terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Malícia

Como se vive em Sydney. Brincadeirinha, trata-se de mais uma foto
do famoso Spencer Tunick no Teatro de Ópera de Sydney.
Recente opinião de um visitante brasileiro sobre a Austrália.
Mesmo sendo uma metrópole, os jovens parecem um tanto alienados que odeiam pentes ou escovas.
Muito homossexualismo, mais notadamente feminino; não se pode fazer um agrado com uma criança que parece pedofilia; tem mais asiático do que na Ásia; gradessíssima variedade de plantas; casas lindíssimas e horrendas convivendo como vizinhas na mesma rua; figurinos ridículos, cafonas e sem noção convivendo nos mesmos ambientes (trabalho, estudos, lazer).
Muitos carros que são colírios para os olhos dos amantes ou não de carros como Lamborghinis, Maserattis, Rolls-Royces, Bentleys, Ferraris, etc.
Quente pra dedéu e muito seco; toma-se muita água. Papel higiênico com 4 folhas, um luxo só.
O que é malícia? Não é a filha da vizinha. Se você viu aqui uma
criança a dormir, você não tem malícia. Existe tal pessoa?
Ele disse que meus filhos precisariam de adquirirem mais malícia. Não entendi a princípio, mas acabei imaginando que ele queria dizer que, se eles fossem viver no Brasil, precisariam de mais malícia. Ele então me respondeu, "Você entendeu sim! Você é muito bom captador das entrelinhas e mensagens subliminares..." Ele estava se referindo a que eles não estão adequados a viverem no Brasil nesta época de hoje onde a sacanagem rola solta em toda parte e o nível de dignidade caiu pelas tabelas onde ninguém tem mais classe nem educação. No Brasil eles precisariam de mais malícia realmente. BINGO!

Eu acrescentaria que eles iriam precisar de avacalhação e cafajestice.

Aqui na Austrália ainda há espaço para a sofisticação deles, ou nos países em que eles pretendem se estabelecerem. Concordo... Espero de coração que o Brasil se recupere de tanta baixaria até nos mais altos níveis, de tanta cachorrada, principalmente no plenário. Estes sim estão ajustados com a sociedade brasileira atual. É preciso melhorar o nível destas pessoas urgente, a fim do país conseguir sobreviver e galgar sua posição de destaque no mundo, conforme ele merece e vinha conseguindo até o ano passado quando a gentalha resolveu grasnar nas ruas e quebrar tudo. Estava bom demais para durar...

A internet é cheia de malícia. O que você vê aqui? Correto, um
chachorro-quente.
Como um exemplo, quando fui mostrar pra ele uma música de um cara brasileiro que eu gosto, cujo disco ele me presenteou, o cantor/compositor tacou um "fudeu" na música e fiquei com cara de tacho, cheio de vergonha. Ele então me falou, eu acho muito irônico você ficar “empulhado” com a merda que os outros fazem... Acontece com muita gente também, incluindo eu próprio... Respondi que era porque eu dava àquele cara o maior valor, ele ainda não tinha baixado o nível, mas acabou caindo como todo mundo na baixaria. É assim que suas fãs querem, então tomem. Porque as fãs deles são dadas à baixaria, que se agitam quando o cara fala um palavrão ou fica se insinuando no palco, mas, como você disse, tudo em prol do maldito dinheiro. L´argeant! Quanto mais eu preciso dele, mais eu o odeio. O tal do cantor/compositor é o Lucas Lucco.

Meus filhos australianos santinhos e sem malícia vêem um mouse.
Fico "empulhado" com coisas ruins que as pessoas fazem quando elas me atingem. Quando não me atingem, é porque não sento em formigueiro. Mas sou fã daquele imbecil, e agora tenho que engolir as merdas dele depois de ter publicado meu fanismo! Vergonha para mim que tentei dar valor a um sequer cantor sertanejo, porque na realidade, sertanejo não é minha praia, que me desculpem tantos profissionais bons que tem no Brasil. Na realidade estou sendo injusto, pois o Victor e Léo e a Paula Fernandes são excelentes e ainda não descambaram para a baixaria.

Daí chega este visitante pra dizer que atualmente a Paula Fernandes é uma versão da Barbie. Vi algumas fotos na internet e fiquei chocado com o peso da maquiagem nos olhos, que ela não precisa. Vem cá, esse povo não tem ninguém em casa que diga, "mulher, tu tá passando da conta no rímel, manera", ou então simples espelhos, ou desconfiômetros, se mancômetros? Mas o resto que vi ainda está muito discreto e de muito bom gosto. 

O que me atraiu no Lucas Lucco foi seu extraordinário forró de sua banda, de altíssima qualidade, além de seu respeito aos homens. Mas, convenhamos, não suporto baixaria. Uma fã dele escreveu num fã site que não gostava mais dele por causa do excesso de tatuagens e músculos. Ele respondeu que, se ela não gostava, arrumasse outro, porque quem gostava dele, gostava de seu trabalho, e não de sua aparência. Bobinho e malcriado! Eu acho a mesma coisa, é tudo uma baixaria só, e ele está piorando. Neste momento estou pensando se não responderam por ele naquele blog, porque o cara ainda não tinha sido grosso desse jeito em público, como foi mudar de uma hora para a outra? Quer dizer, não é de uma hora para a outra, estou fora do Brasil, então só vejo notícias sobre um mesmo assunto a cada 3 meses.

Nem todo mundo suporta o peso da fama, deve ser o caso do Lucas, apesar de todo cuidado do pai dele e da equipe produtora. Sendo decente, ele podia fazer carreira internacional, mas esta baixaria não é suportada pelos estrangeiros. Chame-os de hipócritas, mas é melhor assim nesse caso. Suponho que tenho ouvido palavrões em músicas novas de rock internacional também, vai ver que é por isso que ele anda imitando.

Palavrão...
É tudo tão vulgar...

Nem os ricos brasileiros escapam mais. Não tem mais dignidade, moral, não sabem mais o que falam, não sabem nem se comportarem. Acho que não existem mais famílias tradicionalmente educadas como vim a conhecer décadas atrás, está todo mundo avacalhado. Ou será que eu sonhei e vivia em outro planeta? Sim, é mais provável...


Me chocou as coisas que ele recebia de seus amigos via WhatsApp do Brasil enquanto estava aqui na Austrália pelo baixo nível das piadinhas juntamente com a profusão de palavrões gratuitos. Faz tempo que eu não ouvia tais coisas. Tenho por norma não falar palavrões, mas ainda me dou o direito de falar um ou outro aqui e ali conforme a necessidade ou então para dar um efeito qualquer que desejo no meu discurso, mas procuro não incorporá-los no linguajar diário até porque sei que isso contamina, contagia e acaba se tornando normal. Eu fazia isso desde que vivia no Brasil, não é hábito australiano que adquiri. É bom lembrar que, quanto mais baixo o nível do ser humano, mais ele fala palavrões em profusão. Praticamente tudo pode ser dito usando-se apenas dois ou três palavrões que os semelhantes se entendem.

Dercy Gonçalves, dá pra ter saudades de uma coisa daquelas?
Caralho, me dê a porra da caderneta pra eu escrever esta merda sobre esta porra do filho da puta que tá puta fodendo a porra da minha paciência, puta merda...

O fato dele manter profundo contato com seu telefone celular, mesmo estando do outro lado do mundo, já não me chocou tanto devido ao número de pessoas em toda parte que anda fazendo a mesma coisa. E era recados gravados pra lá e pra cá, e filmezinhos feitos com as paisagens australianas enquanto recebia em troca filmezinhos de gosto discutível.

E tudo isso vem de pessoas de bem, boa situação financeira, bom nível cultural e educacional. Não dá pra entender, ou então me transformei num esnobe metido a moralista.

Só aceitei WhatsApp justamente para ter contato com esta visita. Pelo menos este meu querido amigo que já retornou está sabendo exatamente o nível de filmezinhos pra me enviar. Amigo é assim, respeito é bom e eu gosto.

Alemanha Sabe Mais

E por falar em respeito, para quem sabe Inglês, veja como é que se devia escrever sobre a Petrobras e o governo atual neste artigo alemão. Isso se chama respeito e inteligência.

http://www.dw.de/opinion-petrobras-is-not-brazils-government/a-18258893

E que tal esta outra reportagem interessante, feita no Brasil mesmo, ops! Foi erro. Publicou, lascou. A internet ressuscita os mortos.

http://contrapontopig.blogspot.com.au/2015/02/contraponto-16061-globo-tira-do-ar.html

http://globotv.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/t/todos-os-videos/v/especialista-fala-sobre-os-problemas-e-prejuizos-da-petrobras/3315829/

"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista."

Paulo Henrique Amorim

(Pra quem não se lembra, "pig" em Inglês significa "porco")

Praia na sombra dos arranha-céus de Recife.
Cinema

A pressa em divulgar coisas boas é tanta que me vejo divulgando sem sequer ter provado pra dar meu depoimento com base. Vai ver não é nada do que ando pensando, só baseado na crítica dos outros, mas vamos lá. Escrevendo aqui pelo menos tenho uma história para não deixar esquecer, voltar aqui, ver o que não assisti, e providenciar, caso contrário se perderia no tempo e eu jamais veria outra vez. Geralmente quando reproduzo textos de outros aqui é porque assino embaixo, coincidem com meu jeito de pensar, a não ser que eu faça minhas críticas depois. Então, já que não sei escrever tão bem, vale colocar coisas de especialistas pra melhorar o nível desse blog.

Vai ver que o nome desse documentário é "Um Lugar ao Sol" porque lá embaixo a praia já foi coberta pela sombra destes edifícios altíssimos na orla do mar das grandes cidades brasileiras, então o povo, que tinha o sol de graça na praia, agora jão não tem mais a partir das 3 da tarde, enquanto quem mora na cobertura fica com os metros quadrados de sol só pra eles mesmos, enquanto os 50 andares de baixo ficam todos só com uma lateral de sol pelas janelas.

"Um Lugar ao Sol" pasma ao retratar a classe dominante brasileira.

http://www.planetatela.com.br/cri.php?cri_id=491

Por Celso Sabadin, e não Dominguin

Quem já não ouviu a famosa ladainha que “o cinema brasileiro só mostra miséria, favela, gente desdentada e mulher pelada”? Pois bem. Para provar que este chororô não tem razão de ser (aliás, nunca teve), o cineasta pernambucano Gabriel Mascaro coloca nas telas do Brasil um pedaço da classe dominante. Só gente fina. Com o genial documentário “Um Lugar ao Sol” (2011), Mascaro enfoca o seleto universo dos moradores de coberturas de prédios classe A das cidades de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Todos belos, saudáveis e cheios de dentes, onde a favela é uma realidade distante. Há até o depoimento de uma moradora que acha lindo o riscado colorido que as balas perdidas deixam nos céus, quando há confrontos armados entre os morros.

Trailer do documentário Um Lugar ao Sol

Ao abrir sua câmera às classes dominantes, Mascaro escancara o abismo sócio-cultural brasileiro, exibindo a necessidade de muitos em morar acima de tudo. Literalmente. Ao se distanciar do nível da rua, é visível - e risível - a forma como vários destes moradores se colocam acima do bem e do mal diante deste complexo painel de meandros sociais chamado Brasil.

Moradia estilo brasileiro. Esta sala comportaria 25 chineses se fosse
em Sydney.
Além do fator praticamente inédito de abordar uma classe sempre presente nas revistas de fofocas, e quase sempre ausente das telas de cinema, o filme ainda provoca uma importante discussão sobre a ética que deve existir entre os documentaristas e seus depoentes. Numa sessão de “Um Lugar ao Sol” realizada durante a Mostra de Cinema de São Paulo, Mascaro chegou a ser questionado se ele não estaria se aproveitando da boa vontade das pessoas que se deixaram entrevistar para, depois, ridicularizá-las na tela. O cineasta se defendeu alegando que sua obrigação é fazer cinema, e não jornalismo. Diferente do jornalismo, o documentário não tem a obrigação de ser imparcial, muito menos de mostrar todos os lados da questão. É um recorte.

Não é a mesma foto, este é o banheiro. Comportaria 12 chineses,
cada um a $300 reais por semana, $15.000 reais por mês. Só no
banheiro... 166 crianças do terceiro mundo patrocinadas através
da World Vision em um ano...
Concordo totalmente com Mascaro. O cineasta não obrigou ninguém a dizer o que está dito no filme e não manipulou imagens de forma anti-ética . Ele não tem culpa se existe gente no Brasil que, do alto de sua cobertura, se encanta com o colorido dos tiroteios lá em baixo. Ele não provocou as barbaridades ditas no filme, muito menos o despenhadeiro social que motivou tamanhas aberrações. Apenas registrou. Se é que, este caso, cabe a palavra “apenas”.

Sóbrio, simples, sem maneirismos estéticos nem nenhum tipo de espetacularização, o filme mostra que o maior espetáculo da Humanidade continua sendo o próprio Homem. Mesmo quando ele se deslumbra e perde o senso do próprio ridículo ao ser seduzido por uma câmera de cinema.

“Um Lugar ao Sol” foi exibido em mais de 40 festivais internacionais, entre eles os de Los Angeles, Miami, Cartagena, Munique e Toulouse.

Sydney também tem cobertura, mas não na praia. Atualmente está 
uma polêmica de que não se constrói mais na praia de Bondi porque 
transporte para lá é péssimo... isso é primeiro mundo.
Em outro site achei mais alguma informação interessante.
O diretor conseguiu acesso aos moradores através de um curioso livro que mapeia a elite e pessoas influentes da sociedade brasileira. No livro, são catalogados 125 donos de coberturas. Desses, apenas nove cederam entrevistas.
Através desses depoimentos, o documentário traz um rico debate sobre desejo, altura, status e poder. É um filme que reflete sobre a classe dominante brasileira e a verticalização das cidades deste país, abordando o imaginário sócio-cultural de um grupo social pouco problematizado na cinematografia nacional. O projeto transcende as fronteiras do Brasil, consolidando um debate sobre o imaginário humano e as relações e concepções de ideologia, dominação e poder e na forma como isso se concretiza nas produções materiais. Nesse caso, na arquitetura de uma cidade que explicita em seu paradigma a histórica desigualdade social. 
http://cinema10.com.br/filme/um-lugar-ao-sol
Para os interessados, este comentário do link seguinte é melhor ainda:

http://www.brcine.com.br/colunas/um-lugar-ao-sol-ou-como-nao-tremer-de-frio/

Existe desigualdade social na Austrália?

Como em tudo, também nessa área reside a extrema hipocrisia dos australianos, ou do povo anglo em geral.

Estudante no charmoso bairro central de Newtown, Sydney.
http://thevine.com.au/life/thoughts/215-a-week-to-live-on-a-balcony-
20130319-231252/?page=3
Para começar, o australiano não gosta de morar em apartamentos. O sonho deles é aquela casa norte-americana famosa, de primeiro andar com jardim gramado sem muros num subúrbio bem longe onde todas as casas são assim. Morar em cubículo é para pobres, separados, temporário enquando não compra a casa dos sonhos. Apartamentos e duplexes geralmente são ocupados por solteiros, récem-casados até quando nasce os filhos, daí eles se mudam e isso caracteriza a alta rotatividade destes lugares e a anonimidade de vizinhos que não tem nem tempo de se conhecerem. Quando você acabou de conhecer, as pessoas já se mudaram. Morar em apartamento é coisa bem de brasileiro, por isso eles sonham com Gold Coast, o que mais se assemelha às dezenas de cidades litorâneas brasileiras.

O resultado é que o que mais prolifera nos bairros centrais de Sydney é apartamentos de 1 quarto. Mas que raios, estas pessoas não tem família? Não, e quando tem, se separam logo. O fato é que a maioria dos australianos mora sozinha, incluindo os idosos. Quando muito, recebem um "partner" (parceiro sexual) cuja palavra em Inglês não discrimina o sexo e você nunca sabe se o "partner" é homem, mulher, amante, gigolô ou o que mais. Bem bolado.

É assim que se reconhece as casas do governo, mas nem sempre.
Ainda existe gente decente que realmente está atravessando
fase negra.
Gosta-se de abrir a boca pra dizer que não, Austrália não tem pobres, não tem favelas. Meu querido visitante a certo momento olhou pra cima e me perguntou, embasbacado, mas o que diabo é aquilo lá no alto daquele prédio chique bem no meio do CBD de Sydney (distrito central de negócios) que eu não acredito no que os meus olhos estão vendo? Respondi, são o que você está vendo mesmo, roupas estendidas na varanda pra secar. Retruca ele, mas é roupa demais pra varandas tão pequenas, parecem as favelas brasileiras. Continuo então dizendo que trata-se de dezenas de pessoas que moram no mesmo apartamento, pois é assim que se vive em Sydney. 

Enquanto um executivo mora num enorme apartamento de 3 quartos com vista para o porto de Sydney, sozinho, dezenas de estudantes e trabalhadores sem qualificação profissional se amontoam em quartos-e-salas cheios de baratas, sendo que todos são quase vizinhos. O executivo não pisa na rua, sai da garagem subterrânea em seu Range Rover com vidros escuros direto para a garagem do escritório, todos com portas automáticas, enquanto que os desqualificados se acotovelam nas ruas tropeçando nos sem-tetos, levando vento e chuva. Mas todo mundo sorri porque está em Sydney!

Cobertura estilo Sydney, 2 ou 3 quartos apenas. Jardins premiados.
Grande número de pessoas não pode pagar aluguéis ou comprar propriedades, então ou elas se tornam surfistas de sofás dos outros, ou se juntam em bandos para alugarem um pequeno apartamento, de preferência perto de tudo quando podem economizar também com o transporte caríssimo. Muitos proprietários vivem disso, de lotear seus minúsculos apartamentos, cobrando tão caro que o lucro lhe permite comprar mais 3 apartamentos por ano.

Mas estas coisas não são vistas. Raramente alguém vai olhar pra cima, e se olhar, vai achar o colorido das roupas bonito e exótico, parecendo flores. Afinal, trata-se de um prédio no meio de tantos outros super-chiques e de alta-tecnologia abrigando as maiores corporações e bancos do mundo. Quem vai prestar atenção num grupo de asiáticos dentro de um cubículo? 

Coberturas de $15 milhões de dólares ($30 milhões de reais) em
Sydney. http://www.bookmarc.com.au/blog/sneek-peek-sydneys-1
5million-penthouse/
Estas são as modernas favelas do primeiro mundo, cuja cidade maior representante delas é Hong Kong. As favelas do Rio dão de 10 a zero em termos de vista e panorama.

Você circula pelo subúrbio de Vaucluse ou Glenhaven, vê um monte de casas de arrombar, verdadeiros palacetes, mas não parece nos chocar como no Brasil. Em meio a tais palacetes geralmente aparecem prediozinhos de tijolos marrons repletos de apartamentos de segunda classe, mas pelo preço, qualquer buraco é um palácio em Sydney.

Muitas vezes em cima de um prédio destes tem uma pequena
mansão escondida... aqui em Double Bay, Sydney
Casas do Governo

Quem é pobre e tem sorte, mora em casas ou apartamentos que se dizem "do governo". O governo paga um pequeno percentual dos alugués de propriedades da população que gosta porque estão sempre alugados e quem se encarrega de colocar ou tirar os inquilinos é o governo. Você nunca sabe qual casa ou apartamento é do governo ou não, a não ser depois de ter se mudado pra o local, que é quando você vai observar o comportamento dos vizinhos.

Uma pessoa no trabalho, por exemplo, reclamou que depois que mudou-se para uma casa nova, de vez em quando era bloqueado de entrar na sua rua porque ela estava cheia de carros de polícia. A polícia estava tão acostumada a ir a certa casa, que quando ligavam para ela da área, vários carros já apareciam do nada. Não tinha mais jeito a dar, ele já havia comprado a casa, agora teria que aguentar, e se não aguentasse, provavelmente também não acharia rua nenhuma que não tivesse pelo menos um pequeno apartamento do governo.

Cobertura (penthouse) Londres, em Sydney, $15 milhões de dólares,
4 quartos, 6 banheiros, em Hyde Park. As pessoas são sujas assim?

Ah, não, é para os convidados das festas terem um momento para
gastarem ou recobrarem as energias...
O lance destas casas do governo é que elas abrigam todos os rebutalhos que deviam estar morando nas ruas, ganhando a vida como esmoleres. Certo que a cada ano o número de moradores de rua aumenta, mas também aumenta o número de descamisados, desempregados, drogados, separados e doentes mentais.

Mas isso nenhum visitante vê. Estas coisas só se sabe vivendo na Austrália, e isso depois de muitos anos. Nos primeiros anos, tudo parece um paraíso. A desgraça acontece fora das vistas dos turistas.

De modo que existem diferenças sociais abissais também na Austrália, mas tanto os pobres quanto os ricos disfarçam muito bem com a maior hipocrisia. Por exemplo, o centro de negócios do aeroporto de Canberra pertence a uma só pessoa, além de toda a imensa área em volta que inclui vários shopping centers e imensos estacionamentos muito bem pagos. 

O abismo dos infernos
Terry Snow, um dos 200 mais ricos da Austrália, comprou o aeroporto de Canberra por $65 milhões de dólares e deu para seu filho Stephen Byron gerenciar. Aqui, filhinho, venha brincar de aviãozinho com papai.

Veja reportagem com ele e seus filhos, Como os 200 Ricos Investem.

http://www.brw.com.au/p/business/how_the_rich_
invest_terry_snow_u3guEOzYAJrxISrvTy8vRN

Se isso não é concentração de renda e diferença social, então eu não sei mais o que é.

Pra variar, assim como no Brasil ninguém sabia que 80% dos apartamentos de todos os cerca de 15 prédios da rua onde uma irmã minha morava pertenciam a um dono só, em Canberra também ninguém tem a menor noção de que aquela área nobre, incluindo o próprio aeroporto, pertence a um só australiano.

E você? Quantos apartamentos você tem? Perdeu a conta, não interessa, tem quem gerencie pra você? Quantas crianças daria pra patrocinar no terceiro mundo através da World Vision se vendesse um apartamento, unzinho só? Olha que algumas delas poderiam se tornar suas amigas e amá-lo(a) para sempre por tão pouco...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Machos Machucados

Um dos meus cunhados me contou que um amigo seu raspa a cabeça todo ano no dia do aniversário de seu pai. É para homenageá-lo porque ele faleceu de câncer, cujo tratamento lhe deixou sem cabelos. Meu cunhado, ele próprio um pai tambémentão me falou: isso serve para seus posts sobre paternidade, não serve? Sim senhor, podes crer.

DVD que contém o curta-metragem Contato
A relação pai-e-filho é para mim uma das coisas mais sublimes do universo. Ela inclui todas as relações de amizade entre homens também, sejam eles quem forem, como por exemplo, a relação entre Brad Pitt e Elias Koteas no curta-metragem Contato (Contact, 1992) de 30 minutos que pode ser encontrado como parte do DVD Estranhas Relações.

Sumário: Um soldado americano e um soldado árabe se confrontam sozinhos durante a guerra no deserto, cada um com a esperança de matar o outro. Mas, a fim de sobreviver, eles devem depor as armas e cooperar. 

A cooperação acaba dando na mais improvável amizade e respeito, mostrando que todos os homens de qualquer raça ou credo só precisam de um estímulo para se tornarem bons companheiros.

Portanto, quem causa as guerras não são os homens... sim senhor, pense bem, considerando-se que os melhores soldados são os psicóticos. Tem muito lobo em pele de carneiro por aí.

Os produtores são Bob Degus, Jana Sue Memel, Laura Stuart e o produtor executivo é Jonathan Sanger. O cast é reduzido a Brad Bovee, Elias Koteas como Mohannan, Ken Lesco, Brad Pitt como Cox e J.T. Walsh Radio como o tenente. 

O filme foi exibido como parte de uma série de curtas de 30 minutos na rede de cabo Showtime em conjunto com o programa Discovery da Chanticleer Films, que produziu curtas-metragens premiados com diretores de primeira viagem.

"Esta foi a primeira vez que trabalhei em conjunto em uma produção real de stúdio Hollywood". A Chanticleer Films lançou o ator novato chamado Brad Pitt para estrelar um dos filmes. Ele foi rodado em Culver Studios e no deserto na área de Santa Clarita. Contato foi indicado ao Oscar de Melhor Curta de ação ao vivo em 1992", escreve Monte Robison, assistente de produção.

http://filmtheory.com/movie/contact-3

Textos Masculinistas

Ligado no mundo dos machos sendo ameaçados pelas correntes GLS e feministas da atualidade, tenho lido uma pá de textos escritos por outros caras preocupados como eu com o futuro dos homens, os quais se auto-denominam machos alfas na internet. Estes textos tem proliferado muito nos últimos anos, denotando a reação dos machos à feminilização de suas personalidades, reação aos indesejados estilos de vida metrossexuais, bem como reação à imposicão gay no mundo e ao feminismo predatório disfarçado de vanguarda e defesa das mulheres.

Os textos que vejo por aí tem o mesmo teor do seguinte, traduzido do Inglês, da página da web http://www.rooshv.com/are-you-a-real-man:

Você É um Homem de Verdade? 17 de novembro de 2009.

A sociedade moderna distorceu o que significa ser um homem real. O resultado é que você tem "homens" que são sucesso no papel, que têm uma casa, um pouco de dinheiro, guarda-roupa respeitável, mobiliário elegante, e gostos requintados, mas eles não podem fazer sexo com uma mulher bonita. Não preciso lembrá-los das porcarias que um monte de homens anda carregando nas costas em público, é uma espécie de reversão da seleção natural o que a nossa cultura feminista está causando. Tenho pensado muito sobre todas as qualidades que fazem um homem de verdade, e determinei que apenas duas são absolutamente essenciais.
  1. Capacidade de transar à vontade. Se você não pode transar com várias mulheres, você não é um homem de verdade, pura e simples. Se você não pode acasalar com genes superiores então você é uma chaga da condicão humana e deve ser sacrificado. O que há de mais importante para a existência humana, porra? Nada. Houve um tempo em que eu não conseguia ficar com alguém, quando eu era um parasita inútil vivendo no mundo, mas então aprendi e agora estou espalhando o meu sêmem em vários continentes. É verdade que não tive filhos (tanto quanto eu sei), mas com um toque de um botão isso pode ser resolvido facilmente. Com toda certeza meu destino humano será acidentalmente alcançado mais cedo ou mais tarde.
  2. Força pessoal. Você é capaz de se defender se sua merda for jogada no ventilador? Pode você proteger-se contra um atacante? Caso contrário, você não é um homem de verdade. Força pessoal vem em duas modalidades: a confiança para tomar uma posição e o aparato físico para defendê-la. Se você cair à menor brisa, então você não é adequado para a vida, e deve ser preso. Se posso juntar meu polegar com meu indicador ao redor dos seus bíceps, então você é um organismo em decomposição que pereceria sem os benefícios do estado babá para mantê-lo seguro num lugar acolhedor. Apesar de não ser um halterofilista, estou preparado para lutar até a morte, se o meu ser for ameaçado ou questionado.
Homens de verdade são feitos, não nascem. Se você optar por não ser um homem de verdade, mas sim um meio-homem como 90% dos homens ocidentais, então você não merece os benefícios de sexo e respeito que vêm com ele. Eu não posso me imaginar vivendo sem qualquer destas coisas.

E este outro texto aqui?

http://www.scribd.com/doc/4107141/
Beta-is-Ing-the-Alpha-Male

Betalizando o Macho Alfa (texto em Inglês)

Esta página descreve o que as mulheres fazem para emascular os homens. Como o texto é muito grande e não diz muita coisa, não dei-me ao trabalho de traduzí-lo mas apenas endereçar alguns ítems genericamente como se segue.

Quem escreveu isso foi uma mulher, provavelmente. Mas eu assino
embaixo. Experiência própria.
Alfas Equivocados

O problema destes textos é que tais machos alfas também andam perdidos. Eles elegem valores que não são verdadeiros, baseados em suas observações unilaterais sobre o mundo sob o aspecto masculino apenas. Ser macho pode ser bom, mas tem seus revezes. Se você não enxerga nada além do universo masculino, você não pode se dar bem na vida. É preciso balancear.

Tenho notado que a tendência deles é colocar todas as mulheres no mesmo balaio de gatos, considerando-as todas erradas e dominadoras. Isso não é verdade. O que eles enxergam como ameaças às suas masculinidades, não passa da naturalidade das mulheres em apenas serem elas mesmas, e fraqueza de certos homens. Cabe aos homens fazerem o mesmo, ou seja, manterem suas masculinidades com a mesma naturalidade com que as mulhres mantém suas feminilidades. O problema é que eles não conseguem manter quando estão frente a elas. Problemas com as mães? Falha com os pais?

Essa é profunda. Ela tem que merecer.
Um homem pode ter três reações quando convivendo com uma mulher intimamente numa relação estilo casamento. 

  1. A primeira reação e a mais comum é submeter-se aos caprichos de sua "amada" e fazer o que ela quer. Com isso sua individualidade vai se esvaindo, sua vida vai passando a ser indesejada, e tal homem pode acabar largando o lar para tentar outras aventuras que não lhe cobrem tanto, se ainda restar alguma coragem e brios. A alternativa seria sentar e dialogar com a dita cuja, negociando ambas as prioridades, ou seja, conversar sobre a relação, coisa que homem não faz.
  2. A segunda reação é a pior de todas. O homem impõe sua vontade e subjuga a mulher, tornando a relação perigosa e psicopata. Ele pode impor pela força, pela agressão ou pela chantagem emocional, ou tudo junto, o que caracteriza violência doméstica, cada dia mais comum em países como a Austrália. No caso será a mulher quem vai estar insatisfeita e na primeira oportunidade ela vai escapulir ou trair-lhe na cara, como fazem as australianas, antes de serem assassinadas. Tal oportunidade poderá nunca aparecer se ela continuar com medo, sem denunciar e sem o apoio de ninguém, tornando a relação a pior possível. Para tal homem, a relação pode ser considerada satisfatória pois ele sempre terá sexo quando quiser, através do abuso sexual, sem se importar com o que a mulher está achando. Ela lhe serve e pronto. Para a mulher, dificilmente ela estará satisfeita em servir de balde de esperma e ela pode acabar sendo a assassina.
  3. A terceira reação é a de impor sua masculinidade e respeitar a feminilidade da mulher, ou seja, estar ciente das diferenças entre homem e mulher. Esta é a relação correta. É preciso ambos estarem de acordo, no entanto, pois a mulher sempre tentará impor suas verdades, suas necessidades, e cabe ao homem neutralizá-la com jeito a fim de proteger as suas próprias necessidades e mantê-las, apesar das reclamações e pressões comuns que as mulheres proporcionam sem se controlarem. Muito poucos homens tem esta determinação, esta personalidade, esta certeza e firmeza, mas toda mulher tem a mesma mania de tentar "betalizar" seu macho alfa. Sua intenção é sempre torná-lo mais doce e palatável, porém quando elas conseguem isso, aquele homem já não lhe interessa mais. Ela o faz sem querer, é de sua índole, sua formação feminina. Cabe ao homem proteger-se e manter suas qualidades, que são justamente o que elas gostam mais. Se o homem faz o que elas demandam, elas acabam perdendo o interesse pois este deixa de ter a personalidade inabalável que ela mais almejava ter a seu lado. Cabe ao homem balancear a relação porque a mulher tem tendência a não saber exatamente o que é ser homem, principalmente se ela veio de um lar com poucos modelos masculinos ou modelos fracos.
Essa é a melhor de todas, esse é o macho alfa.
Para mim este é o principal erro dos masculinistas, dos tais machos alfa, não entender as mulheres. Se as mulheres também não entendem os homens, elas vêm depois, pois afinal são os homens aqueles que tem por missão proverem a família, enquanto as mulheres são providas, a não ser que tais mulheres recusem o papel feminino, pois mesmo se elas forem as ganha-pão da família enquanto os homens ficam em casa desempregados e cuidando dos filhos, isso não muda a personalidade intrínseca dos dois, apesar de tantas controvérsias, tanta confusão, e tanta troca de papéis por aí.

Por causa disso, a tendência dos homens é acharem que só serão felizes "espalhando esperma mundo afora", com toda prostituta que se atravessar na frente deles, desprezando a relação a dois. Nada mais longe da verdade quanto à felicidade do homem. 

Dar uma investida na mulher não é a mesma coisa que investir na
mulher divertida de vestido.
O amor ainda fala mais forte tanto para os homens quanto para as mulheres e qualquer outra coisa mais, e é o amor que permite o respeito que faz qualquer relação durar. Quando um homem encontra a mulher de sua vida, as outras deixam de existir para ele e não justificam o investimento. Se elas ainda existirem e lhe chamarem a atenção, é porque ele realmente não achou a mulher de sua vida. Certamente que ele ainda se mantém interessado nas outras, mas é um interesse que não lhe dá coragem de investir, em que ele fica enfadado só de pensar nas complicações advindas de uma simples transa, caso ele chegue até lá. E a principal complicação é perder a sua mulher ideal como num passe de mágica instantâneo. Sua mulher e sua eventual família, ou seja, seus filhos. O preço torna-se muito caro para uma aventura qualquer. Mas mesmo assim, muito homem cai nesta armadilha, nem que seja só para mostrar para os outros que ainda tem gás.

Carnaval de São Luiz, 2013
A partir deste raciocínio errôneo de que todo macho alfa tem que ter milhares de mulheres, todo o resto dos princípios elegidos por eles vão por água abaixo e na mesma linha. Ou seja, a base principal está errada, então tudo o mais está errado também.

Quando eles assumem tal coisa, tudo isso não passa de auto-preservação, o grito de independência dizendo "estou aqui, estou vivo, eu sou isso aqui, me deixem, eu não sou gay...". Na realidade sexo desenfreado é apenas mais um vício como outro qualquer, e vícios não trazem satisfação, apenas mais e mais necessidade. A pessoa tem sexo desarvorado até encontrar alguém que merece estacionar-se. A partir daí, toda a vida de orgia se esvai naturalmente. Se isso não acontecer, é porque a pessoa não é a mais perfeita para a outra.

Caso alguém tenha dúvidas sobre isso, a única coisa que posso dizer é que só sabe quem tem. Quem não tem a mulher da sua vida não pode sequer imaginar o que isso significa.

Para ler: http://goodmenproject.com/featured-content/j1b-the-dream-of-an-inclusive-masculinity-gmp/

Sniper

O que pensa um sniper (franco-atirador)? Por ocasião do lançamento do filme "Sniper", o The Guardian fez uma reportagem bastante interessante e esclarecedora. Veja o artigo traduzido do Inglês abaixo. Veja bem que não sou eu quem inventei o que está escrito aí...

http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/jan/26/america-morality-blind-spots-guantanamo-bay-king-abdullah-hypocrisy-civilisation?CMP=ema_565

Bradley Cooper como U.S. Navy SEAL Chris Kyle (dos United States
Navy's Sea, Air, Land Teams - Equpes de Terra, Mar e Ar da Marinha
dos Estados Unidos)
O Filme "Sniper" Ilustra os Pontos Cegos da Moralidade Norte-Americana

Por Gary Younge

Seja o que se diga aqueles que gostam do filme americano Sniper, e as pessoas tem dito, você tem que admitir que ele é de uma clareza surpreendente. Trata-se de matança. Não há moral; nenhuma angústia sobre se a morte é necessária ou se aqueles que são mortos são culpados ou não. "Estou preparado para encarar meu criador e responder por cada tiro que dei", diz Bradley Cooper, que interpreta o falecido Chris Kyle, um SEAL da Marinha que era tido como o atirador mais letal da história americana. Não há dúvida nenhuma e nenhum dilema discursiva sobre se a guerra do Iraque, onde a matança acontece, se é legal ou justificada. "Eu não ligo a mínima para os iraquianos", escreveu Kyle em seu livro de memórias onde ele se refere à população local como "selvagem".

Inventaram a boneca muçulmana que fala.
Só que até agora ninguém teve coragem de
puxar a cordinha... para o sniper, ninguém
é inocente.
O filme celebra um homem que tem um talento para fotografar pessoas mortas quando elas não estão olhando, e que, aparentemente, gosta de seu trabalho. "Após a primeira morte, as outras vêm fácil", escreve Kyle. "Eu não tenho que mentalizar, ou fazer qualquer coisa especial mentalmente. Eu olho através da luneta, coloco meu alvo na mira, e mato meu inimigo antes que ele mate um de nós."

Os americanos estão comemorando o filme. Ele foi indicado para seis Oscars e teve a maior estréia da história em janeiro. Quando Kyle mata seu rival, um franco-atirador sírio chamado Mustafá, com um tiro a quilômetros de extensão, o público aplaude. Ele tem se saído muito bem em meio aos homens e nos mercados do sul e centro-oeste, onde a indústria cinematográfica não esperava ganhar muito. E enquanto o seu apelo é forte no coração da América, ele também tem viajado muito bem, proporcionando melhores fins de semana na abertura da carreira de Clint Eastwood no Reino Unido, Taiwan, Nova Zelândia, Peru e Itália.

É assim que dentro das algumas semanas em que o mundo desenvolvido vem se unindo para defender a cultura ocidental e os valores do Iluminismo (Enlightenment), o filme produz um herói popular de celulóide, que tem a tarefa de não satirizar o Islã, mas assassinar muçulmanos. Ameaças aos americanos árabes e muçulmanos triplicaram desde que o filme foi lançado, de acordo com a Comissão Anti-Discriminação dos Americanos-Árabes. Não é difícil perceber porquê. "Se você vê alguém de cerca de 16 a 65 anos e é do sexo masculino, atire neles", escreveu Kyle, descrevendo sua compreensão das regras de combate no Iraque. "Mate todos os homens que você ver. Não era a ordem oficial, mas era essa a idéia."

Aproveitando o papo de mundo ocidental, uma propagandazinha de
uma das nossas bandas prediletas, o Spandau Ballet, filme Almas
dos Rapazes do Ocidente. A banda é britânica new wave, formada
nos anos 70. O nome da banda veio da frase "Spandau Ballet"
(O Balé de Spandau) rabiscada na parede de um banheiro numa boate
durante uma visita do journalista e DJ Robert Elms a Berlim. O nome
refere-se à prisão de Spandau e à quantidade de enforcamentos
ocorridos lá, especialmente em 1945-1946, envolvendo criminosos
de guerra nazistas, quando as vítimas se contorciam e saltavam na
extremidade das cordas. A expressão "Spandau Ballet" também era
uma gíria usada por tropas aliadas nas trincheiras da Primeira Guerra
Mundial a qual se refere ao contrair-se dos cadáveres pendurados
no arame farpado de Spandau e repetidamente sendo alvo do fogo
de metralhadora das linhas alemãs. Crítica e humor negro catatônico.
O Ocidente não enxerga a si próprio da maneira como os outros o enxergam; na verdade ele muitas vezes não enxerga os outros de jeito nenhum. Solipsístico (solipsismo é uma teoria na filosofia na qual sua própria existência é a única coisa que é real ou que deve ser divulgada) no seu sofrimento e narcisista em seus impulsos, promove-se como defensor de princípios que não mantém, e uma moral que não pratica. Isso por si só não seria bastante para distingui-lo da maioria das culturas. O que faz a diferença no Ocidente é a força física e filosófica com as quais ele constrói simultaneamente o seu motivo de superioridade e o contradiz ao mesmo tempo. É aí onde reside a disfunção em que ele continua perpretando coisas odiosas enquanto expressa perplexidade o que faz com que algumas pessoas o odeiem. Do mesmo jeito que somos pegos continuamente de surpresa, outros têm optado por não ignorarem suas humilhações, dores, raivas e tristezas, ao contrário de nós.

Nacionalismo no dia da Austrália, 27 de janeiro de 2015.
"O nacionalista não só aprova as atrocidades cometidas pelo seu próprio lado", escreveu George Orwell em Notes on Nationalism (Notas Sobre Nacionalismo). "Mas ele tem uma capacidade notável para nem sequer ouvir falar sobre elas... Se tais obras eram reprováveis, ou mesmo se elas aconteceram de verdade, sempre foi decidido de acordo com a predileção política." Quando essas contradições estão enraizados na história, este sofisma pode ser perfeitamente enterrado pelo tempo. Se Osama Bin Laden e Saddam Hussein já foram nossos aliados e se tornaram inimigos, então que assim seja. Necessidades prevalecem. O que está feito está feito. A história que é inconveniente, convenientemente perde seu legado; um passado desagradável perde sua conexão com um presente infeliz. Referências a genocídios e colonialismo são consideradas agravos fétidos de outrora. Por que manter trazendo coisas antigas à tona?

Mas o que devemos fazer com esta hipocrisia quando ela se dá em tempo real; quando o princípio devotamente mantido está sendo desrespeitado descaradamente ao mesmo tempo em que é exaltado? Por mais de uma década os EUA condenaram os direitos humanos em Cuba, mesmo quando operava uma instalação exatamente naquele país, Guantánamo Bay, que viola abertamente esses mesmos direitos.

Duas caras
Na esteira dos ataques terroristas em Paris, Tony Blair disse em uma reunião a portas fechadas com cerca de 300 republicanos que força era necessária para confrontar o Islã radical. O secretário de Estado dos EUA John Kerry descreveu o ataque como "um confronto maior, não entre civilizações, mas entre a própria civilização e aqueles que se opõem a um mundo civilizado". 

Pode-se supor que a Arábia Saudita, onde as mulheres não podem dirigir e os ateus são tratados como terroristas, está do lado errado do confronto. Afinal, lá se decapita mais pessoas do que o Isis e tem sido uma das principais fontes de financiamento das organizações terroristas. Não é certamente nenhuma fã da liberdade de expressão. Dois dias após os assassinatos nos escritórios da Charlie Hebdo em Paris, o blogueiro saudita Raif Badawi foi açoitado 50 vezes depois de ser considerado culpado no ano passado por insultar o Islã. Seus pedidos de mais liberdade política e religiosa deixou-o com uma sentença de 10 anos de prisão, e mais 950 chicotadas para serem administradas a uma taxa de 50 por semana.

Mas quando o líder da nação, o rei Abdullah, morreu na semana passada, Kerry o saudou como "um homem de sabedoria e visão. Os EUA perderam um amigo e o Reino de #SaudiArabia, o Oriente Médio e o mundo perderam um líder reverenciado", enquanto Tony Blair twittou: "Ele era amado por seu povo e fará muita falta".

Apontar para estas hipocrisias não justifica nada. Buscar compreender a origem do ódio não equivale a tolerar atos odiosos, independentemente de quem está a cometê-los. Mas refletir sobre essas fontes é um precursor para um nível de auto-consciência que claramente está faltando e é claramente necessário. Os direitos humanos que não são valores ocidentais, mas universais, tem estado em perigo quando as pessoas escolhem qual espécie de humanidade estão preparadas para respeitarem e protegerem, esperando que ninguém vá notar.

O autor uruguaio Eduardo Galeano me disse uma vez que a aparente relutância em aprender com o passado o assusta. "Meu grande medo é que todos nós estejamos sofrendo de amnésia", disse ele. "Eu escrevi para recuperar a memória do arco-íris humano, que está em perigo de ser mutilado."

Perguntei, quem é responsável por esse esquecimento? "Não é uma pessoa", ele explicou. "É um sistema de poder que está sempre a decidir em nome da humanidade sobre o que merece ser lembrado e o que merece ser esquecido... Nós somos muito mais do que nos é dito. Nós somos muito mais belos." Somos muito mais iguais do que nos é dito também.

Língua ferina
Kyle era um homem da classe trabalhadora jovem que estava perdendo o rumo na vida quando percebeu que as pessoas com quem ele se identificava estavam sendo cruelmente mortas do outro lado do mundo (de acordo com o filme, ele foi radicalizado pelos ataques às embaixadas no Quênia e na Tanzânia em 1998) e decidiu inscrever-se para ir matá-los como revide. Soa familiar? "Eu não vejo muita diferenca", escreveu ele." Se eu tivesse que organizar as minhas prioridades, elas seriam Deus, país, família. "Ele era tão jihadista em seu uniforme como seu inimigo, Mustafá, era um soldado à paisana.

Fim do artigo do The Guardian.

Minhas Considerações

Voltando ao filme "Sniper", ainda não assisti, mas como Clint Eastwood está envolvido, acredito que haja justiça na mensagem. Está me parecendo que seu filme tem sido manipulado para juntar-se ao arsenal que está formando a opinião pública ocidental para apoiar a terceira guerra mundial, aquela contra um inimigo indeterminado e atemporal, ou seja, os muslins e quem quer que seja que se associe a eles ou seja assim defamado como tal pelo pé da mídia na coligação. Isso me leva a lembrar que a guerra de Constantinopla tratou do mesmo assunto há mais de 500 anos atrás... com a diferença de que hoje a guerra não é entre o império romano e o império otomano, a guerra agora é global, planetária, para o controle de todos os impérios através de um só, o império do dinheiro e do poder absolutos. 

Cuidado, Nova Ordem Mundial à frente. Perigos potenciais são,
alistamento militar, terceira guerra mundial, vacinações forçadas,
 complexo de prisão industrial, despopulação controlada pelas
elites.
Nesta nova guerra não tem nação vencedora.

Vencedora será uma elite bilionária dominante de várias nacionalidades, irmanadas através de um simples e único objetivo. Aliás, dois: dinheiro e poder. Vitória dos materialistas... se os espiritualistas socialistas deixarem.

Só mesmo com mágica para impedir-se isso...

O maior impecilho desta realidade é a China. Aliás, a China só não, o BRICS. Por isso já está-se dando um jeito na Rússia. Quem imaginaria que a simples manipulação dos preços do petróleo para baixo seria o bastante para quebrar as pernas da economia russa? Sanções interessantes para punir algo que Putin não fez, que foi derrubar aquele tal avião. 

E quanto à outra perna do BRICS chamada Brasil, pobrezinho? Só o escândalo da Petrobras tem sido o bastante para chacoalhá-lo. Metade da mídia internacional agora malha o pau no Brasil, enquanto a outra metade ainda acredita em justiça. Nem me falem no The Economist. Este órgão é o pior de todos, seguido do The New York Times. Mas vejam bem, quem fala aqui é um beócio que não sabe de nada. Não me comprometam...

Cada dia se aproxima mais da necessidade da hegemonia espiritual brasileira sobresair-se no mundo. Mas com o povo brasileiro do jeito que anda hoje em dia, acho melhor darmos adeus ao futuro do país. Ou será que ainda temos chance? Suponho que temos... estou falando do povo e não das elites brasileiras. 

O que será que está escrito neste livro, Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (psicografia de Chico Xavier - ditado pelo espírito Humberto de Campos)? Ainda estou para lê-lo...

Agora um bônus de 12 minutos para quem é macho:

Propaganda da Ford fode com os pneus de um Mustang 4x4 na frente de policiais pagos para manterem a cidade de Los Angeles, o paraíso dos motoristas, livre durante as filmagens. Quem já fez um pouco disso, levante o dedo. 


Outro bônus de 9 minutos para os machos que gostam de construir com sofisticação:

O torno CTX gamma 2000 TC com giro e fusos de fresamento poderosos e torque motor no eixo B permite usinagem completa, pesada e sofisticada. A sequência do vídeo mostra de uma maneira pormenorizada, uma grande variedade de operações usando esta tecnologia.

Update: Tornaram o vídeo acima privado. Mas achei este:


Viu que jóia rara esta engrenagem fictícia contruída poeticamente e que não serve para nada? Para quem teve cursos de mecânica a nível técnico como pre-requesitos para o curso de engenharia, ver esta máquina trabalhar sozinha com tanta precisão e beleza dá um grande prazer de confirmar que estamos vivendo numa época única na história da humanidade. Melhor do que isso só a morte, no Nosso Lar...