sábado, 17 de junho de 2017

Canguru de Galo

Duas décadas dirigindo nas estradas da Austrália, particularmente em Canberra, a capital federal, onde suas vias são verdadeiras estradas do interior devido ao layout da cidade ter sido planejado ao estilo cidade jardim em que um certo número de bairros é separado dos outros por reservas florestais e em que, para se entrar em cada bairro, só existem uma ou duas entradas de modo a mantê-los segregados, o que não impede os delinquentes de aterrorizarem os moradores com seus pegas de carros velozes, roubados e usados para queimar pneus e marcar as ruas com riscos negros, e eu não havia ainda tido um encontro fatal com um canguru.

Cangurus estão em toda parte neste país, principalmente no inverno frio. Eles parecem gostar do lusco-fusco, talvez porque tudo fica da cor deles, ou seja, cinzento, e eles assim se camuflam, para o horror dos motoristas que vivem os atropelando não só por esta razão mas principalmente porque parece que eles são bichos completamente estúpidos, ignorantes e sem educação, parecidos com certos jumentos brasileiros. Dizem que eles chegam a pesar 90kg e podem atingir até 60km/h pulando.

Quando eles resolvem atravessar as estradas, pouco se importam se o tipo de pavimento mudou sob seus pés, nem eles reduzem a velocidade de seus pulos imensos, nem eles olham para os lados, e desprezam até os holofotes dos caminhões, sem ligar para o povo, como certos jumentos brasileiros.

Típico caminhão trem da estrada, este da Western Star Trucks, na
Austrália
Para se resguardarem, é prática daqueles que viajam muito, como caminhoneiros ou moradores de fazendas, proverem seus veículos com imensos pára-choques de canos de ferro e os pára-brisas com redes metálicas, fazendo seus veículos parecerem blindados como os dos filmes da série Mad Max, não por acaso criada e filmada na Austrália.

Mas a maioria dos carros normais não tem estas gaiolas pesadas instaladas na frente de seus carros, então um encontro com estes bichos pode ser fatal, principalmente dependendo do tamanho deles e dos carros.

Até que chegou o dia em que finalmente tive o fatal encontro com um canguru na estrada, algo que todo australiano espera acontecer algum dia de sua vida, devido à frequência em que isso acontece. Nas estradas vemos diversas carcassas de animais atropelados, principalmente cangurus, como rotina, mas também wombats e raposas, mas nunca pensamos realmente que um dia poderemos ser aquele que atropelou um bicho desses.

Meus encontros com cangurus se resumem a vê-los nos acostamentos, parados ou pulando, mas na direção da pista, sem atravessá-la, ou então pulando e vindo na minha direção no meio de uma estrada larga, dando tempo de freiar e ligar os pisca-alertas para avisar aos outros motoristas de que tem perigo na estrada.

Mas desta vez o canguru resolveu vir ao meu encontro para dar-me um beijo. Ele saiu de uma moita, mas calculou errado e levou um tapa na cara do meu espelho retrovisor do passageiro. Cheguei a vislumbrar sua cara de canguru pelo vidro fechado da janela do passageiro através do rabo do meu olho, mas como sempre acontece em todo acidente, foi tudo tão rápido que o que tive que fazer foi controlar o carro descontrolado após o tal encontro fatal.

A porrada do espelho fechando-se fez um barulho tão grande que pensei que o carro estava todo machucado e ia custar caro para reparar além de que talvez fosse ficar sem carro por um tempo e chegar atrasado no trabalho naquele dia.

Sim, a gente dirige pelo
lado esquerdo num país
de direita
Passei um susto daqueles. Ia pelo atalho Narrabundah Lane (se fala "narrabanda"...) para o trabalho às quase 7 da manhã, sem carros ao redor, quando um canguru me acertou. Tentando controlar o carro, ele rodopiou na estrada e foi parar no acostamento de grama do mesmo lado, mas não virou nem bateu em nada. 

Fui olhar o dano e não achei absolutamente nada a não ser a capa do espelho retrovisor externo do lado do passageiro que sumiu, foi arrancada, mas o espelho estava funcionando direito com todos os seus mecanismos elétricos. Olhei para a estrada e não vi canguru nenhum, canto mais limpo. Não pensei em voltar para procurar a peça que caiu do espelho, imaginei-a quebrada, mas fiz isso mais tarde, quando saí do trabalho. Fui catando os caquinhos da peça plástica branca, mas nenhum sinal de canguru ou de acidente, exceto as marcas dos pneus na pista, exatamente como eu imaginava que tinha sido o trajeto. 


Estava muito frio e meio escuro ainda na hora do encontro. Como foi depois de uma curva, talvez o canguru estivesse lá ainda, depois da curva, mas eu não fui ver, só pensei em ver se o carro estava funcionando direito. Eu não iria chamar nenhuma ambulância para ele mesmo. Só passou um carro de volta que diminuiu um pouco quando me viu circundando meu carro pra ver se tinha dano. Circundei de novo, minuciosamente, quando estacionei no trabalho, intrigado, mas não havia marca de nada além da falta da capa do espelho.


Se você colocar "car hit by kangaroo" no Google imagens vai ver cenas de arrepiar. Para mim, serve para agradecer a Deus (ou Alah). Uma fração de segundo a menos e teria batido de frente.

O interessante foi que o carro controlou o que poderia ter sido um acidente feio. Ele e Deus (ou Alah). Se viesse carro no sentido contrário, poderia ter sido um acidente medonho. Eu estava na velocidade marcada para a estrada, 80km/h, e não se poderia prever tal acidente por mais atenção que se tivesse. Nem câmera pegaria a causa do acidente.


O carro rodopiou como este...
Como era uma curva, na tentativa de parar o carro rapidamente, isso fez ele continuar como se fosse lógico na curva sem saber que ela já havia terminado, e dirigiu-se para o acostamento da esquerda, e quando virei a direção pra direita a fim de compensar, ele continuou desta vez pra direita, atravessando a faixa, mas acabou voltando pra minha faixa e parando no acostamento, em sentido contrário e meio enviesado conforme a figura do trajeto que desenhei acima, uma vez que evitei bater numa árvore do outro lado e acertar dois pauzinhos que, mais tarde, eu verificaria marcavam um grande buraco de esgoto que, se o carro tivesse caído dentro, seria preciso guinchá-lo. 

Durante as manobras, senti que ainda tenho sangue frio para reagir conforme a situação mesmo depois dos "entas" anos, por mais rápida que ela aconteça, sem entrar em pânico nem deixar sem tomar a atitude adequada, virando pra cá ou pra lá conforme a dança, pra evitar bater nisso ou naquilo, apesar da síndrome de letargia que atinge os motoristas na Austrália por causa do excesso de "segurança" que praticamente lhe roubam a capacidade de reação. No Brasil, como sempre gosto de dizer para os australianos, somos obrigados a dirigir sob tensão devido ao grande número de idiotas e aos perigos sem placas de sinalização e advertência adequadas em toda parte, então estamos sempre prontos para o perigo, reagindo com velocidade e precisão. Pois bem, parece que isso é como andar de bicicleta, uma vez aprendido, nunca mais se esquece.


Sem VSC, com VSC
Os sistemas do carro são Controle de Estabilidade do Veículo (VSC) e Controle de Tração (TRC). O VSC ajuda a evitar a derrapagem nas curvas e é particularmente útil em superfícies úmidas ou escorregadias, ajudando a garantir que o carro vá para onde estiver direcionado pelo motorista. Isso talvez queira dizer que eu não devia ter tido nenhuma reação, e o carro pararia sozinho. Exceto que eu estava saindo de uma curva, e portanto tive que fazer meu papel de colaborador do carro inteligente.
O TRC ajuda a minimizar a rotação da roda ao se reduzir ou acelerar em superfícies escorregadias, o que é particularmente útil ao sair numa subida embaixo de chuva, quando as rodas da frente em carros com tração dianteira (quase todos) derrapam.

Com ABS, sem ABS, ponto da freada. O pontilhado significa que 
as rodas agarram e soltam ao invés de travarem e derraparem. 
Até então eu não sabia como funcionava e por isso reclamava 
da vibração extemporânea
O terceiro controle é o ABS, Sistema de Freio Inteligente, para ajudá-lo a travar com segurança em todos os tipos de condições e situações de condução, é um sistema de freio altamente sofisticado que inclui Sistema de Travagem Antibloqueio (ABS), Auxiliar de Freio (BA). Se houvessem um Sistema de Segurança Pré-colisão (PCS) com Aviso de Colisão Direta (FCW) e Freqüência de Emergência Autônoma (AEB), eu queria ver como eles iriam funcionar neste caso de colisão lateral.

Suponho que, com ou sem estes trecos aí, o motorista ainda tem um papel, caso contrário não haveriam tantos acidentes com carros chiques na estrada. Assim, não se pode virar a direção muito, porque o carro tende a capotar, é preciso controlar a virada com precisão matemática, dosando as reações com as respostas dos tais controles, e isso tem que ser pensado em frações de segundos com os olhos vendo e avaliando tudo ao redor, uma reação praticamente automática e baseada em nossos sentidos. Minha atitude foi dosada pelos reflexos automáticos não conhecidos do carro. Senti quando os sistemas de segurança do carro tomaram o controle evitando derrapagem, junto com o freio ABS que também não deixa o carro desestabilizar sem controle, e por isso ele parou rapidamente e sem capotar. Se eu queria testar como funcionavam tais sistemas, conforme ventilei ao vendedor quando comprei o carro, agora já tenho prática.


Inclusive, vi numa revista que o povo reclama deste modelo de carro porque o dispositivo dos freios dá um tranco quando freiado de repente. Disseram na concessionária que é uma particularidade deste mecanismo, assim como o pessoal dos serviços de manutenção também me disse, pois eu pensava que era defeito, já que é raro de acontecer. Senti este tranco quando ele forçou o carro a parar. Quer dizer, a escorregada foi mínima, toda controlada pelo sistema. Você sente quando o carro começa a escorregar e imediatamente o sistema controla evitando. Suponho que o tranco faz com que os pneus agarrem na pista ao invés de soltarem-se, e olhe que os pneus que comprei por último gostam de escorregar com facilidade. Eu posso não confiar nos pneus, mas agora confio mais na corporação global japonesa que fez o carro.

Liguei o carro, ele pegou normalmente, e prosseguiu normal na estrada até o trabalho, com perfeição e precisão, sem sequer baixar nehum pneu.

Canguru com galo por aí...
Engraçado que eu vinha atento a cangurus, como que prenunciando porque sei que eles gostam daquela temperatura fria e quando está tudo escuro, é quando eles mais são atropelados, até porque são da cor do lusco-fusco, da cor de Canberra, como diz minha mulher, 50 tons de cinza. 

Mas foi ele que me atropelou, saiu do nada, e me atingiu de lado, eu jamais poderia tê-lo visto para evitar. Posso acreditar que ele deve ter freiado quando viu o carro em cima dele e só meteu a cabeça no meu espelho. Ele não tinha freio ABS e deve ter ganho um galo. O espelho bateu e fechou com um barulhão, pá!, sequido de um barulhinho de bru-lu-lu-bi-lu, que deviam ser as patas do bicho atrapalhado. Pensei que o carro teria um baita machucão, mas não tinha nada, nem um risco. 


Quer dizer, essa de canguru na estrada é uma verdadeira loteria na Austrália, você nunca sabe, mas um dia pode acertar.


Como Funciona o Controle Anti-Deslizante e o Freio ABS

Quando se freia muito rápido, a tendência é as rodas travarem e o carro escorrega na pista perdendo-se o controle pois ele vai para onde quer, riscando o chão de preto como a gente vê as marcas por ai. Isso não quer dizer que boyzinhos não possam controlar seus carros roubados para riscarem o chão de propósito, pois eles roubam carros potentes antigos e sem ABS, que são os preferidos da juventude australiana desocupada. Um dos meus carros velhos australianos foi um Fordão Falcon SS, que foi roubado, é claro. Mas recuperei e sem dano, porque devo ter merecido.

Acho que os cachorros não querem se molhar...
O freio ABS não deixa as rodas travarem, ele dosa a desaceleração de um jeito que o carro não derrape, soltando e prendendo as rodas, o que causa o tranco. O que faz o carro não derrapar é as rodas continuarem rodando porque os pneus agarram na pista, desacelerando mas sem perder a aderência. Se derrapar, perde-se o controle, se não derrapar, ainda se tem controle do carro e ele pára mais rápido, em menor distância, sob o comando do motorista. Eu não escreveria isso aqui se não tivesse passado pela experiência.

Por cima disso tem o controle de deslizamento mesmo, que é outra coisa. Quando o computador sente o carro se comportando diferente, ele toma o controle das rodas e do motorista, e dosa a velocidade de modo a não perder a aderência na pista e nem a direção. Assim, quando atravessamos uma parte alagada de uma estrada de repente, o carro tende a dançar e sair do controle, desviando-se da trajetória. É quando o sistema entra em ação e quando o carro vai pra um lado, ele corrige para o outro, e assim mantém a linha reta sem deixar o carro sair da direção normal e atingir os outros ou sair da estrada. Mas e quando a derrapagem é de lado? Sempre haverão excessões...


A gente sente quando o carro está se comportando sozinho, fazendo coisas que não estamos mandando, o que soa como desgovernado, mas ele está mais no controle do que nós, motoristas. Já senti isso umas duas vezes na estrada quando passei por cima de água escorrendo na pista. A gente tem até susto porque o carro está fazendo coisas que não estamos mandando. É como o controle de velocidade, cruise control. No início, quando eu não estava acostumado, estranhava quando ele acelerava sozinho subindo os morros. É que quando o carro está subindo o morro, a tendência é reduzir a velocidade por causa da resistência e do esforço, mas o controle não reduz, ao contrário, ele compensa acelerando mais para manter a mesma velocidade de cruzeiro, então isso nos dá um susto porque nossa intuição nos diz para reduzir, e ele está acelerando. Vem o pânico, carro maldito, cê tá louco? 


O susto é maior quando ele faz isso no topo de um morro que logo a seguir tem uma descida. Como o controle não freia, o carro aumenta muito a velocidade na descida, nos dando mais um susto. Foi assim que aconteceu na frente de uma patrulha lá perto da escola secundária dos meus filhos em Canberra. Para o guarda, parecia que o carro vinha à toda velocidade, quando foi o controle que "errou". Mas devia ainda estar dentro da tolerância de 30% a mais da velocidade limite porque a patrulha não fez menção de nada.

Moral da Estória


Você sempre vai encontrar um canguru na sua vida na Austrália. Colegas falaram sobre vários encontros de conhecidos com cangurus que destruíram seus carros, e até causaram acidentes fatais, com mortes de ambos os lados.


Convicção dalanhosa: Cangurus são bichos perigosos, assassinos, à sua espreita na calada da noite, líderes de organizações criminosas que comem criancinhas! Precisa desenhar?

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Educação É um Caco

São tantos os assuntos interessantes e importantes veiculados pela mídia dita "alternativa" nacional brasileira que fico sem assunto para postar, é melhor ir lá e ler, ler e ler até não acabar mais, diariamente. Assim deveria ser a mídia brasileira em geral, interessante e valiosa. Mas qual o quê?...

Assim foi que ontem desenterrei duas jóias obras de arte do passado longínquo, que não é tão longínquo assim e cujo cerne está até mais atual do que os debates de hoje. Obviamente que vêm de Leonel Brizola, figura que todo mundo já ouviu falar, fundador do partido PDT, ao que a presidenta "impeachada" Dilma Roussef pertenceu.

Uma jóia está aqui. Caco Barcelos Diz que Estudou Graças a Leonel Brizola:



A outra jóia vem diretamente do Leonel, cujo nome por pouco não denominou meu filho, uma vez que a oposição dos parentes não rezava na mesma cartilha minha, e para não aumentar a controvérsia que se parecia com a dos dias de hoje entre os carrascos de Lula e seus defensores lógicos, resolvi atendê-los. Brizola Detona a Globo, na Globo, para o eterno pulsilânime Jô Soares:



Esta é uma prova de que a situação do Brasil tem sido sempre a mesma, e após a era do PT, tudo voltou ao "normal", porque sob o PT era tudo "anormal", "impossível". Aquilo era o que poderíamos chamar de real "regime de excessão", porque a regra é essa aí que todos estão vendo, depois do golpe de 2016. Aliás, estão vendo não, porque a mídia que o grande público brasileiro assiste e com que se alimenta lhe mente, mente tanto, mas tanto, que ninguém acredita que alguém ou algo possa mentir assim, é impossível, não é mesmo? Pior que não... mente porque tu merece.

Resolvi fazer este post curtinho, assim ele é publicado, pois tenho vários outros "cozinhando" e esperando ilustrações para serem finalizados, o que os atrasa. 

domingo, 28 de maio de 2017

Lava Jato a Jato

Os acontecimentos nacionais estão tão rápidos que não dá nem para eu acompanhar aqui no blog, uma vez que não vivo exclusivamente para ele. Para isso coloquei os links de fácil acesso para os principais sites da mídia alternativa aí do lado, assim quem chegar aqui, vai ter o que ler que não acaba mais, escrito por jornalistas de verdade. E também descobri que posso dar uma chamada aqui no blog para as manchetes mais novas de cada um destes sites dos jornalistas conforme lista mais embaixo.

Ou eu finalmente encontrei minha turma e onde achar notícias verdadeiras, interessantes e por vezes tão emocionantes que me enchem os olhos de água (por causa da poeira e poluição australianas), ou realmente as notícias decentes aumentaram muito em número, divulgação, acesso e leitura. Talvez as duas coisas. São tantos os artigos importantes que não dá nem para enumerá-los aqui com seus links. Só indo direto às fontes mesmo e escolhendo-se o que se quer ler que melhor se adapte ao gosto de cada um.

De duas semanas pra cá, pelo menos, consegue-se enxergar de novo uma luz no fim do túnel. Até então o país parecia haver sido sequestrado, desta vez por uma organização criminosa de verdade, e não aquela que tantos vêm tentanto imputar no Partido dos Trabalhadores e seus líderes por óbvias razões de afastarem de si tais rótulos. Parecia ser um sequestro eterno, ou de pelo menos mais 20 anos de desgraça.

Enquanto isso, os países em desenvolvimento bem como os mais pobres do mundo se unem sem cobertura da mídia bilionária, para fazerem frente às tentativas de domínio global pelas elites corporativas, principalmente norte-americanas, ou seja, está acontecendo a reação dos desvalidos, nem tanto assim indefesos, ignorantes e ineptos, e isso não é só no Brasil.

De que lado eu estou? Ora, como verdadeira classe média brasileira vivendo no exterior maravilha eu só posso estar de acordo com... a contra-situação! Ah, esperavam que eu dissesse o contrário, não? Bem, aprendi desde cedo a olhar para os outros, a me colocar na pele dos outros, e me foi ensinado que pele é pele, não importa a cor, e outros são quaisquer outros, e não apenas as elites ricas. E obviamente se tem mais pobre do que rico no mundo, o bom ser humano honesto e justo só pode tomar o partido da maioria pobre, até porque isso é muito mais difícil e consiste num desafio bem maior do que lamber o r... dos ricos, que isso é fácil.

Vocês não acham?

Não, eu sei que não pensam assim e pensam que só se é pobre porque não se trabalha, ou seja, a culpa é deles próprios, dos pobres... mas tem conclusão mais fácil e irresponsável do que esta?

Coloque-se no lugar do pobre... ah, não sabe como ele vive? Vai lá, que vai ser muito bem recebido, pois pobre adora receber atenção de rico...

domingo, 21 de maio de 2017

Mani Puliti Manipulada

Juiz da operação Mãos Limpas (Mani Puliti) italiana diz que, se agisse como o inspirado juiz brasileiro na Itália, estaria preso.

http://www.ocafezinho.com/2017/05/20/juiz-da-maos-limpas-diz-que-sergio-moro-seria-preso-na-italia/

E eis que uma grande rede de televisão que comanda o quinto maior país do mundo promove o impeachment de mais um governo em apenas 1 ano, dando um "furo" de reportagem ao propagar com fingida surpresa a delação voluntária do dono da Friboi, que não é o filho de Lula, incriminando fatalmente o governo do golpe e, de passagem, o presidente do partido mais glorificado dos últimos tempos, o PSDB, que acaba levando seus associados do arrebol, que incluem um dos "novos" de FHC, um apresentador de TV casado com a loira rival da Xuxa.

Vocês conhecem a vingança do lambástico touro? Não mexa com
ele. (Touro do logo da Lamborghini)
De repente, na comemoração de um ano do golpe do primeiro impeachment, em 2016, o cenário nacional muda radicalmente como resultado de uma verdadeira hecatombe atômica. A indústria da carne mostrou-se muito mais robusta do que a poderosa indústria da construção, quem diria.

Realmente há um "furo" na linha de reportagens da Globo porque a rede já sabia o que estava acontecendo 10 dias antes, mas antes de divulgar o fato, uma vez que os respingos iriam lhe atingir, ela magistralmente optou por lançar outra reportagem muito bem engenheirada ainda na linha da perseguição a Lula e o PT, a fim de reforçar a repugnância de seus telespectadores ao salvador da pátria em franca ascensão popular, para só então ser obrigada a reportar a queda dos algozes dele, seus ex-ídolos.

O pernambucano Alexandre Guimarães na previsão astral de
O Açougueiro no 25º Festival de Teatro de Curitiba, foto de Lina 
Sumizono/Clix. Parece que já estava "aduvinhando"...
Foi quando, antes da vingança do açougueiro, a maior rede de televisão brasileira abasteceu seu imenso público com um de seus maiores primores em manipulação da notícia. Ao prever que o sangue da navalha na carne podia espirrar em cima da rede impecável, no desespero da sobrevivência, fez seus repórteres trabalharem e passaram noites em claro para produzirem esta obra prima "jornalística" retrospectiva, estado da arte cujo objetivo era, já que não vai ser possível se safadeza, digo, se safar dessa, usar de todo seu poder e inteligência a fim de tentar enterrar de uma vez por todas o mito da alternativa política que está crescendo em disparada no Brasil, que ninguém parece mais poder conter, e o que mais seria senão a ascensão de Lula? 

"Pois bem, vamos ver, seu diabólico sobrevivente dos infernos vermelhos, lancemos todo o nosso poder a fim de 'desmascarar' aquele nunca foi mascarado como nós, vamos mostrar a todos com quantos paus de faz uma canoa", diria a rede se pensamentos já pudessem ser gravados.

Lula e o Massacre do Jornal Nacional

https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-e-o-massacre-do-jornal-nacional

Por João Feres Júnior — publicado 12/05/2017


Com quantos paus se faz uma canoa?
O principal telejornal da Rede Globo repetiu na noite da quinta-feira 11 a estratégia da edição em 1989 do debate entre o petista e Fernando Collor.

A prolongada crise política que engolfa o Brasil desde ao menos a eleição passada, em boa medida insuflada pela Operação Lava Jato, teve ontem um dos seus capítulos mais grotescos: a atualização feita pelo Jornal Nacional da edição do debate entre Lula e Collor, ocorrida em 14 de dezembro de 1989, às vésperas do segundo turno da eleição. Tal edição entrou para os anais do jornalismo brasileiro como exemplo máximo de manipulação midiática com fins políticos e projetou uma sombra que iria marcar o comportamento da mídia ao longo de todo período da Nova República até os dias de hoje.

Pois ontem, 11/05/2017, a Rede Globo de televisão repetiu no seu principal programa
jornalístico a mesma disposição para a manipulação da notícia com finalidade de produzir um efeito político:

Foto: Bonner e Vasconcellos: na edição da quinta-feira 11, quando
Moro substituiu Collor
  • A culpabilização de Lula e 
  • A transformação de Sergio Moro em um herói nacional da luta contra a corrupção. 
A edição foi em tudo excepcional.
    Duração

    Durou um total de 53 minutos e 18 segundos, enquanto uma edição normal do JN dura em torno de 30 minutos. 


    Do total, 42 minutos e 32 segundos foram gastos com material sobre Lula, ou seja, 80% do tempo total do jornal. 


    Duração
    Somente a narrativa do depoimento tomou 60% da edição, um total de 31 minutos e 41 segundos.

    A descrição detalhada da edição do Jornal Nacional da noite de 11 de maio precisaria de um livro para ser feita, tamanha a riqueza de detalhes. 

    Aqui vou apresentar um breve sumário. 

    Tom Grave

    Começamos pelo tom grave da apresentadora Renata Vasconcellos anunciando, no início do jornal, que iriam cumprir “o compromisso assumido ontem de mostrar detalhadamente o interrogatório do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva”, coisa que não foi possível no dia anterior porque os vídeos foram liberados muito tardiamente para a edição do jornal. 

    Logo em seguida ressaltam que Lula negou todas as acusações em relação à propriedade do tríplex. 

    Deboche Sutil

    Aí há um certo tom sutil de deboche, principalmente na expressão facial e vocal de Bonner quando relata as negativas de Lula.

    Animação

    Em seguida à introdução, Bonner começa a narrativa do interrogatório e imediatamente ao fundo aparece a animação de um cano de óleo jorrando notas de cem reais. 

    Tal animação seria mostrada em quase todas as matérias do seguimento sobre Lula, quando Vasconcellos ou Bonner apareciam na tela.

    Homer Simpson

    A estrutura narrativa segue o padrão Homer Simpson, lapidarmente definido pelo próprio Bonner ao comentar o estilo do JN. 


    Reforço das Imagens

    Os âncoras fazem uma narrativa do ocorrido e então imagens e falas são mostradas em vídeo, editadas de modo a repetir quase ipsis literis o que foi dito pelos âncoras. 

    Bonner começa por apresentar Moro dizendo que o juiz não tinha “nada contra Lula” no começo do interrogatório, cujo objetivo era o esclarecimento do caso. 

    Corta para o juiz falando tais coisas. 

    Seriedade

    Repetição à exaustão
    A imagem passada é de compostura e seriedade quanto aos procedimentos legais.

    Repetição à Exaustão

    Em seguida o JN mostra as negativas de Lula e depois sua recusa em responder perguntas sobre o sítio em Atibaia, mas já nessa notícia o jornal dá destaque para a repreensão feita por Moro a Cristiano Zanin, advogado de Lula, acusando-o de querer tumultuar a audiência, coisa que o juiz havia feito em outras ocasiões e que os jornais da Globo repetem à exaustão como fato.

    Desqualificação

    Mas a desqualificação da defesa de Lula não é o único elemento importante. 

    Contradição

    Contradição...
    Falando enquanto a animação das cédulas nos encanamentos de óleo corria ao fundo, Vasconcellos volta no meio da matéria para dizer que Lula se contradisse ao confessar que recebeu Leo Pinheiro e Paulo Gordilho em sua casa para discutir a reforma da cozinha do sítio que ele insiste não ser dele e para informar aos telespectadores que a acusação diz que a obra foi paga pela OAS. 

    Editorialização

    Ou seja, ela editorializa abertamente aquilo que é apresentado como uma narrativa dos fatos.

    Ataque

    Lula é então apresentado rapidamente atacando o MP, por induzir testemunhas a acusá-lo sem provas. 

    Na matéria seguinte a âncora começa com uma fórmula adversativa: "apesar das negativas veementes de Lula de que tenha sido um dia dono do tríplex, Moro confrontou o ex- presidente com a afirmação do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro”. 

    Coragem

    Ou seja, a enunciação ao mesmo tempo que desqualifica os argumentos de Lula, apresenta o juiz como corajoso e decidido.

    Emendam então o tema das indicações políticas dos diretores da Petrobrás. 

    Ironia
    Ironia

    O tom de Bonner aí é levemente irônico ao narrar a resposta de Lula, sinalizando que ele está mentindo. 

    Após longa enumeração de ilícitos cometidos por Renato Duque, ex-diretor da Petrobrás, e do fato de ele ter acusado Lula de ser o coordenador do esquema de propinas da Petrobrás, a âncora começa a narrar o questionamento de Moro acerca de encontro entre Lula e Duque. 

    Ligação

    Âncora...
    Esse seguimento, dominado pela narrativa dos âncoras, é montado de maneira a sugerir ligação inequívoca entre os dois personagens, a despeito das negativas do petista.

    Inconsistência

    No segmento seguinte volta a editorialização, agora na voz de Bonner, que acusa Lula de inconsistência no seu relato sobre a relação entre João Vaccari e Duque. 

    Influência

    Após uma breve passagem, na qual Vasconcellos introduz trecho no qual Moro questiona Lula sobre a indicação de diretores da Petrobrás envolvidos em práticas ilícitas, entra Bonner narrando o questionamento de Moro acerca da influência de Lula dentro do PT no tocante aos financiamentos de campanha.

    Fórmula...
    Fórmula

    A editorialização volta a ser explícita, com o âncora usando uma fórmula adversativa para dizer que apesar de ser “principal líder e fundador do PT”, Lula negou ter influência sobre o partido. 

    Aumento do Tom

    O tom dos âncoras sobe com a entrada de Vasconcellos dizendo que Moro apontou para uma contradição nas falas de Lula, contradição essa em seguida explicada por Bonner: uma vez ainda no seu primeiro mandato, Lula condenou o esquema do mensalão, mas depois disse que o julgamento foi 80% político. 

    Endosso

    Corta para cenas do depoimento em que Moro insiste para que Lula se pronuncie sobre sua relação com personagens implicados no mensalão, coisa a qual ele se nega, aconselhado pelos advogados. 

    Enquanto isso a animação das cédulas adorna o fundo da tela.

    Segmentação

    Repetindo a fórmula do âncora narrando o que o juiz em seguida repete nas imagens, Bonner começa outro segmento dizendo que Lula ameaçou processar delatores, policiais federais e até Moro. 


    Lula violento
    Violência

    O vídeo é editado para fazer parecer que Lula é violento e autoritário.

    Irresponsabilidade

    Vasconcellos então fala sobre as considerações finais, dizendo que Lula defendeu seus mandatos, mas que Moro o advertiu dizendo que aquele não era lugar para propaganda política. 

    Mais uma vez, o juiz é mostrado como compenetrado cumpridor das regras e Lula como irresponsável.

    O longo trecho sobre o depoimento de Lula se encerra com comentários sobre as falas finais do petista. 


    Ninguém falou para o inocente brasileirinho que se tratava da estátua
    de um roedor imóvel...
    Inocência da Mídia

    Vasconcellos narra que ele se diz massacrado por uma campanha de imprensa. 

    Após tal conteúdo, a imagem corta para Moro dizendo que a imprensa "não tem qualquer papel no julgamento desse processo". 

    Divisão do Tempo

    Em seguida, o que se vê são as colocações finais do juiz, a quem é dado farto tempo para atacar Lula, dizendo que ele, Moro, é vítima dos blogs que "patrocinam" Lula, e para se proteger dizendo que o processo transcorrerá normalmente.

    Exclusão

    Na última reportagem sobre o depoimento, o Jornal Nacional deixou de fora os números impressionantes do viés da cobertura midiática contra Lula, divulgados pelo petista ao fim de suas declarações. 

    Astúcia

    A astúcia dos jornalistas globais parecia não estar direcionada para captar contradições na fala de Moro, particularmente na defesa que fez da imprensa. 

    Esquecimento

    Ora, pois o juiz defendeu em texto sobre a operação Mani Pulite a utilidade que vazamentos para a mídia de informações sigilosas têm em manter o interesse público sobre investigações de corrupção e “os líderes partidários na defensiva”. 

    E ele mesmo adotou tal prática ao divulgar conteúdo de grampo ilegal de conversa da então presidente Dilma Rousseff com Lula. 

    Cômodo esquecimento esse dos jornalistas da Globo.

    Associação

    Se não bastasse esse longo trecho sobre o depoimento de Lula, o jornal ainda traz três longas notícias sobre o conteúdo da delação premiada dos publicitários João Santana e Monica Santana. 

    Em duas delas, Lula é acusado de ser chefe do esquema de corrupção da Petrobrás e de caixa 2 dos partidos. 

    A terceira é inteiramente dedicada a acusações de que Dilma sabia tudo acerca do mesmo esquema. 

    Temática

    Novamente a animação das notas de reais saindo dos canos da Petrobrás é usada, talvez com o intuito de dar unidade temática à narrativa.

    Um famoso filósofo alemão escreveu uma vez que os fatos na história acontecem a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. (Karl Marx)


    Sui-Generis Tragédia e Farsa

    Vivente do século XIX, não teve a chance de conhecer o jornalismo praticado pela imprensa brasileira, com destaque para o Grupo Globo. 

    Nele a tragédia e a farsa se misturam de modo indissociável. 

    Ademais, não se trata de uma repetição somente. 

    Farsa e tragédia são duas faces da mesma prática jornalística cotidiana. 

    Modus Operandi

    Álbum Modus Operandi de Mr Woodnote & Lil Rhys rap+jazz, não faz
    meu gênero mas pode fazer o seu. Não resisti à capa, contudo.
    Elas são o modus operandi da cobertura política da mídia brasileira. 

    Adição Extra

    Antes de o JN preparar essa edição escandalosa do depoimento de Lula, o canal GloboNews reservou horas de sua programação do dia anterior para que seus comentaristas ficassem se revezando no ataque a Lula, unanimemente assumindo sua culpabilidade, a despeito de qualquer argumento que o petista tenha apresentado. 

    Surrealismo

    O entrincheiramento político da grande mídia brasileira contra Lula e o PT é tamanho que os rituais de neutralidade e equilíbrio jornalístico adquirem tonalidades surreais. 

    Podemos falar em uma hiperfarsa, uma farsa elevada a potência N, exponencial.

    Moro, num país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza
    Juiz

    Dessa vez, contudo, o contendor de Lula não é um político, mas um juiz. 

    Capas de Revistas

    É preciso notar que esse enquadramento do embate entre Lula e Moro estampou as capas de três revistas semanais. 

    Estratégia

    A edição do Jornal Nacional é, na verdade, o coroamento de algo que se desenhava como estratégia do oligopólio midiático: representar uma luta de vida ou morte entre o político contra o juiz. 

    Os políticos incensados pela mídia nas últimas décadas falharam fragorosamente frente os candidatos do PT. 

    A vala fétida do esgoto sendo alimentada diariamente
    Acusar e Inocentar

    Agora a estratégia é outra, jogar a política partidária como um todo na vala fétida da corrupção e promover o poder do judiciário, que é comodamente isolado da vontade popular. 

    Nessa jogada para derrotar o PT, o partido da imprensa se autonomizou dos partidos políticos da direita, pondo em risco as instituições básicas da própria democracia brasileira.
    Diário

    Assim a farsa midiática produz diariamente a tragédia de nossa democracia. 

    Retrocesso

    Com a edição de ontem do Jornal Nacional, voltamos ao ano de 1989. 

    O fascínio do arrebatamento hipnótico
    Conclusão

    Haverá limite para esse nosso retrocesso coletivo a um passado tenebroso que uma vez imaginamos ter superado? 

    Fica cada vez mais claro que a única solução para atual crise da democracia brasileira é a reforma radical de nosso sistema de mídia. 

    Ele se mostrou incompatível com o experimento democrático da Nova República. 

    Para voltarmos um dia a sonhar com a democracia teremos que nos livrar de seus mais ardorosos inimigos.

    Parcialidade

    Ora, se de um juiz se espera imparcialidade, o mesmo se aplica a repórteres. O nome do cargo já diz, reporter, para reportar a notícia, não para dar sua opinião pessoal. Afinal, a quem interessa a opinião pessoal de alguém que tem apenas o cargo de relatar? Quando o reporter for entrevistado, então aí ele dá a sua opinião, porque quem entrevistou teve interesse nela. Caras e bocas de repórteres são outra arma usada para influenciar os incautos que assistem aos tele-jornais pois é uma linguagem que repassa sua emoção, estudada ou não.

    Para divertir e espairar, Lava Jato não apenas serve para limpar a sujeira política. O conceito também serviu para o artista Paul Curtis (Moose) criar o conceito de grafite reverso para limpar a sujeira das cidades da Europa ao mesmo tempo em que produzia arte e imagens belas a partir de 2014, o que lhe rendeu um contrato de propaganda do Nissan Folha (Leaf), o carro elétrico mais vendido no mundo. 


    Será que desta vez a Lava Jato nacional produzirá arte com resultados belos e de valor realmente, ao invés de só arrancar dinheiro de quem já pagou para trabalhar? Sim, porque a meu ver, quem recebe é o criminoso que barganhou e foi comprado. Quem compra apenas está tentando sobreviver oferecendo, uma vez que é a prática e única forma de se conseguir realizar alguma coisa dentro de um país colossalmente corrupto como era o Brasil de antes deste possível impeachment legal de um presidente ilegal, diferente do último impeachment do ano passado, que foi ilegal contra uma presidenta legal.

    Compare Você Mesmo

    Aqui você pode deleitar-se com a distilação de ódio propagada pela mais importante rede nacional de comunicação que entra na sua casa sem bater e lhe arrebata de jeito, em todos os seus 52 minutos transcendentais:


    Aqui no Tijolaço, veja os 10 vídeos do depoimento de Lula a Moro para saber como aconteceu na realidade, sem manipulação, digo, falta o vídeo 4, obtido no NúcleoMultimídia Estadão, veja links abaixo. Estadão!