terça-feira, 18 de outubro de 2022

Estilista Frustrado

Ursinho de pelúcia do estilista Karl Lagerfeld lançado pela empresa
Steiff alemã em edição limitada de 2.500 unidades vendidas
em lojas selecionadas ao redor do mundo por €1.000 (R$2.980), o
que dá para patrocinar 2 crianças pobres por 1 ano através da
WordVision. 
http://blogdebrinquedo.com.br/2008/10/07/ursinho-de-
pelucia-do-estilista-karl-lagerfeld/
NOTA: Originalmente publicado em 4 de dezembro de 2014 e acidentalmente tornado rascunho, o que modificou sua data de publicação.

Estilista não era uma profissão muito bem vista no Brasil décadas atrás para um homem, então minhas dificuldades começaram por aí dentro de casa. Eu queria ser estilista... 

Mas esta é outra história, o que quero divulgar aqui é a profissão de um sujeito bem sucedido naquilo que um dia foi meu sonho e aspiração, ser estilista de carros

Nem sempre todo mundo consegue o que quer, e muita gente tem que se adaptar à vida como ela se apresenta. Meu caso foi assim, e não posso reclamar. Quando resolvi deixar de ser rebelde e reclamão, Deus me ajudou mas aí eu já tinha perdido metade do bonde...

Faz tempo que não leio revistas especializadas em automobilismo como quando eu era jovem e possuia coleções de Quartro-Rodas, Auto-Esporte, Mecânica Popular e uma tuia de revistas importadas de várias líguas, italianas, inglêsas, norte-americanas, francesas e até japonesas compradas no bairro da Liberdade, em São Paulo, de ler de trás pra frente, portanto, foi uma surpresa dar de cara com esse cara, Jason Castriota, ao pesquisar para o post Renascendo das Cinzas quando falei sobre fênix e um de seus modelos premiados chama-se Saab Fênix, levantando a Saab ofuscada pela concorrente também sueca Volvo. 

Extravagante estilista Jonh Galliano demitido de sua própria grife
pela Maison Dior ao proferir asneiras anti-semitas como subterfúgio.
Sim, as revistas ocupavam um espaço vasto no meu quarto, ao ponto em que tive que me desfazer, e para isso cortei todas as fotos e guardei-as em caixas de sapatos, já que jamais poderia possuir todos os carros do mundo, só em papel mesmo. E sim, eram tantas caixas que tive que me desfazer também e hoje coleciono fotos digitais de carros coletadas da internet, quando deixam... porém os dados sobre eles se perderam, sobrando só a aparência, porque guardar páginas de texto da internet é um trabalho só para a NSA em seus super-computadores naqueles prédios orgíacos, que tinham que ser em Utah.

NSA datacenter em Bluffdale, Utah, Estados Unidos. "Bluff" quer
dizer blefar, mas é claro que Bluffdale é um nome próprio e não 
tem nada a ver...
Pra quem não sabe, Utah é o estado desértico sinônimo do conservadorismo norte-americano, sede dos Mórmons que podem ter várias mulheres, sede do Ku-Klux-Klan que caçava negros como veados (perdoem), e agora sede dos super-computadores da NSA que andou espionando os emails do governo brasileiro. 

Para quem não sabe, "conservador" é um rótulo bonito para "direita", "masculinismo", "patriarcalismo", "capitalismo", "nazismo", "racismo" e tudo quanto é ismo que divide a sociedade em ricos, de preferência brancos, e pobres. Será que tudo isso tem a ver? Foi dispendido $8 bilhões em abril de 2013 ($10 bilhões em 2012 era muito dispendioso), de acordo com o site The Wire (http://www.thewire.com/national/2013/06/how-much-money-do-we-pay-nsa-spy-us/66026/), sendo que o orçamento para a defesa norte-americana em 2012 foi de $75 bilhões. A NSA é só uma de suas 15 agências, de acordo com Money CNN (http://money.cnn.com/2013/06/07/news/economy/nsa-surveillance-cost/). $10 bilhões de dólares daria para sustentar 5 milhões de crianças pobres por 13 anos pela WorldVision e $75 bilhões de dólares daria para sustentar toda a Inglaterra por 13 anos só fazendo festa. Estes cálculos são apenas estimados, é claro, no chute com uma certa base.

Quando se fala em muito dinheiro, não se pode ter noção se não for comparado com algo palpável que conhecemos, por isso procuro dar um ideia sobre o que significa tal quantia sempre que me bato com uma delas. É fácil falar em milhões de Reais, mas não é fácil entender-se a dimensão de tais milhões se não forem convertidos em valores mais próximos da nossa realidade, como passagens de ônibus ou carros populares...

Foto ilustrativa, não eram estes livros
Ao mudar de cidade, minha biblioteca foi reduzida a um mínimo de livros ilustrados caríssimos sobre arte, design e automobilismo (que eu comprava por poucos bilhões de reais na época da inflação de 300% ao ano, com bastante desconto por ser conhecido da livraria especializada) sobre design e coleções sobre história do automobilismo (uma delas montada em fascículos preciosos semanais vendidos nas bancas e encadernados com muita paciência em vários volumes ilustrados). 

Vocês não acreditam que a inflação brasileira já chegou a 300% ano ano, eu sei. 

Um dos projetos Silver Fox na década de 70, o precursor do Smart
Car
E como sobrevivíamos, se isso fosse verdade? Eu digo. Os pobres eu não sei, mas nós, classe média, tínhamos contas bancárias de "cheque especial" cujo saldo era aplicado diariamente, nos rendendo juros, sempre abaixo da inflação, é claro, mas era assim que sobrevivíamos. Uma das minhas estratégias era trocar de emprego todo ano, para onde eu ia ganhando mais de 50% de aumento. Afundava e emergia. Não cheguei a pagar meu crédito educativo da universidade todo porque as prestações fixas desapareceram. Não cheguei a pagar meu apartamento todinho porque o banco gastava tanto para processar nossas prestações que o valor delas não dava pra cobrir os custos então nos foi oferecido um grande desconto para quitá-lo. Pois que em tudo se pode obter vantagens, certo?

Preciosa Enciclopédia do Automóvel da Abril Cultural,
8 volumes + 2 volumes menores sobre Os Grandes
Pilotos, em fascículos nas bancas de jornais em 1974.
Através desta coleção fiquei sabendo dos truques das
montadoras automobilísticas do mundo a fim de
prolongarem a vida do produto mais bem sucedido
do capitalismo, capaz de moldar cidades e vidas por
mais de um século, decep
ção que contribuiu para a
queda do meu entusiasmo pela carreira de design.

Mas que profissão mais supérflua aquela... 
Ao mudar para a Austrália, minha preciosa coleção de livros ficou nas mãos de uma colega artista brasiliense, enquanto meus quadros foram distribuídos com os amigos. Na mala só a coleção de DVDs e CDs, sem caixas. Enquanto colegas foram capazes de transportar até suas salas de jantar de mogno através do ar até Canberra, Austrália, eu e minha família chegamos só com lenço, documento e alguns discos digitais. 

Algumas vezes minha mulher lamenta ter tido que se desfazer de tudo o que tínhamos e que fora comprado com todo amor, mas afinal, de que valem mesmo estas coisas materiais? Viajar e emigrar é a melhor coisa para você se desgarrar das coisas materiais em sua vida e crescer espiritualmente adquirindo cultura sobre as outras culturas diferentes, o que aumenta sua tolerância. Como dizia minha mãe, nosso sonho atual é morar em um hotel onde nada nos pertença, não fosse tão caro...

Entre os nossos pertences materiais já existiu uma coleção de mais de 200 discos de vinil, todos doados. Já existiu até bar cheio de bebidas, todas bebidas! Como são efêmeras as coisas materiais...

Kindle, da Amazon, aqui está sua biblioteca de 1.200 livros
comprados pela internet
Agora, ainda possuímos uma pequena estante repleta de livros e revistas comprados na Austrália porque os preços são tão convidativos, mas já adotamos os e-Books e substituir as revistas mensais por acesso online está em meus planos para breve. Eles até já vendem a coleção completa passada em DVDs, estou só dando tempo ao tempo. Desta forma também se torna fácil adquirir livros em Português, inexistentes na Austrália.

Ainda tenho minhas restrições quanto a acesso digital porque com frequência se perde os arquivos, nem sempre se tem acesso às propagandas (que também interessam, por incrível que pareça) e não é fácil de se achar algo quando se quer, em termos de índice ou pesquisas. Sobre DVDs, eles também podem evoluir e os antigos serem perdidos sem software para poder lê-los dentro de poucos anos. A revista de papel é mais fácil, não fosse pelas traças... e os Kindle estão aí para ajudar (para quem não sabe, são tablets mais baratos e mais fáceis de operar, só para ler livros)...

Antipatia Digital

A coleção de revistas de automobilismo não tinha valor intrínseco
porque alguns números antigos tinham sido adquiridos no sebo e por
conta disso não estavam em condições impecáveis
Esta antipatia por documentos eletrônicos é em parte devida ao meu próprio trabalho. Algumas vezes produzo documentos tão imensos, ou tenho que pesquisar em outros de tamanho igual ou então o assunto é distribuído em capítulos de uma série de outros documentos que não podem ser editados todos ao mesmo tempo, que nem as duas telas que tenho nos computadores do trabalho são o bastante para me ajudarem a me localizar. Com frequênca tenho que imprimir os documentos a fim de indexá-los com aquelas tirinhas coloridas, armazenando-os em grossas pastas de arquivo físico em minha pequena estante do trabalho, uma prática de troglodita das cavernas. Tem documento que é tão grande que imobiliza o computador completamente, mesmo hoje em dia e com toda esta tecnologia moderna. Com a tirinha, vou direto na página de papel na era da informática.

Outro projeto de autoria de Silver Fox na década de 70,
inspirado nos carroziere Bertone e Pininfarina
O Indiocy

A fim de tentar resolver este grande problema no trabalho, do excesso de documentação não facilmente encontrada quando mais se deseja e na velocidade requerida para resolver-se problemas urgentes, desenvolvi um "índice" geral com links para os documentos o qual chamarei aqui de Indiocy. As entradas no Indiocy possuem descrições, e tal índice hoje se tornou fonte principal de acesso pelos membros das equipes, antes de irem às vias de fato, aos documentos oficiais. Trata-se de um índice de pesquisa imediata que reúne milhares de entradas sobre todos os assuntos possíveis que se relacionam ao nosso trabalho, o que inclui as malditas abreviaturas que esse povo de "primeiro mundo" tanto idolatra. 

Vou querer com "bacon, lettuce and tomato" (bacon, alface e 
tomate). "As soon as possible or pretty damned quickly" (assim que 
possível ou imediatamente)?
E por falar em abreviaturas e acrônimos, descobri sem querer porque o tal "primeiro mundo" adora este tipo de coisas, algo que brasileiro anda imitando, pra variar. Trata-se da preponderância da lei do mais fraco, daqueles que não sabem escrever, não tem velocidade ou são ignorantes. Eles preferem escrever siglas do que ter o trabalho de escrever a frase toda. Com isso lhe obrigam a saber do que se trata, e se você não sabe ou não lembra, problema seu, vai ficar voando nas reuniões, o que é muito anti-producente. Some-se a isso a frequente troca de títulos dos programas, projetos e departamentos e o caos está criado, virando o samba do crioulo doido (desculpem!).

Estes relapsos que se acham moderninhos têm revolucionado os mercados afluentes para pior. Como? Ora, basta aqui um exemplo: pais relapsos de alunos relapsos conseguiram duas vitórias no sistema educacional destes tais países, as quais prejudicaram os filhos inteligentes de pais diligentes; eles conseguiram eliminar o dever-de-casa e conseguiram que todos os alunos passassem de ano, mesmo os piores e frequentemente expulsos. Isso porque tais pais são os mais vociferantes a lutarem por seus direitos bem como seus benefícios públicos tipo Bolsa Família, estes sim, os relapsos, nas reuniões de pais e mestres que, em nome da justiça aos menos dotados, modificaram os sistemas em prol daqueles. Agora todo aluno é bom aluno e a sociedade é igualitária.

Como o passarinho à direita: "É assim que me sinto"
Daí outra revolução aconteceu: criaram-se escolas privadas diferenciadas as quais são seletivas e com frequência ligadas a uma religião, ou seja, expulsam alunos que não atingem a média alta exigida por eles para manterem a "qualidade do ensino", por exigência dos pais dos filhos inteligentes e dotados, geralmente imigrantes que tem religião. Destas escolas é que saem 60% dos alunos de universidades da Austrália, constituindo-se em cerca de 90% deles descendentes de imigrantes e principalmente asiáticos. Os restantes 40% são estrangeiros que pagam caro.

Democracia: dois lobos e uma ovelha votando no que jantar!
Liberdade é uma ovelha armada contestar o voto.
Meu filho foi um dos únicos a entrar na universidade a partir das escolas públicas da Austrália, porque somos contra o conceito de escola privada num país destes. Com frequência ele cita que todos os colegas dele vieram de escolas masculinas seletivas de Sydney, daquelas em que os boyzinhos filhos de ricos andam de gravata e paletó. Ele foi capaz de fazer sua escola secundária pública entrar na competição anual de Matemática e se sair bem, no meio do restante de escolas todas privadas, elevando a média de todo mundo, pois outra vitória dos retrógrados foi eliminar a nota individual para um balanço entre todos os alunos, elevando a média "global", ou seja, os alunos bons carregam nas costas os alunos ruins, enquanto os alunos ruins prejudicam a média dos alunos bons. Ideia de jerico realmente. Uma espécie de igualdade democrática de través, entre as maravilhosas ideias australianas, adaptação dos inglêses e norte-americanos. Meu filho nunca sabia se estava se saindo bem, incapaz de calcular sua média enquanto não sabia a de todos os outros ou então só no final do ano quando as médias eram divulgadas. Pra que facilitar se podemos complicar, não é?

Inicialmente ridicularizado e desprezado, hoje meu Indiocy galgou posição de destaque no trabalho, mencionado com frequência nas reuniões a fim de torná-lo popular para novos funcionários pelas diretorias de modo a reduzir os erros cometidos por falta de conhecimento. O patinho feio tornou-se um cisne meio perneta.

Hoje está tudo aqui... quantos bilhões de discos externos como estes 
cabem em Utah? Este só tem 2GB.
Antes disso, com frequência soluções causavam problemas por falta de conhecimento dos profissionais envolvidos, os quais não sabiam que existia teoria sobre o que eram solicitados a construir, não conseguiam achar, tomava muito tempo ler longos textos, e não possuiam a devida especialização e experiência para lidarem com a extrema complexidade que envolve o nosso trabalho. 

Minha solução realmente era totalmente fora dos "procedimentos" e não chegava aos pés da "qualidade" exigida pelas regras da empresa top do mundo, mas funciona com muito mais eficiência do que qualquer outra coisa jamais implementada e conseguiu reduzir bastante o número de problemas, tanto para o Suporte à Produção, como para o Desenvolvimento de Aplicativos. Hoje em dia uma equipe está às raias de implementar um jeito mais automatizado e eficiente de substituir meu conceito finalmente depois de vários anos, o qual também possa armazenar fotos e gráficos, deficiências atuais da minha implementação humilde de brasileiro prático que resolve tudo, não interessa como. Mas esta solução ainda estará em testes por alguns meses.

O patinho feio. Quando eu mostrava o Indiocy com orgulho diziam, 
ah, mas ninguém acessa. Quando eu dizia que haviam elogiado, 
diziam "peça a eles pra escreverem emails pra você provar"... passei a
receber emails sem pedir, mas nunca mostrei pois é muita arrogância 

cegueira. Hoje não preciso mais provar nada. Isso se chama 
resiliência, palavra que eles adoram nesta nação. Resiliência não é
resina na saliência...
Antes disso me foi dada a tarefa de substituír o patinho feio por um cisne Wikipédia, mas os softwares de Knowledge Base (Base de Conhecimento) que me apresentaram com projeto piloto com protótipo não funcionavam do jeito que eu queria, ou seja, com resposta pronta na ponta dos dedos num piscar de olhos. Esperar um ou dois segundos estava totalmente fora de congitação nas minhas exigências, então nada feito, projeto de meses e equipe abortados.

Ninguém jamais faria um trabalho destes que eu fiz. Por quê? Porque foram anos escrevendo coisas, copiando textos, organizando-os alfabeticamente, construindo links, referências, diariamente, fora das funções do meu trabalho, ou seja, trabalho extra, tempo este que eu não poderia justiticar mas deveu-se à minha extrema velocidade no computador, apenas visando o futuro, visando facilitar meu próprio trabalho, que a certo ponto resolvi publicar o Indiocy a fim de que todo mundo pudesse tirar proveito. Ainda assim entreguei tudo sempre em dia e jamais furei nenhum índice de performance.

Qual cisne branco em noite de lua...
Passou a ser a Bíblia das equipes, o ponto de partida para dirrimir todas as dúvidas, conhecimento na ponta dos dedos em centésimos de segundo, com a cara tronxa dos diretores e chefes por não "obedecer aos procedimentos".

Mas que software maravilhoso é esse, meu querido?

Notepad, Bloco de Notas. Arquivo de texto. Simples e imediato, mas o patinho feio.

Antes era atualizado diariamente durante vários anos. Hoje só cerca de duas vezes por semana, já está imenso, se imprimir, dá mais de 1000 páginas. Colegas colaboradores (um ou dois gatos pingados) contribuem, mas sou eu quem o atualiza. Quando eu deixar a empresa, ninguém terá esta coragem...

Alfarrábios, velho método de anotação ainda hoje utilizado nas
reuniões de trabalho no vulgo primeiro mundo, cada um com 

suas dicas e segredinhos particulares, a anti-colaborativos.
É como se fossem as anotações que todo mundo faz em cadernos, e hoje os mais mauricinhos usam tablets chiques nas reuniões executivas, mas ninguém pode compartilhar nada desse jeito, e nem há o menor interesse em compartilhar, uma vez que seus segredos para manterem suas hegemonias no trabalho são o conhecimento escondido da competição. 

Desaprendi a escrever à mão e minha letra manuscrita está pior do que a de médico por não usar mais caneta.

Não sofro desse mal da anti-colaboração, minha "religião" me ensinou a partilhar, e partilhando, todo mundo ganha. É como fazer crescer a classe pobre no Brasil para torná-la média, que faz todo mundo ganhar com a cadeia alimentícia da balança comercial, mas tem gente que teima em não acreditar.

Foi com esta proatividade capitaneada por algumas iniciativas minhas em silêncio que nossa equipe se tornou um exemplo dentro da empresa e dentro do cliente, trazendo-lhes muitos contratos mais. Ao invés de procurar nos meu alfarrábios a resposta para alguma pergunta, simplesmente mando quem perguntou acessar o Indiocy e achar por si mesmo. Já ollhou no Indiocy? Está lá. Ah, desculpe, está mesmo, que idiota que sou... 

E não tenho segredos. Isso aumentou muito mais a produtividade e a proatividade de todo mundo naquele setor da empresa, principalmente com o engajamento de certos líderes que passaram a contribuir, compartilhar e promover a colaboração, mas ainda tem muita gente renitente em se comportar ao contrário, escondendo o jogo. Ainda estamos longe de uma Google, mas quem sabe chegaremos lá... quer dizer, diante do grande irmão que ela se tornou hoje em dia, talvez seja melhor não.

Seu Lugar É na Cozinha

Sociabilizando-se e criando "networks" (redes de comunicação
para deitar e rolar)
Corolário da nova abertura à sociabilização iniciada por este brasileiro aqui no nosso setor: o barulho na copa está insuportável. 

Reclamei à chefia de que o barulho das pessoas conversando alto na copa/cozinha e de manhã, quando os chefes ainda não chegaram, estava me desconcentrando. Fui chamado para uma reunião privada a fim de discutir o assunto porque a gerente estava incentivando a colaboração e as relações sociais no escritório, então não tinha cara de admoestar aqueles que andavam exagerando. Ora, falei que no Brasil a gente admoesta mas ninguém pára de ser social de jeito nenhum. Eles baixam a voz ou vão sociabilizar mais longe, nos corredores, do lado de fora, no toalete, ou depois de alguns meses precisam ser admoestados de novo, mas não param. Só que se você admoestar desse jeito na Austrália, todo mundo se retrái. Só precisam de uma desculpa para entrarem de novo em seus casulos, suas ostras, e se isolarem do mundo, não dando nem bom dia nem "see you later" (tchau). Ponto para os brasileiros de novo.

Projeto de Pouco Lucro Não Interessa

KPI (se fala "quipiái", Indicadores Chaves de Performance, 
medir, inovar, propagar, estrategizar, o que se traduz em 3 horas
para resolver um problema urgente, sem mas, mas, seja em que
horário for
Certa vez um dos diretores da empresa falou que pequenos contratos não interessavam, o nosso incluído, em conferência bem no meio de um evento social bimensal. Espicacei minhas penas, achei muita arrogância dele em nome da empresa, me senti mal com sua colocação, mas não fiz caso, eles iam ver só. 

Dois anos depois ele pagou sua língua ao admitir em outro evento que nosso "pequeno contrato" foi capaz de provar-se excelente referência para a empresa ganhar muitos outros contratos com o mesmo cliente um ano depois, e que dificilmente ele havia visto um cliente tão feliz com um produto de uma empresa contratada. Foram várias gratificações anuais e prêmios de alta qualidade mas, cá pra nós, cala-te boca... qualidade é algo que venho batalhando a anos... este ano dei um grande passo reduzindo o número de problemas pendentes de mais de 700 para 70, yahoo, em uma pequena equipe dedicada por 4 meses. Isso foi uma proeza! Foi resultado de trabalho coordenado, cooperação entre equipes e times, colaboração e visão global.

É assim, tem muita gente míope dirigindo grandes corporações no mundo só enxergando cifras de acionistas e esquecendo-se dos colaboradores fundamentais para os seus sucessos. Ninguém sabe o dia de amanhã, e ele jamais deveria proferir tamanha asneira ao desprezar os contratos pequenos porque trazem pouco lucro aos soberanos acionistas. Porém, quem vai se lembrar que ele falou tal absurdo? Apenas eu... no ano seguinte todos já haviam esquecido da nossa "importância" mas a empresa tem um canal de denúncias: as pesquisas anuais! Minhas contribuições nesta área são inacreditáveis, motivos para outro post futuro, vamos ver.

Agora a briga é para saber como a empresa pode tornar-se mais competitiva, porque uma certa concorrente anda ganhando todas as licitações. O que diabo eles estão fazendo? Precisamos nos livrar de tantas amarras. 

Meio esquilo...
Os Meio Esquilos

Então me convidaram para participar de um fórum sobre como utilizar os "leigos" no futuro, conhecidos agora como "middle skills" (ou seja, meio esquilos... não, não, são meio-profissionais... é, por aí), reduzindo as exigências de diplomas, graduações, certificados, a fim de empregar mais gente com mais velocidade, porque as atuais exigências são tão grandes que não se consegue mais contratar uma vez que ninguém tem qualificações o bastante e tornou-se um pesadelo obter habilidade a curto prazo. Leigos? Que história é essa?

Tem um artigo bom aqui, em Inglês: http://www.economicmodeling.com/cc-report2014/ [Removeram a página da net!]

Este fórum é promovido pela filial norte-americana e pode ser participado através de podecast, como se eu tivesse tempo pra jogar fora. Duas semanas depois deste convite, venho a ler na internet que é porque a Índia e o Brasil já fazem isso na área de saúde com sucesso a vários anos, servindo de exemplo para o resto do mundo. Veja isso explicadinho no post Renascendo das Cinzas. 

Mas ora vejam só! O Brasil na frente de novo, apesar das más línguas dos brasileiros também míopes da classe média tradicional. Estes tipos de brasileiros me irritam profudamente. Como se pode ser tão imbecil?

Trabalhador Intermediário + Alta Educação Tradicional e
não-Tradicional + Tecnologia = Trabalhador com Conhecimento,
Habilidades e Competência Expandidos
http://www.evolllution.com/opinions/helping-middle-skilled-workers-
find-job-part-2/
Não aceitei o convite porque não estou a fim de aumentar minha carga de trabalho, já chegam os programas de qualidade e de engajamento de pessoal que participo. Estão chamando os leigos de "middle-skilled" (meias-habilidades), aqueles que terminaram o curso secundário, mas não fizeram curso universitário, no máximo com curso técnico, ou seja, a grande maioria da população jovem e nativa dos países abastados que anda largamente desempregada e dependendo de benefícios sociais, os tais Bolsa Família que os governos já não aguentam mais desembolsar e começaram a cortar gerando protestos nas ruas

Pois, enquanto os brasileiros e asiáticos se matam para terminarem uma faculdade, os filhos do primeiro mundo preferem empregos de jardineiros e encanadores... não que eu tenha nada contra estas profissões, mas convenhamos, deixar de estudar por isso só luxo pra primeiro mundo relaxado mesmo... o que vocês nem sonham é que, quando um país desses se jacta de ter quebrado uma barreira ou récord em alguma área, eles não dizem que o sucesso foi conseguido por um imigrante naturalizado ou filho de imigrantes, porque todo mundo nesse caso é considerado cidadão daquele país. Pois só os estrangeiros estudam, se formam, e tomam os melhores empregos.

A boa arte não tem idade, década de 70 de novo design de
Silver Fox
Se tenho sido reconhecido por meu trabalho de infra-estrutura mal notada? Sim, tenho mantido meu emprego numa época em que todo mundo está sendo terceirizado em contratos temporários há mais de 10 anos, cujos períodos se reduziram para 6 meses e chegando até a 3 meses (mas o que se pode fazer em 3 meses? Nada. Mal se aprendeu onde era o toalete e o bar da esquina), e até os funcionários públicos tem sido demitidos em massa pois aqui na Austrália não existe tal estabilidade como no Brasil, enquanto empresa como General Motors (Holden australiana), Ford e Toyota estão abandonando o barco da Austrália no ano que vem (ao contrário de Jaguar-Land Rover e BMW praticamente se mudando para o Brasil - o que Jaguar-Land Rover e BMW tem que GM, Ford e Toyota não têm? Prestígio...) ou sendo substituídos por indianos, seja por empresas na Índia mesmo, ou por imigrantes para quem os salários baixos australianos ainda são o paraíso em comparação com os salários de seus países. Nas casas em que vivem 1 ou 2 australianos, aqui abrigam uma dúzia de indianos de famílias grandes e agregados.

Subúrbio chique em Hyderabad na Índia que abriga profissionais de
tecnologia. Foto de Kuow Photo/Harsha Vadlamai.
Para ter-se uma idéia, anos atrás quando pesquisei uma comparação e conforme passou num documentário na TV australiana, constatei que os salários na Índia equivaliam a menos de 10% dos salários dos profissionais de informática daqui, e mesmo assim eles eram considerados ricos na Índia, vivendo em casas chiques de primeiro andar em ruas descalças com lixo na calçada...

Designer Automotivo

Pois bem, voltando ao assunto principal depois das minhas eternas divagações, quando eu era adolescente, passei a sonhar com a carreira de estilista de automóveis. 

Chevrolet pickup C-10 1964, primeira geração, modelo que durou
até os anos 80, desenhado exclusivamente para o Brasil, antes

da ditadura militar.
Começou na Escola Técnica, onde fiz uma cadeira profissionalizante de Artes e desenvolvi minha capacidade de desenhar exponencialmente em dois anos, no segundo grau. Apesar disso, não obtive nenhum incentivo de ninguém, nem da família, nem de professores, mas essa é outra história do Brasil. 

Em dois anos deixei de copiar modelos de gesso para desenhar minhas próprias criações, e alguns dos meus primeiros desenhos foram uma batida entre um Gálaxie e um Simca Chambord, um ônibus de viagem com carroceria Ciferal e uma Chevrolet C-10 pickup com uma Campervan sobre a carroceria, transportando dois irmãos em viagem transamericana do Brasil aos Estados Unidos pelos Andes. Logo em seguida passei a criar meus próprios modelos de super-carros, o que me levou a descobrir a profissão nas revistas automobilísticas que comecei a comprar com meus primeiros salários como desenhista de publicidade antes de atingir os 18 anos.

Animação da Mighty Nice http://vimeo.com/106136199
Para encurtar este assunto e a longa história que envolveu esta ambição (cabe mencionar aqui que ganhei até bolsa de estudos em Detroit, mas me botaram tanto medo do exterior que agradeci e desisti), acabei me tornando Engenheiro Mecânico e trabalhando na área de Informática.

Sites ligados a nossos filhos:

http://vimeo.com/106136199

http://global.jaxa.jp/

Jaxa, Nasa japonesa http://global.jaxa.jp/
Apesar da Austrália inteira parecer ser virada em automobilismo, o que seria um sonho para minha antiga aspiração (contei hoje 50 revistas diferentes nas bancas, mais 30 sobre 4x4 e mais 20 sobre caminhões e outros veículos, e isso nesta recessão pois já foram mais a alguns anos atrás), desde que migrei para cá que perdi o interesse de frequentar salões de automóveis ou corridas como meu filho que hoje é adepto e já esteve até nas equipes de leigos dentro dos pit-stops nas corridas de F1 em Melbourne. Não, eu não ensinei nada a ele, ele descobriu a paixão por automóveis sozinho, talvez por causa de seu DNA repartido comigo. Além das dúzias de revistas especializadas em tudo quanto é tipo de veículo, também tem dezenas de feiras, exposições e clubes de donos 4x4 e de clássicos, algo que também já tem no Brasil. Virou coisa banal e excessiva, a face da superficialidade australiana.

Antes do Corsa, era Chevette. Ilustração pintada numa camiseta
por 
Silver Fox.
Tudo o que me resta são fotos de carros digitais em uma coleção imensa pois ainda fico maravilhado pelas formas automobilísticas, mais do que por suas engenharias ultrapassadas. Nesse ponto, meu filho, ainda mais ligado do que eu hoje em dia, já dirigiu o carro elétrico Tesla norte-americano em Sydney semanas atrás. Quanto ao meu carro, é sempre o mais prático possível, o máximo valor pelo preço mais baixo somado à excelência no atendimento. Vencedora: Toyota.

Jason Castriota

Portanto, foi com surpresa que dei de cara com este novo estilista (novo para mim) e li sobre sua história, encontrando uma entrevista interessante que define o que havia sido a minha aspiração, ou seja, eu poderia ser ele hoje em dia, se não tivesse atravessado certos impecilhos na vida.

Jason Castriota falando do projeto do SAAB Phoenix, em Inglês, 

Ferrari P4/5 2006 oferecida a James Glickenhaus por Andrea
Pininfarina, neto do fundador de uma das mais famosas e
tradicionais carrozzerias italianas
Jason Castriota, que não é castrado nem idiota, e apesar de parecer brasiliero nasceu em Nova Iorque, é um estilista de automóveis autor do premiado design do Saab Phoenix mostrado no salão do automóvel de Genebra, Suiça, em 2011, além de ter criado a Ferrari P4/5 para o diretor de cinema e magnata da bolsa de valores James Glickenhaus, pela Pininfarina. 

Ele é ex-diretor de Projetos Especiais da Pininfarina quando tinha 34 anos em 2008, ex-diretor de Design da legendária Bertone, nascido no Brooklyn, NY, que largou os estudos no Art Center College de Pasadina, California, para fazer uma carreira meteórica como estilista de super-carros, entre eles Ferrari e Maserati, hoje, 2014, tem sua marca e sua empresa de design cujo web site é este: https://www.castriotadesign.com/

Tradução da entrevista em holandês.

Jason Castriota, Designer de Nicho

Bugatti Veyron Vitesse 2013, com o dedo Castriota
Você nunca sabe quem são os super-ricos do mundo, só quando eles telefonam para lhe encomendar uma Bugatti Veyron.

Ok, você ligou porque deseja o que há de melhor, mais sofisticado e mais personalizado no mundo, né? Você quer ter painéis de fibra de carbono, com as cores do arco-íris, veloz como uma jaguatirica. Mas isso é só o começo. Existe um nível muito mais alto, o topo da fabricação de um carro único, que pode ser feito só para você. Existem muitos fabricantes de alta qualidade para você encomendar: a divisão Mulliner Bentley, por exemplo, adquiriu fama com os carros mais especiais feitos para o sultão de Brunei enquanto a Ferrari construiu um 458 semelhante ao BB de Eric Clapton em 2009, e você ainda tem, claro, as carrozzerias como Pininfarina, Bertone, Touring e Zagato.

Ferrari 458 Italia lançada no Salão do Automóvel de Frankfurt em
2009
, com o dedo Castriota
Jason Castriota projetou vários destes modelos únicos - alguns em segredo - quando ele estava trabalhando para a Bertone e agora tem o seu próprio negócio. Ele diz que ainda há crescimento para seu negócio: cada carrozzeria consegue apenas um ou dois projetos por ano e, em seguida, tem sempre um grande projeto a desenvolver. Ele começou com cerca de quatro Euroton (marca húngara) como veículos doadores para a aplicação de uma nova carroçaria razoavelmente simples.

Ferrari 458 Italia especial para Eric Clapton, inspirada no modelo
512 BB de 1970, da qual o cantor possui três exemplares
, com 
o dedo Castriota
Mas se você quer mudanças radicais da estrutura interna, dos pára-choques, da zona de deformação e mais exigências deste tipo, prepare-se para aumentar seus custos exponencialmente, diz Jason Castriota. "Você só pode gastar cinco ou seis milhões." Então para esse dinheiro, você só consegue um carro novo construído sobre um chassis existente. O cliente pode escolher uma unidade de sua escolha com um corpo completamente novo e um novo chassi. "Você pode conseguir o que quiser, mas tem que levar em conta um investimento de doze milhões. Nós recebemos projetos desta dimensão. Faça o que os fabricantes de supercarros deste super segmento de nicho fazem, e você também pode pagar essa quantia a eles para a fabricação de um carro pra você, onde uma cópia de teste pode ser construída e testada."

Eric Clapton saindo de seu elevador, sem o dedo Castriota
Castriota acredita que tais carros únicos são muito diferentes dos carros-conceito que você vê em feiras de automóveis. Com os conceitos, os fabricantes atraem a atenção com vistas a publicidade. Um carro cuja cópia é construída de verdade, é diferente, é uma obra de arte a longo prazo. Ele assume que uma boa cópia deve ganhar uns trinta prêmios em competições. Uma vez por ano "um carro que você constrói como uma única cópia com exclusividade, deve forçar as fronteiras do absurdo e consagrar a declaração das artes que é de ser desafiador e possuidor de uma beleza única."

http://www.topgear.nl/uitgelicht/jason-castriota-niche-ontwerper-test-uitgelicht/

Não Coce o Corsa

Castriotas à parte, meu sexto carro no Brasil foi um Chevrolet Corsa 1.0 1998 que eu adorava mas realmente era muito pequeno embora chegasse a 160km/h nas rodovias da Bahia e ganhasse dos Gols e Fiestas 1.0, comprovadamente pelo louco motorista daquela época aqui. Você jamais em tempo algum vai poder dirigir nesta velocidade na Austrália mesmo milionário para pagar as multas, mas perde a carteira e é preso, só em algumas rodovias da Alemanha. 

Veja o que a inteligência é capaz de fazer com um Corsa 1999 nestes dois vídeos virais da internet. Na Inglaterra que o criou, o Chevrolet Corsa se chamava Vauxhall Corsa, Opel Corsa na Alemanha, mas era o mesmo vendido na Austrália como Holden Barina. Este ano de 2014 um certo proprietário muito habilidoso anunciou no Youtube sua intenção de vender seu amado Corsa assim:


Agora o carro, carinhosamente referido como "calhambeque" (banger), foi adquirido e outro filme foi divulgado na internet com a intenção do comprador de angariar fundos para transformar o trailer na proposta de um filme apresentado aqui, chamado Barinageddon, transformando o carro num  robô "transformer": 


http://www.carthrottle.com/this-vauxhall-corsa-is-the-latest-old-banger-to-be-transformed-into-an-internet-sensation/

O Barina 1999 desta campanha foi vendido recentemente à NRMA Seguros australiana com todos os lucros dirigidos à caridade, ao Cancer Council (Conselho do Câncer da Austrália). O filme "Buy My Barina" (Compre Meu Barina) postado no Youtube pelo diretor de cinema digital da Chimney, David Johns, para vender seu amado carro manual recebeu mais de um milhão de visitas em sua primeira semana e centenas de milhares de tweets e ofertas em mídias sociais. O vídeo com características da moderna técnica de publicidade atraiu a atenção das redes de televisão do mundo incluindo as norte-americanas Good Morning America, NBC, CBS, ABC News, CNN e as locais Sunrise e The Project. Ganhou até o próprio website, http://www.barinageddon.com/.


Infelizmente conselhos de câncer no mundo só pesquisam remédios para curar o câncer, gastando cada vez mais as suas doações para o proveito das corporação farmacológicas, as atuais maiores vilãs do capitalismo, que vendem suas novas drogas caríssimas ao invés de serem usadas para proveito das populações. Mas você não sabe disso, não é? Nem lhe interessa...

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Multicultural Communication (Comunicação Multicultural)

I was invited to participate in 2 webinars about the Agile environment method of IT analysis referring to "forget about practices, work on culture", and that led me to remember some more difficulties I came across in my professional life which I believe may be useful to share with the company which invited me. 

It Is About Communication

I confess that I have difficulties understanding certain English accents. In this case, I particularly refer to Samar's (fictional name) one, since I have already taken part in a LIVE with him speaking and he was the most difficult to understand, I almost regret to say. Actually, it is rather the Indian accent in general, which has irritated the clients so much that most call centers in Australia brought back their offices to onshore.

It may not be polite to say that, but perhaps people with accents should try speaking a little slower or to use other tricks. I have a defective Latin accent myself, of course, so I have learnt some tricks which I actually do not know if they have been working because people do not give feedback, perhaps because it's a sensitive area which touches egos and they do not want to hurt me. But they should. Perhaps the Americans are not so educated, so they say... Extending a little bit only in terms of samples, the worst are Scotch, metropolitan Londoners and Australia's countrymen's accents, but there are a million others.

Related to that, I recall that many people are just like me in terms of talking and listening in a multicultural environment which is a global tendency. Having worked in multicultural teams a lot in Australia, I know that there are a number of people who pretend to be understanding a lecture or a presentation but they are not, and we only discover that after sometime during the work and some mistakes.
 
Everyone feels ashamed of admitting it, mainly afraid of being considered dumb or incompetent, which is not my case. They prefer to keep quiet with the appearance of an intellectual statue so the others think they understood everything without a problem. Let alone making silly questions, which I am not ashamed of doing. It is not true, unfortunately they did not understand perhaps crucial concepts. Most people of course say "it was clear and easy", but when you put them into practice, you notice that they are not aware of some things, which have been treated in previous presentations. Was it your fault during the presentation or their fault for not asking enough? Both.

Well, sometimes I feel ashamed to interrupt people and ask them to repeat what they said, because I would do that a lot. I believe that many people share this feeling as well. I had an Australian National CEO in Australia who would constantly say "please, speak slowly and explain again because I am slow and did not pick up". He turned out to be my hero from then on.

So, I believe that this may be one of the most important bottlenecks to remove when we need to build a truly understanding and levelled team and we have to deal with these particular subtle and sensitive areas that deeply touches our souls as office mates in a company culture. We already talked about aspects like character and personality, now it is time to talk about communication taken for granted. And I did not even talk about writing... so many people just do not know how to communicate correctly, not even by writing... That is the time we need to remember everyday that we are in a professional environment, not at home.

Team Building Activity

Once I was escalated to lead a team building activity. I took it seriously, because they had organized silly activities like go-kart, mini-golf or paint-ball so far which irritated me and I did not participate, only for nibbles, beverages and getting together into superficial conversations, when they existed.

In my case, I researched and found a very interesting "game" which was one that took part in a park. We would have an activity, i.e. a game, then people would be free to spend the rest of the hours eating, talking, resting in the shadowed grass by the lake or playing soccer (as they actually did).

The game was the Labyrinth Team Building Game which is a head-scratching challenge where teams work together quickly and effectively to make their way through a maze of puzzles and obstacles.

Labyrinth Benefits
  • Enhance communication and collaboration skills
  • Build trust in the workplace
  • Illustrate the value of individual member roles
  • Demonstrate the importance of time management and deadlines
  • Improve problem solving skills
The event coordinator welcomes the group and puts everyone into teams randomly. Delegates can expect to face a range of puzzles and challenges that will test their ingenuity, problem solving and communication skills. Team work is absolutely essential to complete the challenges within the best time line. Teams will face all sorts of barriers on their way through the labyrinth. Bridges will need to be built, gates unlocked and webs negotiated.

The activity required preparing a track which was built with board boxes and all sorts of pre-prepared obstacles. We would enter from one side and get off by the other side. In the middle, there would be a tortuous labyrinthic path which the participant should walk until reaching the end of the track. The groups included 2 people: 1 to walk and the other to tell this one what to do, because the walker would be blind folded!

The walker should follow what the commander would say and so get safe to the end. The winner would be the couple who would finish in the best time with fewer mistakes. It was very fun, but unfortunately the results were not appreciated as they should have. Not even the director took the importance of the activity seriously.

Highlights

The perfection of the communication - one would say words, and the other would understand perfectly to execute the steps exactly as the commander said in a quick manner. Well, this showed that not only people had difficulties to express themselves rationally as well as the other part would not understand very well what was said and do the wrong thing. The highlight was not on who was the wrong one, but the effectiveness of the method of communication.

The behaviours - some would be in a rush to be the quicker which would compromise the perfection, make them stumble, kick and even fall, while others would be too careful to proceed, afraid of doing something wrong, and delaying the results. Those in a rush would give no time for the commander to correct their trajectory, and those too slow would demonstrate not to rely on the commander's words. The best would be one who would understand perfectly the well set and clear commands.

Results

In the end, two couples were winners under protests because the director chose the quicker one regardless of the errors in profusion, but the next quickest but more correct revolted. The winners would earn some monetary fringe benefits.

That would assess knowledge to be used back in the office, but nobody ever talked about that again, just like they treated the go-karting and paintballs, activities which served only to get together people who, otherwise, would never spend some time together outside the work hours. The other activities were BBQs, lunches and dinners, nothing actually professional like my proposal. It was really disappointing to realise that my work was not valued as it should.

Taking that to work, the winners would be those who deliver on time, regardless of correctness, quality and integrity. Those more responsible who would care about that would be punished because of eventual delay or trajectory correction on the project's timelines. That represents the culture of the company. Once the users said they preferred a delay than a defective system. They were ignored because the global Forbes company had a reputation of always delivering on time, no matter what, even letting corrections to be done afterwards, which can be very expensive.

This goes totally against the Agile concept which does not follow a pre-approved and tight Waterfall project!... It is another concern for the company who invited me I am sharing with!

Cheers.

Em Português (Portuguese)

Fui convidado a participar de 2 webinars sobre o método de análise de TI do ambiente Agile referente a "esqueça as práticas, trabalhe a cultura", e isso me levou a lembrar mais algumas dificuldades que encontrei na minha vida profissional que acredito serem úteis para compartilhar com a empresa que me convidou.

É Sobre Comunicação

Confesso que tenho dificuldades em entender certos sotaques ingleses. Nesse caso, me refiro particularmente ao Samar (nome fictício), pois já participei de uma LIVE com ele falando e ele foi o mais difícil de entender, quase lamento dizer. Na verdade, é mais o sotaque indiano em geral, que irritou tanto os clientes que a maioria dos call centers na Austrália trouxe de volta seus escritórios para dentro de casa.

Pode não ser educado dizer isso, mas talvez as pessoas com sotaque devam tentar falar um pouco mais devagar ou usar outros truques. Eu também tenho um sotaque latino defeituoso, é claro, então aprendi alguns truques que na verdade não sei se estão funcionando porque as pessoas não dão feedback, talvez porque seja uma área sensível que toca os egos e eles não querem me machucar. Mas eles deveriam. Talvez os americanos não sejam tão educados, assim dizem... Estendendo um pouco apenas em termos de amostras, os piores são os sotaques escoces, metropolitano londrino e do interior da Austrália, mas há um milhão de outros.

Relacionado a isso, lembro que muitas pessoas são como eu no que diz respeito a falar e ouvir em um ambiente multicultural que é uma tendência global. Tendo trabalhado muito em equipes multiculturais na Austrália, sei que há um número de pessoas que fingem estar entendendo uma palestra ou uma apresentação, mas não estão, e só descobrimos isso depois de algum tempo durante o trabalho e alguns erros.

Todo mundo sente vergonha de admitir, principalmente medo de ser considerado burro ou incompetente, o que não é o meu caso. Eles preferem ficar calados com a aparência de uma estátua intelectual para que os outros pensem que entenderam tudo sem problemas. Muito menos fazer perguntas bobas, que não me envergonho de fazer. Não é verdade, infelizmente eles não entenderam conceitos talvez cruciais. A maioria das pessoas, claro, diz "foi óbvio e fácil", mas quando você as coloca em prática, percebe que elas não estão cientes de algumas coisas, que foram tratadas em apresentações anteriores. Foi culpa sua durante a apresentação ou culpa deles por não perguntarem o suficiente? Ambos.

Bom, às vezes eu tenho vergonha de interromper as pessoas e pedir que repitam o que disseram, porque eu faria isso muitas vezes. Acredito que muitas pessoas também compartilham desse sentimento. Eu tive um CEO nacional australiano na Austrália que dizia constantemente "por favor, fale devagar e explique novamente porque sou lento e não atendi". Ele se tornou meu herói a partir de então.

Então, acredito que este pode ser um dos gargalos mais importantes a serem removidos quando precisamos construir uma equipe verdadeiramente compreensiva e nivelada para implementar o método Agile e temos que lidar com essas áreas particulares sutis e sensíveis que tocam profundamente nossas almas como colegas de escritório na cultura de uma empresa. Já falamos sobre aspectos como caráter e personalidade em outras LIVES, agora é hora de falar sobre comunicação tida como certa. E eu nem falei do ato de escrever... tanta gente simplesmente não sabe se comunicar direito, nem escrevendo em Inglês, apesar de nativas... Esse é o momento que a gente precisa lembrar todos os dias que estamos em um ambiente profissional, não em casa.

Atividade de Team Building

Uma vez fui escalado para liderar uma atividade de team building. Levei a sério, porque até então tinham organizado atividades bobas como kart, minigolfe ou paintball que me irritavam e eu não participava, apenas para petiscos, bebidas e conversas superficiais, quando existiam.

No meu caso, pesquisei e encontrei um "jogo" muito interessante que era aquele que se jogava num parque. Teríamos uma atividade, ou seja, um jogo, então as pessoas ficariam livres para passar o resto das horas comendo, conversando, descansando na grama sombreada à beira do lago ou jogando futebol (como realmente faziam).

O jogo foi o Labyrinth Team Building Game (Jogo Labirinto de Formação de Times), que é um desafio de coçar a cabeça, onde as equipes trabalham juntas de forma rápida e eficaz para atravessar um labirinto de quebra-cabeças e obstáculos.

Benefícios do Labirinto
  • Melhorar as habilidades de comunicação e colaboração
  • Construir confiança no local de trabalho
  • Ilustrar o valor das funções dos membros individuais
  • Demonstrar a importância da gestão do tempo e dos prazos
  • Melhorar as habilidades de resolução de problemas
O coordenador do evento dá as boas-vindas ao grupo e coloca todos em equipes aleatoriamente (sorteados). Os participantes podem esperar enfrentar uma série de quebra-cabeças e desafios que testarão sua engenhosidade, resolução de problemas e habilidades de comunicação. O trabalho em equipe é absolutamente essencial para completar os desafios dentro do melhor cronograma. As equipes enfrentarão todos os tipos de barreiras em seu caminho pelo labirinto. Pontes precisarão ser construídas, portões desbloqueados e teias negociadas.

A atividade exigiu a preparação de uma pista construída com caixas de papelão e todo tipo de obstáculos pré-preparados. Entramos por um lado e saímos pelo outro. No meio, havia um tortuoso caminho labiríntico que o participante deveria percorrer até chegar ao final da pista. Os grupos incluíam 2 pessoas: 1 para percorrer o caminho e a outra para dizer a esta o que fazer, pois o caminhante estaria com os olhos vendados!

O caminhante deve seguir o que o comandante diz e assim sentir-se seguro até o fim. O vencedor seria a dupla que terminasse no melhor tempo com menos erros. Foi muito divertido, mas infelizmente os resultados não foram apreciados como deveriam. Nem mesmo o diretor levou a sério a importância da atividade.

Destaques

A perfeição da comunicação - um dizia palavras, e o outro entendia perfeitamente para executar os passos exatamente como o comandante dizia de forma rápida. Pois bem, isso mostrou que não só as pessoas tinham dificuldades para se expressar racionalmente como a outra parte não entendia muito bem o que era dito e fazia a coisa errada. O destaque não estava em quem estava errado, mas na eficácia do método de comunicação.

Os comportamentos - alguns teriam pressa em ser o mais rápido o que comprometia a perfeição, os faria tropeçar, chutar e até cair, enquanto outros teriam muito cuidado para prosseguir, com medo de fazer algo errado e atrasar os resultados. Os apressados ​​não dariam tempo para o comandante corrigir sua trajetória, e os muito lentos demonstrariam não confiar nas palavras do comandante. O melhor seria aquele que entendesse perfeitamente os comandos bem definidos e claros.

Resultados

No final, duas duplas foram vencedoras sob protestos porque o diretor escolheu a mais rápida, independentemente dos erros em profusão, mas a próxima mais rápida, porém mais correta, revoltou-se. Os vencedores ganharam alguns benefícios monetários.

Isso avaliaria o conhecimento para ser usado no escritório, mas nunca mais ninguém falou sobre isso, assim como trataram o kart e paintball, atividades que serviam apenas para reunir pessoas que, de outra forma, nunca passariam algum tempo juntas fora as horas de trabalho. As outras atividades eram churrascos, almoços e jantares, nada realmente profissional como a minha proposta. Foi realmente decepcionante perceber que meu trabalho não foi valorizado como deveria.

Levando isso para o trabalho, os vencedores seriam aqueles que entregassem no prazo, independentemente da correção, qualidade e integridade. Os mais responsáveis ​​que se importassem com isso seriam punidos por eventual atraso ou correção de trajetória nos cronogramas do projeto. Isso representava a cultura da empresa. Uma vez os usuários disseram que preferiam um atraso do que um sistema defeituoso. Eles foram ignorados porque a empresa global Forbes tinha a reputação de sempre entregar no prazo, não importa o que aconteça, mesmo deixando as correções serem feitas depois, o que podia sair muito caro.

Isso vai totalmente contra o conceito Agile que não segue um projeto Waterfall (Cascata) pré-aprovado e estanque!... É outra preocupação para a empresa que me convidou e com a qual estou compartilhando!

Abraços.