Amanhã há de ser outro dia Eu pergunto a você onde vai se esconder Da enorme euforia? Como vai proibir Quando o galo insistir em cantar? Água nova brotando E a gente se amando sem parar Quando chegar o momento Esse meu sofrimento Vou cobrar com juros. Juro! Todo esse amor reprimido Esse grito contido Esse samba no escuro Você que inventou a tristeza Ora tenha a fineza De "desinventar" Você vai pagar, e é dobrado Cada lágrima rolada Nesse meu penar Apesar de você Amanhã há de ser outro dia Ainda pago pra ver O jardim florescer Qual você não queria Você vai se amargar Vendo o dia raiar Sem lhe pedir licença E eu vou morrer de rir E esse dia há de vir Antes do que você pensa Apesar de você Apesar de você Amanhã há de ser outro dia Você vai ter que ver A manhã renascer E esbanjar poesia Como vai se explicar Vendo o céu clarear, de repente Impunemente? Como vai abafar Nosso coro a cantar Na sua frente Apesar de você Apesar de você Amanhã há de ser outro dia Você vai se dar mal, etc e tal La, laiá, la laiá, la laiá...
Bastidores- Chico Buarque de Holanda Vai passar nessa avenida um samba popular Cada paralelepípedo da velha cidade Essa noite vai se arrepiar Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais Que aqui sangraram pelos nossos pés Que aqui sambaram nossos ancestrais Num tempo, página infeliz da nossa história Passagem desbotada na memória Das nossas novas gerações Dormia, a nossa pátria-mãe tão distraída Sem perceber que era subtraída Em tenebrosas transações Seus filhos, erravam cegos pelo continente Levavam pedras feito penitentes Erguendo estranhas catedrais E um dia afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval O carnaval, o carnaval (Vai passar) Palmas pra ala dos barões famintos O bloco dos napoleões retintos E os pigmeus do Boulevard Meu Deus, vem olhar Vem ver de perto uma cidade a cantar A evolução da liberdade até o dia clarear Ai que vida boa, ô lerê Ai que vida boa, ô lará O estandarte do sanatório geral vai passar Ai que vida boa, ô lerê Ai que vida boa, ô lará O estandarte do sanatório geral, vai passar In Praise of Dialectic - Bertold Brecht (Original, 1930-1931)
Today injustice goes with a certain stride, The oppressors move in for ten thousand years. Force sounds certain: it will stay the way it is. No voice resounds except the voice of the rulers. And on the markets, exploitation says it out loud: I am only just beginning. But of the oppressed, many now say: What we want will never happen. Whoever is alive must never say ‘never’! Certainty is never certain. It will not stay the way it is. When the rulers have already spoken Then the ruled will start to speak. Who dares say ‘never’? Who’s to blame if repression remains? We are. Who can break its thrall? We can. Whoever has been beaten down must rise to his feet! Whoever is lost must fight back! Whoever has recognized his condition—how can anyone stop him? Because the vanquished of today will be tomorrow’s victors And ‘never’ will become: ‘already today’! https://vula.uct.ac.za/access/content/
Fontes Aqui o autor do Vídeo II foi completando aos poucos todos os coletivos que encontrou e citou ao longo do vídeo que, na correria da vida, acabou não organizando tudo certinho... mas já vai conferindo: O Vídeo II acima, ao contrário dos outros, é de menos fontes e mais desabafos... ainda assim, há algumas bases de leitura e inspiração para tal. Não deixe de conferir! Texto inspiração: Doente de Brasil - Eliane Brum https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/01/opinion/1564661044_448590.html Vídeo: Meteoro Brasil - Doente de Brasil Artigos: Da esperança ao ódio: Juventude, política e pobreza do lulismo ao bolsonarismo Rossana Pinheiro Machado http://www.ihu.unisinos.br/188-noticias/noticias-2018/583354-da-esperanca-ao-odio-juventude-politica-e-pobreza-do-lulismo-ao-bolsonarismo Doentes “de Brasil”, calma! Neofascismo e boçalidade não são favas contadas DE: ÁLVARO MIRANDA Livros
Sintomas Morbidos - Sabrina Fernandes
Psicologia das Massas do Fascismo - Wilhelm Reich
Além dos canais de Ludo Viajante, Rafucko e Tese Onze!
J. S. Bach - Erbarme Dich, in the St Matthew Passion.
Faulkner - Springtime
NORMOSE Apesar de Doente de Brasil, resistimos: se reúne, mostra como se organiza, cria coletivos por que APESAR de VOCÊ há muita coisa acontecendo - existe enfim cura Brasil?